UMA VITÓRIA NO DIA CERTO

Todos os parceiros estão convidados a repartir este fantástico bolo!

* Por Lucas Ottoni

Olá, amigos. Antes de qualquer coisa, eu gostaria de agradecer a todos vocês, visitantes ilustres do Brazilian Hornet, pelas lembranças destinadas ao aniversariante aqui. Muito obrigado mesmo, por cada palavra. Como vocês sabem, eu acabei de completar 31 anos (no último dia 11 de abril). Uma idade boa, em que você já não se sente mais tão garoto, mas também não se considera velho e acabado. Fica-se ali, perto do meio-termo, e isso está de bom tamanho para mim. Ok, chega de egocentrismo. Vamos “hablar” de Hornets? O nosso time abriu a semana na segunda-feira, 09/04, encarando o Los Angeles Lakers (37-22) e perdendo para os angelinos na New Orleans Arena: 93 a 91 (e lá se foi o meu presente de aniversário antecipado). Pelo placar, vocês puderam perceber que a partida foi duríssima. No entanto, falaremos dela mais abaixo. Eu quero começar este post com um resultado positivo no dia certo. Ontem, 11/04 (essa data não me é estranha), os zangões enfrentaram o Sacramento Kings (19-40) e me presentearam (só mais um pouco de egocentrismo, vai?) com um belo resultado na Colmeia: 105 a 96. Que me desculpem os outros fãs do Hornets, mas essa vitória foi para mim! Bem, agora que eu já estou começando a me sentir importante, vamos refletir um pouquinho no parágrafo abaixo…

Após os jogos contra Lakers e Kings, apenas 8 duelos separam o New Orleans Hornets (16-42) do fim da linha na temporada 2011-12 da NBA. A nossa equipe segue na lanterna da Conferência Oeste e já não possui qualquer chance de alcançar os playoffs. Portanto, essas partidas restantes não mudarão a situação dos zangões no campeonato, mas podem servir para que o técnico Monty Williams faça as últimas observações e conclua algumas ideias a respeito do atual elenco. Então, vale a pena conferir o comportamento dos nossos jogadores nessa reta final de temporada regular. Devemos encarar esses 8 jogos como uma espécie de início do processo de formação do time para 2012-13. E isso, acreditem, pode ser muito interessante daqui para frente. Vejam o que falta para nós (horários de Brasília):

Abril

Adversário Horário
 Sex 13  vs Utah    21:00
 Dom 15  vs Memphis    20:00
 Seg 16  @ Charlotte    20:00
 Qua 18  @ Memphis    21:00
 Qui 19  vs Houston    21:00
 Dom 22  @ LA Clippers    22:30
 Ter 24  @ Golden State    23:30
 Qui 26  @ Houston    21:00

Essas partidas poderão representar o começo de uma nova equipe para o basquete profissional de New Orleans, mais competitiva, forte e entrosada. Eu sugiro aos amigos que acompanhem os 8 jogos restantes. O calendário está aí em cima. Não tem erro. Agora, vamos entrar rapidamente na vitória em homenagem a mim (eu acredito!) e na derrota para o Lakers…

Marco Belinelli foi bem contra o Kings

Ontem à noite, quando eu soprei 31 velinhas, o Jason Smith e o Marco Belinelli resolveram comandar a festa, e quem acabou pagando a conta foi o Sacramento Kings (eles vêm de 6 derrotas seguidas!). Com 22 pontos e enterradas chocantes, o nosso ala-pivô branquelo mostrou que vive uma ótima fase e que merece fazer parte do futuro do nosso time. E vocês, o que acham? Já o ala-armador italiano anotou 21 pontos e também vem jogando muito bem (ele se apresenta muito melhor quando atua ao lado do armador Greivis Vasquez). É impressionante como o Belinelli parece mais confiante do que no início da temporada, e eu tenho a impressão de que ele conseguirá estender o seu contrato com os zangões. Se isso realmente acontecer, méritos para ele. Outro atleta que me causou boa impressão foi o jovem ala Al-Farouq Aminu. Ele vem mostrando uma capacidade defensiva muito boa e aproveitando os minutos a mais que vem recebendo, já que o técnico Monty Williams resolveu poupar o Trevor Ariza. Mais um jovem, o ala-armador Xavier Henry, também apareceu bem contra os Reis: ele anotou 14 pontos e mostrou intensidade. No lado adversário, o ala-armador Marcus Thornton – um velho conhecido – foi quem nos deu mais trabalho (só para variar): foram 25 pontos. Enfim, foi com boas atuações de jogadores menos cotados que o Hornets conseguiu me presentear com uma bela vitória. Após um primeiro quarto ruim, os zangões se acertaram e conseguiram bater a turma de Sacramento: 105 a 96.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Kings)

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Lakers)

Greivis "Davi" Vasquez vs Pau "Golias"

Voltando lá para a segunda-feira (09/04), o Hornets também jogou na New Orleans Arena, mas acabou perdendo. O duelo com o tradicional Los Angeles Lakers foi equilibradíssimo e decidido nos segundos finais. Os angelinos estavam sem o astro Kobe Bryant (lesão na canela esquerda), e os zangões não contaram com o ótimo Eric Gordon (dores na parte inferior das costas). Dentro de quadra, as grandes atuações do trio Greivis Vasquez (18 pontos e 11 assistências), Carl Landry (20 pontos e 11 rebotes) e Marco Belinelli (20 pontos) não foram suficientes para conter a dupla de garrafão mais poderosa da NBA. O ala-pivô espanhol Pau Gasol saiu de quadra com 25 pontos e 9 rebotes, enquanto o pivô Andrew Bynum conseguiu 18 pontos e 11 rebotes. Nada mal, não é mesmo? Apesar disso, foram dois arremessos certeiros – um do ala Metta World Peace, e outro do armador Ramon Sessions – da linha dos três pontos que definiram o confronto a favor dos visitantes. Fim de jogo: 93 para o Lakers, 91 para o Hornets. Perder por míseros dois pontinhos de diferença é sempre ruim. E para o Lakers é ainda pior, concordam? Mas tudo bem, não tem problema. O meu presente de aniversário não foi antecipado (por muito pouco!), mas acabou chegando no dia exato: 11 de abril. Portanto, eu não tenho do que me queixar. Obrigado, Hornets!

No vídeo abaixo, os highlights de Hornets vs Lakers:

Para terminar, vocês viram no parágrafo acima que o Eric Gordon se lesionou novamente. Ele sentiu um problema nas costas na partida do último sábado (07/04), contra o Minnesota Timberwolves, e acabou desfalcando o Hornets contra Lakers e Kings. Não parece ser nada sério, mas é muito chato ver o cara que deveria ser o nosso principal jogador não conseguindo ter uma sequência na temporada. Por falar nisso, o resultado parcial da nossa última enquete indica que apenas 2 pessoas (6.9%) acham que o Hornets seria um dos líderes do Oeste, caso o Gordon estivesse sempre saudável. Já 7 participantes (24.14%) acreditam que o time chegaria aos playoffs com dificuldade. A maioria absoluta – 17 votos (58.62%) – colocou o Hornets fora dos playoffs, mas com uma campanha bem melhor que a atual. E 3 ilustres companheiros (10.34%) determinaram que nada mudaria, mesmo com o Gordon comandando a equipe. No total, 29 votos foram computados (será que alguém votou mais de uma vez?). Bem, quem ainda não votou, é só clicar aqui. A enquete não tem data de término. Votem à vontade!

* JARRETT JACK: O armador titular do Hornets está fora do restante da temporada 2011-12 da NBA. Ele se encontra com uma fratura no pé direito causada por stress (leia-se excesso de esforço). E é a palavra ESFORÇO que define bem o que foi o Jack para os zangões nesse campeonato. Quem torce pelo time de New Orleans deve aplaudir de pé o JJ. Acertando ou errando, ele jogou duro todas as noites em que esteve em quadra. O comprometimento com a equipe e o espírito de liderança foram as marcas registradas dele. Valeu, Jack!

* JEROME DYSON: Com o afastamento do JJ, o Hornets contratou o armador Jerome Dyson por dez dias. Ele havia participado dos treinamentos de pré-temporada com o time, mas acabou dispensado pouco antes de o campeonato começar. Dyson, de 24 anos, estreou (na NBA) ontem, contra o Kings, e saiu de quadra com 3 pontos, 5 assistências, 3 rebotes e 1 roubo, em 23 minutos. Nada mal para um marinheiro de primeira viagem, hein?

* PERGUNTAR NÃO OFENDE: Alguém aí sabe por que o Gustavo Ayon tem jogado tão pouquinho? A franquia da Louisiana pretende continuar com ele, mas o mexicano quase não tem aparecido nos jogos. Dá para entender?

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SÍNTESE DA TEMPORADA

* Por Lucas Ottoni

As duas partidas mais recentes do New Orleans Hornets (9-30) na temporada 2011-12 da NBA não merecem muitos comentários, já que sintetizam exatamente o que tem sido o nosso time ao longo desse campeonato. Quer dizer, aconteceu aquilo que já estamos cansados de saber. Na segunda-feira (05/03), os zangões foram até Portland, jogaram mal, erraram muito e acabaram derrotados sem maiores problemas: 86 a 74 para o Blazers (19-20). De vez em quando, a nossa equipe entra em quadra apenas para cumprir o calendário e ir embora. Diante do rival do Oregon, foi exatamente isso o que aconteceu. Em um post recente que tivemos aqui no BH, eu dizia como o Hornets pode ser um oponente dos mais chatos para se derrotar, quando está afim de jogo. Algo que também foi escrito pelo blog Bola Presa, vocês sabem. Contudo, quando os zangões não estão focados na partida, se tornam presas fáceis. O Portland Trail Blazers conferiu isso de perto e se deu ao luxo de descansar vários titulares no último período, com o jogo totalmente sob controle.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Blazers)

Já na última quarta-feira (07/03), o Hornets resolveu novamente incorporar o espírito de time guerreiro e que não se dá por vencido. O jogo foi lá na Califórnia, contra o Sacramento Kings (13-26). Os zangões – sem Gustavo Ayon (pé esquerdo dolorido) – endureceram muito a vida dos Reis, que estavam sem o ala-pivô DeMarcus Cousins (problemas intestinais). A partida estava nas mãos da equipe da Louisiana, quando nos segundos finais… Olhem o que aconteceu no vídeo acima, pois eu simplesmente não consigo encontrar explicações para tamanha incompetência. A dupla Trevor Ariza / Marco Belinelli conseguiu a proeza de entregar um duelo ganho e fazer a alegria da torcida anfitriã! “Formidável”!

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Kings)

Pois é, esse episódio lamentável no fim do jogo lá em Sacramento também sintetiza o que é o time do Hornets nos momentos decisivos. Nessa temporada, os zangões já perderam inúmeras partidas nos minutos ou segundos finais, por total nervosismo, inexperiência, falta de talento ou mesmo por não terem um líder em quadra. Na derrota de 99 a 98 para o Kings, pudemos observar novamente essa desagradável característica da nossa amada equipe. Então, não há muito mais o que falar sobre esses dois joguinhos. Contra o Blazers, atuamos apenas por mera formalidade e perdemos facilmente. Já diante do Kings, lutamos com sangue, suor e lágrimas, para, no fim, jogarmos tudo na privada e soltarmos a descarga. São duas facetas desse nosso time, que já estamos mais carecas que o Jarrett Jack de saber.

Ah, e se serve de consolo, o pivô alemão Chris Kaman saiu com duplo-duplo nessas duas partidas. Sim, o Kaman, aquele mesmo, que o Hornets está desesperado para mandar para bem longe de New Orleans. Vá entender…


 FERROADAS

* BACK-TO-BACK: Hoje à noite (23h de Brasília) o New Orleans Hornets estará em Denver, para o duelo contra o Nuggets. Um dia depois, neste sábado, os zangões terão pela frente o Minnesota Timberwolves, lá em Minneapolis. A bola subirá às 22h (de Brasília). Duas partidas muito complicadas para nós. O Brazilian Hornet deve acompanhar ambas, via Twitter. Siga o BH e fique por dentro de tudo o que acontecerá em quadra.

* MURO DAS LAMENTAÇÕES: Após a inacreditável derrota para o Sacramento Kings, sobrou desânimo no vestiário do Hornets. O pivô Chris Kaman se viu obrigado a elogiar o saudoso ala-armador Marcus Thornton, que anotou 25 pontos contra a sua ex-equipe. Já o armador Greivis Vasquez e o técnico Monty Williams confessaram que o resultado foi muito frustrante. Mas quem melhor resumiu a noite foi o armador Jarrett Jack, que também marcou 25 pontos: “Nós jogamos bem o suficiente para perder“. É, foi perfeita a frase. Ela explica o porquê de o post de hoje ter saído meio “azedo”. Desculpem, amigos. Prometo que o próximo sairá melhor. E espero que o Ariza e o Belinelli também me ajudem. Abraços!

PERGUNTAS E RESPOSTAS # 2

O desempenho do técnico Monty Williams abre o nosso segundo debate

* Por Lucas Ottoni

Salve, amigos! Daqui a pouquinho, à meia-noite (de segunda para terça-feira, horário de Brasília), o nosso New Orleans Hornets (9-28) estará em quadra para o duelo contra o Portland Trail Blazers (18-19), no Rose Garden, Oregon. Porém, neste post aqui apresentaremos o segundo debate promovido pelo Brazilian Hornet. Para esta nova rodada de perguntas, eu convidei três amigos. São eles: Jardel Barros e Rodrigo Goulart, membros do blog New Orleans Hornets Brasil, e Léon Oliveira, forista da comunidade do Hornets no Orkut e grande fã do Chris Paul. Seis questões foram levantadas e devidamente debatidas. Eu aproveitei e também entrei neste debate. Peguem outra cervejinha e divirtam-se!

1 – Como você avalia o trabalho do técnico Monty Williams no comando do Hornets, durante esse 1 ano e meio?

Rodrigo Goulart: Para mim, está sendo muito bom. Apesar das invenções que ele faz em alguns jogos, eu creio que estamos no caminho certo. Só acho que o Monty tem que largar um pouco essa mentalidade exageradamente defensiva e pensar um pouco mais no ataque. O nosso time precisa melhorar muito a parte ofensiva, a gente percebe isso claramente nos jogos.

Léon Oliveira: Eu acho que ele vem fazendo um bom trabalho e tem se virado bem com as peças que possui à disposição. Eu só tenho uma ressalva em relação ao Monty Williams. É que ele olha muito para a defesa e pouco para o ataque. O ideal é buscar um equilíbrio, e nós ainda não conseguimos isso.

Jardel Barros: Temos que lembrar de como o Monty Williams chegou ao Hornets. Ele não tinha nenhuma experiência como treinador principal, assumiu uma equipe que estava sendo mal conduzida pelo seu antecessor (Jeff Bower) e ainda precisou lidar com um insatisfeito Chris Paul. Só que, desde a sua chegada, Monty conseguiu instituir a filosofia de jogo baseada em uma defesa forte e no coletivismo ofensivo. Precisamos reconhecer que ele foi muito bem sucedido, pois, desde então, a nossa defesa passou a ser considerada uma das melhores da NBA e se tornou o nosso principal diferencial competitivo. Se levarmos em consideração a média de pontos cedidos ao adversário, o trabalho defensivo do Monty é ainda mais visível. Na temporada passada, cedemos apenas 94 pontos em média para os nossos adversários, e isso significa que, nesse aspecto, fomos a melhor defesa da Conferência Oeste e a quinta melhor de toda a NBA! Nessa temporada, diminuímos essa média para 93.4 pontos. Quando ele assumiu o time, a média era de 102.7 pontos cedidos. Por isso, não há como contestar um treinador que, na minha opinião, possui uma mentalidade correta de basquete e conseguiu implantá-la a curto prazo.

Lucas Ottoni: O Monty vem realizando um excelente trabalho. Logo em sua primeira temporada como técnico, ele alcançou os playoffs com o Hornets, bateu o recorde de vitórias consecutivas da franquia (foram 10 seguidas, creio eu) e implantou uma mentalidade defensiva que vem dando certo. Além disso, os jogadores o respeitam e gostam dele. É claro que nem tudo é perfeito, e ele também comete os seus erros. Às vezes, eu não concordo com algumas das suas escalações e mudanças no time ao longo das partidas. Sem contar o fato de que a equipe do Hornets não tem apresentado um bom trabalho ofensivo. No entanto, o Monty é jovem (apenas 40 anos) e tem tudo para se tornar um dos grandes treinadores da NBA. É muito bom tê-lo conosco no comando dessa reconstrução do elenco.

2 – Que jogo do Hornets você destaca como o melhor nessa temporada, até o momento?

Rodrigo Goulart: Gostei muito do jogo recente que fizemos contra o Dallas Mavericks e também daquele contra o Boston Celtics, no início da temporada. A vitória de 97 a 92 diante do Dallas foi ainda melhor, por ser exatamente o Dallas (haha). Contra o Celtics, nós mostramos um jogo que fez a gente chegar a pensar: “Quem precisa de Chris Paul e David West? Jogamos bem demais”. Pena que isso não foi à frente...

Léon Oliveira: Para mim, foi Hornets vs Magic, lá no fim de janeiro. Nós simplesmente anulamos os “pedreiros” de Orlando. Vencemos por 93 a 67, foi um massacre! No time deles, só o Dwight Howard mesmo é que jogou bem. O cara é imparável.

Jardel Barros: Eu destaco a nossa vitória diante do Boston Celtics, pela segunda rodada da temporada regular. O resultado de 97 a 78 mostrou que tudo deu certo para nós e que tudo deu errado para o Celtics. O nosso time inteiro foi muito bem naquele jogo, e já sem o Eric Gordon. Aquela vitória representou uma esperança de que a temporada poderia ser boa, apesar das saídas de Chris Paul e David West. Só que essa esperança – por motivos extra-quadra – não se concretizou no decorrer do campeonato. Infelizmente, é claro.

Lucas Ottoni: Na minha modesta opinião, não há outra que não a nossa vitória sobre o New York Knicks, em pleno Madison Square Garden, no último dia 17 de fevereiro. O Hornets foi quem acabou com a invencibilidade da tal “Linsanity”, ao derrotar o Knicks por 89 a 85. O ginásio estava lotado, os caras vinham de sete vitórias consecutivas e todo mundo achava que o Hornets seria a próxima vítima do Jeremy Lin. Nesse jogo, os zangões surpreenderam muita gente. Foi a nossa vitória mais emblemática na temporada, até o momento.

3 – E que jogo do Hornets você destaca como o pior nessa temporada, até o momento?

Rodrigo Goulart: Eu me lembro que tivemos uma derrota em casa para o Phoenix Suns, por 120 a 103, no início do mês passado. E também teve aquela paulada de mais de 20 pontos (90 a 67) que sofremos diante do Chicago Bulls. Parece que nós nem entramos em quadra naquele jogo contra o Chicago, foi horrível. E contra o Suns, o nosso time teve um quarto período tenebroso. Então, eu destaco esses dois jogos.

Léon Oliveira: O nosso pior jogo foi aquele contra o Chicago Bulls, em que perdemos por 90 a 67. Nós jogamos em casa e fomos muito mal naquela noite. Nada deu certo, e o time não se encontrou em quadra, as bolas simplesmente não caíam. Tomamos um verdadeiro baile de Boozer e cia. e ainda vimos o Derrick Rose descansar no banco de reservas durante boa parte do jogo. Aquilo foi terrível.

Jardel Barros: Acredito que os jogos do mês de janeiro e da primeira metade de fevereiro foram aqueles que marcaram o período mais difícil para o time no campeonato. Tivemos muitos problemas, as lesões em jogadores importantes, o afastamento do Chris Kaman, etc. Nesse período, eu destaco a derrota de 94 a 72 para o Atlanta Hawks, em 29 de janeiro. O nosso desempenho foi muito ruim naquele jogo. Aquilo resumiu bem a bagunça em que a franquia estava mergulhada. Depois, o time foi ganhando uma nova forma e melhorando, com Vasquez, Belinelli, Ariza, Ayon e Kaman atuando como titulares.

Lucas Ottoni: Nós tivemos um jogo horrível contra o Chicago Bulls, em New Orleans, no dia 08 de fevereiro. Teve um outro muito ruim diante do Toronto Raptors, na semana passada. E os nossos dois últimos, contra Indiana Pacers e Portland Trail Blazers (esse jogo acabou agora há pouco), também não foram nem um pouco legais. Mas eu vou destacar a derrota para o Bulls mesmo. Os caras vieram na nossa casa e nos sacudiram: 90 a 67. Foi um negócio muito feio aquilo.

4 – O pivô Chris Kaman vem jogando muito bem e conseguindo duplos-duplos em quase todas as partidas. Diante desse panorama, você acha que ele deve ser trocado?

Rodrigo Goulart: Eu acho que sou o mais contra essa troca. Tínhamos é que trocar o senhor Emeka Okafor, simples assim. E o motivo, todos nós já sabemos. Emeka está há quase três anos no Hornets e mostrou muito pouco, de lá para cá. É um bom defensor, mas, embora tenha melhorado no ataque ultimamente, não tem a mesma qualidade do Kaman. O alemão é mais jogador que o Okafor. Por isso, eu o manteria no nosso time.

Léon Oliveira: Eu não acho que o Kaman deveria ser trocado. Ele, saudável e motivado, é All-Star. Mas como o Monty Williams prefere defesa ao ataque, o Kaman deve sair e o Okafor ficar. Acho que, em termos de pivô, nós sairemos perdendo demais com isso.

Jardel Barros: Precisamos analisar a situação do Kaman em dois aspectos distintos: o técnico e o financeiro. Pelo ponto de vista técnico, Kaman está obtendo bons resultados ofensivos de modo a cobrir com qualidade a lacuna aberta com a saída do David West. No entanto, defensivamente ele é um jogador que precisa evoluir, pois ainda permite muitos pontos fáceis ao adversário e acaba comprometendo o trabalho defensivo implantado pelo Monty Williams. Por isso, apesar de sua limitação ofensiva, o Emeka Okafor cumpre uma função tática fundamental dentro do esquema do nosso treinador. A pergunta central aí é a seguinte: devemos optar pelo talento ofensivo do Kaman e abrir mão da filosofia defensiva que está dando certo? Bem, o ideal seria manter Kaman e Okafor, mas, financeiramente, isso é inviável. Ambos ganharão cerca de U$ 25 milhões esse ano, ou seja, quase a metade de toda a folha de pagamento da equipe. Pagar esse valor a dois jogadores é algo surreal. Aí, vem uma outra pergunta: o que é mais fácil? Trocar um Okafor sem talento ofensivo e com um contrato mais longo, ou um Kaman, que é mais talentoso e tem um contrato expirante? Portanto, o mais provável é que o alemão seja trocado. Eu acho inevitável que isso aconteça.

Lucas Ottoni: Olha, é importante saber o que a franquia pretende com essa possível troca envolvendo o Kaman. O objetivo é cortar gastos e conseguir escolha(s) no draft? É obter jovens jogadores, mais baratos e promissores? Ou o Hornets pretende receber em troca um outro grande jogador? Nós ainda não sabemos, então é difícil dizer se a saída do Kaman será boa ou ruim. Então, vamos trabalhar com o que temos em mãos, isto é, o desempenho do alemão. O fato é que o Kaman vem jogando muitíssimo bem, e eu quero sempre os melhores jogadores no meu time. Mas é fato também que o Hornets não conduziu bem o caso do alemão, ao afastá-lo e depois reintegrá-lo ao elenco. Faltou habilidade para lidar com o jogador, creio eu. Diante disso, eu vejo que a chance de ele pensar na possibilidade de renovar o seu vínculo com a franquia é nula. Portanto, a única saída é a negociação até o dia 15 de março. Caso contrário, perderemos um excelente jogador no fim da temporada (ele é expirante) e não receberemos nada em troca. Isso seria lamentável, pois, apesar do alto salário (cerca de U$ 14 milhões / ano), o alemão é o melhor pivô que já passou pelo Hornets, desde a saída de Tyson Chandler.

5 – Recentemente, o pivô Andrew Bynum (Los Angeles Lakers) declarou em uma entrevista que não tem a menor intenção de jogar em New Orleans, caso se torne agente livre. Na sua opinião, foi correta a atitude desse jogador?

Rodrigo Goulart: Para mim, é um jogador que, se jogasse em outro time, não teria o nome que tem hoje. Não consigo gostar tanto do Bynum. Acho que, do mesmo jeito que ele não tem a intenção de jogar em New Orleans, o Hornets não iria querer ele também. Aliás, um recadinho para o Bynum… Chris Paul mandou um abraço, ok?

Léon Oliveira: Enquanto não tivermos um dono, eu acho que não é nenhum absurdo o Bynum pensar assim. Tudo em New Orleans é muito estranho, a franquia é muito bagunçada, e um grande jogador não gosta de atuar em um time sem dono e com ambições modestas. Mas, se Deus quiser, teremos um dono em pouco tempo, e aí as glórias virão.

Jardel Barros: Eu acredito que o jogador profissional é um trabalhador e possui o direito de expressar as suas opiniões laborais. Apesar de deselegante e – por se tratar de um jogador do Los Angeles (grande mercado) Lakers – arrogante, o atleta precisa defender os interesses de sua carreira. Por mais que torçamos pelo Hornets, precisamos reconhecer que somos uma franquia intermediária. Então, vamos nos colocar na posição do Bynum: sair de uma franquia bem estruturada, rica, localizada em um lugar com grande visibilidade da mídia e competitiva esportivamente, para uma outra pobre, desestruturada, sem visibilidade e pouco competitiva, seria uma regressão em sua carreira. E o que o Bynum fez foi defender os seus interesses, apesar de, por vezes, usar declarações impopulares.

Lucas Ottoni: Eu creio que o Bynum, provavelmente, respondeu ao questionamento de algum repórter sobre New Orleans. Eu não acho que ele iria falar o que falou de forma premeditada, tipo: “eu vou aproveitar que tem um microfone aqui e vou dizer a todo mundo que eu acho o Hornets horrível e que eu nunca jogarei lá”. Não foi por aí. Ele apenas respondeu o que perguntaram a ele. Contudo, eu acho que é pouco inteligente um jogador profissional falar coisas desse tipo, ainda mais em se tratando de um jogador da NBA. Todo mundo sabe que o mundo da NBA é totalmente imprevisível. Hoje, você está jogando com a camiseta de uma cidade, e, no dia seguinte, pode estar dentro de um avião se mudando para outra. Portanto, não é muito conveniente o cara “fechar portas” sobre algo em que ele simplesmente não tem o controle.

6 – O Hornets deve ter um novo dono muito em breve. E, ao que tudo indica, permanecerá em New Orleans. Você acredita que, acontecendo isso, a franquia conseguirá atrair grandes jogadores e formar um time para ser campeão?

Rodrigo Goulart: Eu espero que consiga atrair. Quando tínhamos um dono, montamos um time que poderia ter sido campeão (2007-08). O Carl Landry falou que renova o seu contrato, se tivermos um dono e colocarmos as coisas no lugar. O David West saiu depois de dizer que a franquia era uma zona. O contrato dele é de duas temporadas com o Pacers, e ele até poderia voltar. Quem sabe? É assim que as coisas começam, com um dono disposto a investir e com picks altas no draft. Fazendo um bom draft, renovando com o Eric Gordon, trocando Kaman ou Okafor, eu acho que estaremos no caminho certo.

Léon Oliveira: Eu, como torcedor, espero que os All-Stars olhem com mais “carinho” para o Hornets e tenham algum interesse de jogar em New Orleans. Mas sei que a nossa realidade é outra, e acho que o nosso All-Star virá do draft. Essa é a nossa saída, no momento. Depois, no futuro, a gente pensa em voos mais altos. Antes de sonharmos com título, ainda temos muita coisa para arrumar. Começando por um dono.

Jardel Barros: Absolutamente não. A permanência do Hornets em New Orleans ratificará o nosso papel de franquia intermediária por muitos anos, a não ser que aconteça o mesmo que aconteceu com o San Antonio Spurs: uma geração de jogadores leais, altruístas, uma organização bem alinhada, uma filosofia de jogo bem definida, uma liderança forte e um bom trabalho de draft e desenvolvimento de talentos. Atualmente, jogadores altruístas são algo em extinção. Vivemos tempos em que os grandes jogadores se unem para “fundar clubinhos” com amigos talentosos. E a questão da Louisiana é muito delicada, é um mercado estagnado, principalmente após a tragédia do Furacão Katrina. Como a NBA é um negócio, isso se aplica diretamente à franquia da cidade. Portanto, uma cidade que não cresce e é considerada apenas intermediária no panorama nacional obterá um time apenas intermediário. Uma cidade como essa tem espaço para apenas uma equipe grande. E essa equipe é o New Orleans Saints (da NFL).

Lucas Ottoni: A obtenção de um novo dono é absolutamente vital para o Hornets. Esse é o primeiro ponto, pois tiraria a franquia das mãos da NBA e nos daria autonomia novamente, além de evitar futuras críticas e “choradeiras” de sujeitos como o Mark Cuban. O segundo ponto é o quanto esse novo dono estaria disposto a investir na formação de um time vencedor, que possa atrair o público local e a mídia também. E o terceiro ponto – e não menos importante – é a organização, o planejamento e a estrutura da franquia, pois não adianta você gastar dinheiro de forma mal planejada, correto? Nesse sentido, eu me espelho no modelo do San Antonio Spurs. É uma franquia vencedora e está dentro de um mercado que pode ser considerado intermediário. Então, qual é o segredo deles? Estrutura, planejamento, desenvolvimento, organização e um punhado de sorte também. Eles conseguiram uma estrela como o Tim Duncan e fizeram todos os movimentos corretos para formar um time vencedor em torno do cara. Sempre encontram os jogadores ideais nos drafts (mesmo na xepa), sempre desenvolvem jogadores para o futuro e estão sempre colhendo bons frutos. Cada movimento do Spurs tem um propósito, parece que eles estão um passo à frente de muitas outras franquias. E eu acho que o Hornets deveria tentar seguir esse modelo. Aí, a formação de um time campeão será mera consequência, algo que vem a reboque.

Pronto, finalizamos o segundo debate no Brazilian Hornet. Eu aproveito para deixar os meus agradecimentos aos bravos Jardel, Rodrigo e Léon. Vocês abrilhantaram este nosso post! E espero que os leitores tenham gostado. Quem quiser discordar de alguma coisa que foi escrita, ou mesmo expor as suas próprias opiniões, é só escrever aí embaixo, nos comentários. Seria uma bela maneira de prolongarmos um pouquinho estes assuntos abordados. Até o próximo debate!


 FERROADAS

* HORNETS @ KINGS: Os zangões voltarão à quadra, à meia-noite de quarta para quinta-feira, 08/03 (horário de Brasília). O adversário é a equipe de Sacramento, e o duelo acontecerá no Power Balance Pavilion, na Califórnia. O Brazilian Hornet deve acompanhar, via Twitter. Siga o BH e fique por dentro de tudo o que acontecerá ao longo da partida. Ah, e eu não esqueci do joguinho de ontem, contra o Blazers. Falarei sobre ele no nosso próximo post, que irá ao ar após o duelo com os Reis. Se liga, Monty…

UMA SEMANA DE DERROTAS

Jarrett Jack parece meio perdidão, diante da forte marcação do Chicago Bulls

* Por Lucas Ottoni

Olá, amigos. Eu sei que a paralisação forçada do Brazilian Hornet durou mais que o esperado, mas é que cirurgia no joelho é uma coisa chata, muito chata. Os primeiros dias do período pós-cirúrgico são extremamente complicados. Até para tomar um simples banho é preciso um esforço enorme. E tem a fisioterapia, os remédios, as posições para sentar e dormir, etc, etc, etc. Devido a toda essa situação, o blog ficou meio às moscas por mais de uma semana. Peço sinceras desculpas ao pessoal que sempre vem aqui à procura de novos posts e informações sobre o New Orleans Hornets. Contudo, aos poucos, nós estaremos voltando à nossa rotina normal. E por falar em rotina, os zangões seguem tomando traulitadas na temporada 2011-12 da NBA. Desde que o BH deu essa parada, o nosso time jogou cinco partidas e perdeu todas elas. Como não dá para falar sobre cada um desses jogos, eu vou analisar de uma maneira geral esse momento terrível pelo qual passa a franquia da Louisiana.

Com as cinco últimas derrotas (já são sete consecutivas), o Hornets segue isoladíssimo na lanterna da forte Conferência Oeste. A campanha 4-22 é absolutamente trágica para uma equipe que iniciou a temporada com duas vitórias e depois desaprendeu a ganhar jogos. Muitos fatores levaram a esse panorama que observamos hoje. A inexperiência de alguns jogadores, a falta de entrosamento, as limitações técnicas, as contusões (alô, Eric Gordon! Como vai você?), alguns equívocos do treinador, a ausência de um proprietário para a franquia, e por aí vai. São coisas que já estamos cansados de saber. A conclusão de tudo isso (embora seja duro admitir) parece ser bem clara: nossa temporada foi para o ralo, para o beleléu. O momento é de esquecer os playoffs (chance zero) e aproveitar os jogos para colocar a molecada em quadra e desenvolver os nossos talentos em potencial (com destaque para os latinos Gustavo Ayon e Greivis Vasquez). Pelo menos, é o que eu penso. Acho que esse tem que ser o foco, a partir de agora.

Jason Smith, na derrota para o Pistons

Eu sei também que muita gente vai me cobrar uma posição em relação ao draft de 2012. Eu fui um dos que defendiam que o Hornets precisava dar o máximo nos jogos e buscar os playoffs, vocês sabem. No entanto, do jeito que as coisas caminham (muito mal), diante de todos esses acontecimentos (dentro e fora de quadra), fica impossível não pensar em nomes valiosos, como Anthony Davis, Harrison Barnes, Michael Kidd-Gilchrist, Jeremy Lamb, Jared Sullinger, Andre Drummond, etc. Eu não pretendo discorrer sobre esses moleques talentosos agora, mas confesso que já enxergo todos eles com bonés do Hornets no próximo draft, lá em junho. E isso, infelizmente, acabou acontecendo mais cedo do que eu pensava. Afinal, ainda estamos no início de fevereiro. Mas, com o que temos visto em quadra, fica simplesmente impossível ignorar essa possibilidade do draft. Impossível.

Na noite em que eu fui para o hospital, madrugada do dia 01 para o dia 02 de fevereiro, o Hornets levou um 120 a 103 do Phoenix Suns, em plena New Orleans Arena. Um dia depois, derrota no Texas para o San Antonio Spurs, que fez 93 a 81. No dia 04, em Michigan, foi o Detroit Pistons quem nos superou, por apenas dois pontinhos: 89 a 87. Voltando para casa, mais dois tropeços: 100 a 92, para o Sacramento Kings, e o último, ontem, uma surra sofrida para o forte Chicago Bulls: 90 a 67. Péssimos resultados, sem a menor sombra de dúvida. Durante esse período, a equipe penou com novos problemas de contusão (Jarrett Jack, Jason Smith e Carl Landry), trouxe o pivô Chris Kaman e o ala-pivô Lance Thomas de volta, dispensou o armador Carldell “Squeaky” Johnson e o ala DaJuan Summers e contratou (por dez dias) o armador Donald Sloan, ex-Atlanta Hawks. Quer dizer, muitas mexidas, muitas indefinições e nenhuma excelente notícia (embora o Kaman seja um bom jogador). Dá para entender, então, o porquê dessas derrotas, não é mesmo?

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Se tivemos algo de bom nesses últimos jogos, ele atende pelo nome de Greivis Vasquez. O armador venezuelano tem jogado bem e vem mostrando evolução a cada partida. Embora tenha dificuldades defensivas, o seu talento é inegável. Gosto bastante desse jogador, e acho que encontramos um PG reserva interessante para os próximos anos. No vídeo abaixo, confiram alguns belos lances do Vasquez, em um jogo da semana passada, contra o Phoenix Suns:

Ah, e amanhã (10/02) o Hornets voltará à quadra. Jogo difícil, diante do Portland Trail Blazers, na New Orleans Arena. A bola subirá às 23h (de Brasília), e não acompanharemos pelo Twitter. Fica para a próxima.

* New Orleans Hornets Brasil: a prévia do jogo

OBS: As votações para os quintetos do All-Star Game foram encerradas, e o Hornets não teve representantes escolhidos para o evento. Os técnicos ainda irão definir os reservas, mas eu não acredito que tenhamos algum jogador nosso selecionado. Paciência.

Vou terminar este post por aqui. Hoje não teremos a sessão Ferroadas, pois não há nada muito relevante para se destacar. Dizer que o Eric Gordon permanece no estaleiro não chega a ser novidade para ninguém, não é mesmo? Pois é…

ANO NOVO, VELHAS DEFICIÊNCIAS

Chamem o Copperfield! Que invertam-se os uniformes!

* Por Lucas Ottoni

Primeiramente, o Brazilian Hornet inicia 2012 desejando um grande ano para os nossos leitores, parceiros e amigos comentaristas. Que todos nós tenhamos muitos motivos para comemorar daqui para frente. Aliás, o que não se deve comemorar é a nova péssima atuação do New Orleans Hornets (2-2). Na última madrugada, os zangões abriram o Ano Novo com um resultado daqueles, para deixar qualquer um de ressaca. A derrota, por 96 a 80, para o Sacramento Kings, na Califórnia, expôs velhos defeitos que o torcedor do Hornets que acompanha a equipe já conhece há algum tempo. E, como não poderia deixar de ser, eu vou apresentar novamente dados alarmantes, que podem explicar (em teoria) o nosso segundo revés na temporada 2011-12 da NBA. Olhem para isso:

– Arremessos da linhas dos 3 pontos: 0-15. De novo: 0-15. Quer dizer, 15 “chutes” e NENHUM, eu escrevi NENHUM, acerto. Um time com um aproveitamento (?) desses não pode vencer jogo algum, concordam?

– Free Throw (os lances livres): 8-16. Nossos jogadores foram 16 vezes para a linha de lances livres e converteram apenas metade dos arremessos. Um aproveitamento terrível de 50%. Isso é, no mínimo, decepcionante.

– Field Goal (os tiros de quadra): 36-89. Um percentual de acertos de apenas 40.4%. Se levarmos em conta o percentual do jogo anterior, contra o Suns, que foi de 28.9% (26-90), podemos até “comemorar” esse 36-89, não é mesmo?

Tyreke Evans foi o cestinha do jogo

Diante desses números e estatísticas, eu bato na mesma tecla: como nós poderemos vencer os jogos? Isso é uma questão que o técnico Monty Williams e os jogadores precisam resolver de qualquer jeito. Não há time (e nem torcedor) que resista a percentuais tão baixos. E o pior de tudo: não teremos, sequer, tempo para tentar corrigir minimamente essas deficiências. Estamos no nosso primeiro back-to-back da temporada, isto é, sequência de jogos em dias seguidos, e voltaremos à quadra, daqui a pouco, à meia-noite (de Brasília) de hoje para amanhã (03/01), quando iremos encarar o Utah Jazz (1-3), na EnergySolutions Arena, em Salt Lake City. O que podemos esperar dessa partida? Do jeito que as coisas andam, superação é tudo o que pedimos. Nada mais.

* New Orleans Hornets Brasil: a prévia do jogo (contra o Jazz)

Voltemos à derrota para o Sacramento Kings. O placar de 96 a 80 pode sugerir que os californianos dominaram a partida do início ao fim, certo? Errado. Por incrível que possa parecer, o Hornets foi para o intervalo vencendo o duelo por 40 a 38 (um placar baixo). No entanto, a coisa desandou na etapa final, e os zangões tomaram um 58 a 40, com direito a show dos alas-armadores Tyreke Evans, 27 pontos (cestinha do jogo), e Marcus Thornton (lembram dele?), 25. Como aconteceu diversas vezes na temporada passada (ainda com Chris Paul e David West), o Hornets sofreu um apagão após o intervalo, viu o adversário abrir vantagem e não conseguiu esboçar reação. É psicológico? É emocional? Eu sei lá! O que eu posso garantir, é que essa é uma velha deficiência que o bom técnico Monty Williams ainda não conseguiu corrigir. Outros velhos problemas? Vamos lá. Os inúmeros erros de ataque (e a marcação do Kings nem foi tão boa assim! Pegamos trocentos rebotes ofensivos e não aproveitamos!) e os lapsos na defesa. Às vezes, os zangões se perdem completamente na partida, e o sistema defensivo do Monty vaza que nem coador de café. Só com muito trabalho, esses defeitos serão minimizados.  Os percentuais dos últimos dois jogos e os apagões constantes são inadmissíveis. Não podem ser aceitos com naturalidade. Estamos falando de NBA, não é qualquer campeonato de fundo de quintal!

Trevor Ariza teve uma boa atuação, apesar da derrota em Sacramento

Para terminar, vamos falar sobre deficiência técnica. Eu li comentários de algumas pessoas dizendo que a nossa excelente vitória sobre o Boston Celtics, na última quarta-feira, foi algo atípico, e que a nossa realidade é a das derrotas terríveis para Phoenix Suns e Sacramento Kings. Eu discordo, pois acho que o Hornets é bem melhor do que isso que apresentou nos dois últimos jogos. Pode não ser tão bom para fazer o que fez contra o Celtics, mas não é tão ruim a ponto de ficar tomando 15, 16 pontos de diferença em todas as noites. Claro que os zangões têm suas deficiências técnicas evidentes. Por exemplo, o Jarrett Jack é um jogador de altos e baixos, não é um armador consistente o suficiente para ser titular de uma equipe da NBA. Aliás, a exibição dele contra o Kings foi tenebrosa! Outro jogador que não pode ter papel de protagonista em uma equipe da NBA é o ala-armador italiano Marco Belinelli. Sua inconsistência ofensiva é terrível e comprometedora. Seus aproveitamentos de FG (3-12) e 3 pontos (0-7) contra o Kings são inaceitáveis. Ficou 35 minutos em quadra e anotou apenas 6 pontos. Um horror! Já na linha de lances livres, as limitações do ala Trevor Ariza e do pivô Emeka Okafor são claríssimas e, igualmente, comprometedoras. Aí estão alguns exemplos de deficiências técnicas do nosso time. Agora, eu lhes pergunto: quem não as tem? Existe time perfeito? Pois então, o fato é que, mesmo com seus problemas, o Hornets não pode continuar entregando os jogos da forma como entregou os dois últimos. Ponto.

No vídeo abaixo, alguns highlights da derrota dos zangões:

Vai uma dica: deem uma olhada nesse excelente quadro do blog Hornets247 (em inglês) analisando e graduando individualmente cada jogador dos zangões, após a derrota para o Kings. Muito interessante.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida

Aos pessimistas de plantão, vale lembrar que o Hornets tem atuado sem o seu principal pontuador. O nosso SG de 20 pontos por jogo, Eric Gordon, segue lesionado no joelho direito e também não enfrentará o Utah Jazz. Tire o Joe Johnson do Hawks. Tire o Ray Allen do Celtics. Tire o Dwight Howard do Magic. Tire o Kobe Bryant do Lakers. Melhor parar por aí, né?

Enfim, isso é tudo. Mais uma derrota feia, 2-2. No entanto, eu sigo convicto de que não temos um time tão ruim. Mesmo com as velhas deficiências, estamos em 2012! A esperança é a última que morre!

* Veja o pós-jogo do blog New Orleans Hornets Brasil

OBS: E o DeMarcus Cousins, hein? Tudo isso é medo de encarar o Hornets? Brincadeiras à parte, esse rapaz é muito talentoso. Pena que a cabecinha dele teima em não ajudá-lo.


 FERROADAS

* DISPENSADO: O ala Lance Thomas não faz mais parte do elenco do New Orleans  Hornets. O ex-jogador da Universidade de Duke apareceu em dois jogos da temporada regular pelos zangões, com média de 0,5 ponto. Agora, a nossa equipe conta com 14 atletas. E boa sorte para o Lance, em sua carreira.

* ESTREANTE: O ala-pivô mexicano Gustavo Ayon entrou em quadra, finalmente, com uma camiseta do Hornets. Ele atuou nos 2 últimos minutos da partida contra o Kings, que já estava definida, e terminou zerado em todos os fundamentos. Espero que, aos poucos, o Ayon vá se adaptando aos zangões e à NBA. É uma aposta para o futuro.