O ASSASSINATO DOS ZANGÕES

* Por Lucas Ottoni

Sexta-feira, 13 de abril de 2012. A compra do New Orleans Hornets pelo bilionário Tom Benson encheu os fãs dos zangões de otimismo em relação ao futuro da nossa amada equipe. De lá para cá, as notícias têm sido as melhores possíveis: a franquia permanecerá na Louisiana, a New Orleans Arena será remodelada, o NBA All-Star Weekend de 2014 acontecerá na cidade, haverá investimento na montagem de um time forte e competitivo, etc. Uau! O futuro tende a ser muitíssimo promissor, não é mesmo? Agora, pegue essas magníficas notícias e imagine que a franquia Hornets não estará viva a tempo de desfrutá-las… É isso mesmo, meus amigos. Junto com o Tom Benson e o seu pacote de promessas veio a ideia de mudar o nome, a logomarca e as cores dos zangões! O famoso rebrand, como eles gostam de dizer lá nos EUA. E o pior: os torcedores locais, lá de New Orleans, apoiam esse plano com um tremendo entusiasmo e já planejam nomes, logos e uniformes para o “novo time” que surgirá na terra do jazz (no nosso post anterior, vocês viram algumas dessas “belezinhas”). A justificativa para o tal rebrand é a seguinte: o Benson – que agora é o “rei da cocada preta” – não gosta do nome “HORNETS” e quer um que tenha mais a ver com a cidade de New Orleans. Pensamentos desse tipo me levam a uma constatação bastante entristecedora: é inacreditável que alguns donos de franquias da NBA ainda enxerguem as suas equipes como algo meramente local. Eles restringem os seus próprios negócios e não entendem que possuem em mãos uma coisa que desperta paixões em fãs do mundo inteiro. O Hornets é uma equipe de dimensão internacional, e é absolutamente lamentável que o Tom Benson não enxergue isso. Essa visão simplória e obtusa acabará sendo a responsável pelo assassinato dos zangões!

Mensagem deixada pelos fãs italianos

Eu não vou usar este post para ficar contando a longa caminhada que eu tenho como um fã internacional do Hornets (quem tiver interesse, é só clicar aqui), mas é importante destacar que esse time não nasceu ontem. Já são quase duas décadas e meia de estrada, sendo que a franquia está na Louisiana há praticamente dez anos. E dez anos não são dez dias. Antes de pensar em acabar com tudo o que me fez seguir essa equipe, a história deveria ser considerada. Até onde eu sei, além do Brasil, o Hornets possui fãs em países como Austrália, Itália, Argentina, Suíça, China, Portugal, Espanha, México e Alemanha. E deve haver muitos outros espalhados pelo globo. Fãs de longa data, fãs que sempre foram Hornets e que sempre acompanharam o time ao longo dos anos, estivesse ele em Charlotte ou em New Orleans. Fãs que pagam League Pass, que encomendam camisetas e outros produtos oficiais, que juntam dinheiro para viajar e ver os jogos nos EUA, ou que simplesmente viram noites torcendo na frente da TV ou do computador. E agora querem arrancar isso de nós. Querem assassinar uma das nossas paixões sob a alegação estapafúrdia de que o Hornets nada tem a ver com New Orleans. Como não tem? E os quase dez anos em que as cores dos zangões honraram essa cidade? Isso não conta? E o fato de o nome “JAZZ” ter tudo a ver com New Orleans? Evitou que a franquia se transferisse para Utah nos longínquos anos 70 e por lá permanecesse até hoje? Pois é…

* Veja aqui o texto do blog New Orleans Hornets Brasil sobre o rebrand

Eu poderia ficar aqui citando outros exemplos que tornariam essa ideia de rebrand uma tremenda babaquice, me desculpem o termo. Mas de que adiantaria? Pelo visto, o Tom Benson está realmente determinado a mudar o nome do nosso time, e eu acho que a NBA não fará grande oposição a isso. Pode ser dentro de um ano, dois anos, sei lá… Mas parece que irá mesmo acontecer. Com os zangões sumindo de New Orleans, levanta-se a hipótese de que o Charlotte Bobcats – franquia que  definitivamente não emplacou – possa adotar o nome “HORNETS“. Aí teríamos de novo o Charlotte Hornets, não é uma beleza? Mas espere aí… Isso realmente seria o verdadeiro Hornets? Ou seria o Bobcats fantasiado de Hornets? Onde estaria a nossa história? Em Charlotte, com o “novo” Hornets, ou lá em New Orleans? Já pensaram nisso? Você, que é fã de longa data dos zangões, torceria por um Bobcats disfarçado de Hornets?

* Clique aqui e confira um texto interessante do blog Hornets247 (em inglês)

Uma dúvida cruel: Bobcats ou Hornets?

Desde que o Tom Benson comprou a franquia (em uma sugestiva Sexta-Feira 13) e disse que iria mudar o nome do time (que tal New Orleans Jasons ou New Orleans Blackcats?), esse assunto de rebrand ganhou uma repercussão enorme no mundo inteiro. A grande maioria dos torcedores internacionais do Hornets (e eu me incluo aí) não gostou nem um pouquinho da ideia e certamente vai se posicionar (ou já se posicionou) das mais diversas formas, caso o rebrand realmente se concretize. Teremos aqueles fãs mais radicais, que passarão a torcer por uma outra equipe da NBA ou que simplesmente deixarão de acompanhar a liga. Haverá também os que “voltarão” a torcer para o Charlotte Hornets, se o Bobcats resolver “se disfarçar”. E, por fim, vai ter gente que seguirá torcendo pela equipe de New Orleans, não importa que nome ou cores a franquia adote. E vocês? Em qual grupo vocês se encaixam?

* Vote nas enquetes do blog New Orleans Hornets Brasil!

Bem, eu confesso que andei pensando em todas essas situações. No início, eu fiquei indignado e estava no grupo dos radicais: “se acabarem com o Hornets, a NBA morreu para mim!”. Depois, procurei um paliativo e passei para a turma dos “BobHornets”, mas sem muita convicção. O fato é que eu ainda não havia tomado uma decisão concreta e não sabia o que fazer em relação ao provável fim do meu amado time. É simplesmente difícil imaginar que o Hornets pode sumir do mapa ou aparecer em uma outra equipe que, no fundo, não é o verdadeiro Hornets. Por que as coisas têm de ser assim? Ah, Tom Benson… Então, após muito refletir, eu acabei tomando a minha decisão (provisória): CURTIR OS ZANGÕES ENQUANTO ELES EXISTIREM E EVITAR FALAR SOBRE REBRAND, ATÉ QUE O ASSASSINATO ESTEJA CONSUMADO. Eu deixei de pensar no fim e passei a pensar no legado. E olhando por esse ângulo, eu percebi que a história do Hornets não morrerá. Eu olho para Larry Johnson, Alonzo Mourning, Muggsy Bogues, Dell Curry, Glen Rice, Vlade Divac, Eddie Jones, Paul Silas, Baron Davis, Jamal Mashburn, PJ Brown, David West, Byron Scott, Chris Paul… Isso é o que fica. Então, vamos apenas seguir em frente. É o melhor a se fazer no momento, acreditem.

OBSHoje não teremos a sessão Ferroadas e nem falaremos sobre os últimos jogos do Hornets, fato que acontecerá no nosso próximo post.

Anúncios

BRINCANDO DE “FAZ DE CONTA”

Jarrett Jack derrota Vince Carter e o Mavs. Ué, teve outro jogo?

* Por Lucas Ottoni

Olá, caros amigos. O nosso querido Hornets acaba de sair de mais um back-to-back, com ambos os jogos sendo disputados na New Orleans Arena. Na sexta-feira (02/03), o time conseguiu uma excelente vitória sobre o atual campeão da NBA, o Dallas Mavericks (22-16), por 97 a 92. Um resultado expressivo e animador, não é mesmo? Ok, mas não se animem, que lá vem a tijolada! Ontem, os zangões fizeram um jogo horrível e perderam facilmente para o Indiana Pacers (23-12), que vem de seis triunfos consecutivos. Sim, os visitantes deitaram os cabelos: 102 a 84. Esse jogo foi tão ruim, mas tão ruim, que a vontade que dá é de apagar ele do calendário, brincar de “faz de conta” e fingir que ele nunca existiu. É a nossa velha e conhecida gangorra, que nos coloca lá em cima para depois nos mandar lá para baixo. Aliás, é lá embaixo que nós estamos mesmo. Depois desses dois jogos, o Hornets segue na lanterna da Conferência Oeste, com uma campanha 9-28. Mas falemos de coisas boas…

Após o ótimo triunfo sobre o Mavs, eu fiquei que nem um maluco procurando notícias sobre essa partida. Afinal, os zangões derrotaram ninguém menos que o atual campeão da liga e rival de divisão (Sudoeste). O engraçado é que, nos EUA, há uma certa rivalidade entre as duas equipes, principalmente depois da surra que Chris Paul e cia. aplicaram nos texanos na primeira fase dos playoffs de 2008: um sonoro 4 a 1. O fato é que os torcedores do Hornets não gostam nem um pouco do Dallas Mavericks e não fazem a menor questão de esconder isso. Mas voltando à minha busca desenfreada por notícias acerca do jogo, eu encontrei algo muito interessante no excelente blog nacional Bola Presa. Eles escreveram sobre o quanto o Hornets pode ser um adversário indigesto para qualquer um (quando quer). Olhem só:

Outra equipe que complica a vida de qualquer um, mesmo fedendo, é o Hornets. Já faz um bom tempo que qualquer jogo do Hornets é brigado, sofrido e suado mesmo que acabem tomando uma surra nos 2 minutos finais de alguns jogos. Times ruins que se acham bons, como o Wizards, só tomam porrada. Times bons que se acham ruins não possuem confiança pra nada e acabam tomando porrada. Mas o Hornets é um dos raros times que são ruins, sabem que são ruins, e não acham que isso vai impedí-los de jogar basquete. Pessoalmente sou muito fã de jogadores ruins que sabem que são ruins, como o Chuck Hayes, por exemplo, porque eles dão a vida em quadra e acabam sendo muito úteis. O Hornets é inteiro assim e quem bobear contra eles sai não apenas com a derrota, mas também com a humilhação de perder para um dos piores elencos dos últimos anos“.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Mavs)

Chris Kaman superou Dirk Nowitzki

Uau… Como torcedor do Hornets, eu não sei se me sinto lisonjeado ou desiludido. Ok, brincadeiras à parte, o pessoal do Bola Presa destacou algo que eu já vinha escrevendo por aqui há algum tempinho: o Hornets é um time batalhador, que se entrega bastante e complica mesmo a vida dos rivais. Isso, quando quer. Raríssimos foram os jogos em que os bravos zangões saíram de quadra atropelados. Normalmente, a equipe da Louisiana realiza duros combates e vende caro as suas derrotas. Por outro lado, as críticas (sempre bem humoradas, diga-se de passagem) do Bola Presa quanto à qualidade do nosso elenco procedem em parte. Estamos muito longe de ter um esquadrão de grandes craques, isso é verdade. Mas há de se levar em conta que o Hornets é um time destruído pelas lesões e nunca – eu disse NUNCA – conseguiu ter todos os seus principais jogadores à disposição para um joguinho sequer nessa atual temporada. Querem a lista dos que estão contundidos hoje? Vamos lá: Eric Gordon, Trevor Ariza, Emeka Okafor, Jason Smith e Carl Landry. Sendo que o Gordon, que veio para ser o astro da companhia, atuou em apenas duas partidas. Portanto, eu creio que não dá para medir com exatidão a qualidade do elenco do New Orleans Hornets. Alguém aí duvida? Ok, então tirem os dois ou três principais jogadores do Miami Heat e vejam o que o timaço deles fará em quadra…

Certo, mas voltemos a Hornets vs Mavericks e ao Bola Presa, que falou rapidamente sobre a vitória dos zangões (97 a 92) diante da turma de Dallas. Confiram:

Ontem foi a vez do Mavs descobrir essa assustadora verdade. Nowitzki teve problemas o jogo todo, o Mavs está sem Lamar Odom que tem quatrocentos problemas pessoais e agora talvez jogue na D-League para recuperar o ritmo depois de tantas paradas, e o jogo chegou no último quarto com o Mavs atrás no placar. Em geral é nessa hora que o Hornets começa a fazer merda e foi exatamente o que aconteceu, Roddy Beaubois aproveitou as falhas e acelerou o jogo, terminou a partida com 25 pontos e 4 roubos, e encostou o placar. Mas aí o Jarrett Jack mostrou que não tem medo de ser ruim e venceu o jogo num arremesso certeiro. Chris Kaman também está jogando muito desde que voltou de contusão, dessa vez foram 20 pontos e 13 rebotes contra um Mavs que ainda não sabe como compensar a falta de marcação individual no miolo do garrafão. São agora 4 derrotas seguidas para o Mavs, mas essa vale por quarenta“.

Ok, tirando a parte do “mas essa vale por quarenta” (pegaram pesado demais), o texto exprime exatamente o que foi o jogo da última sexta-feira: um Mavericks com uma série de problemas perdendo para um Hornets guerreiro, que compensa as suas limitações e desfalques com muita vontade e personalidade. Bravíssimo! Então, satisfeito da vida, eu posso parar este post por aqui…

David West? Isso não aconteceu...

É, amigos. Eu adoraria que o post tivesse realmente acabado, mas pensei e resolvi não continuar com essa brincadeira do “faz de conta”, em respeito aos nossos poucos mas preciosos leitores. Sim, vocês já sabem. Ontem, o Hornets jogou (?) contra o Pacers e levou uma surra de 102 a 84. Ah, e poderia ter sido de muito mais, se os visitantes não tivessem poupado os titulares no último período, tamanha foi a facilidade com que derrotaram os zangões. O nosso time foi horrível durante quase todo o jogo e simplesmente aceitou a derrota “fazendo beicinho”. Aquilo foi uma das piores coisas que eu já vi dentro de uma quadra de basquete. É por isso que eu disse mais acima: o Hornets complica a vida dos adversários QUANDO QUER. Pois quando não quer, é algo terrível de se ver. Nem quero mais falar sobre isso. A cara de desânimo do Jarrett Jack no banco de reservas no fim da partida disse tudo (vocês viram?). Foi um jogo que simplesmente não precisava ter existido. Vamos fazer de conta que não aconteceu? Ok!

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Pacers)

Ah, só para não deixar de fazer o registro: o ala-pivô David West, hoje no Pacers, pisou na New Orleans Arena pela primeira vez como um ex-Hornets e recebeu aplausos do público (ok, algumas vaias também). É o reconhecimento pelos anos de bons serviços prestados. Como forma de “retribuição”, ele brindou os espectadores com um duplo-duplo: 14 pontos e 13 rebotes. Pois é, mesmo estando do outro lado, alguém precisava praticar um pouco de basquete. Já que o Hornets não apareceu para jogar na noite de ontem…

E hoje não tem vídeo e nem a sessão Ferroadas. O ferrão está na lanternagem, após o vexame diante do Pacers. Um ótimo domingão a todos!

E SEGUE O CALVÁRIO…

A fisionomia do Marco Belinelli diz tudo: o Hornets não sabe como vencer os jogos

* Por Lucas Ottoni

Ninguém pode dizer que o time do New Orleans Hornets não está batalhando com todas as suas forças dentro de quadra. Os jogadores lutam, se sacrificam e até mostram união e vibração durante as partidas, mesmo com os resultados ruins ocorrendo em sequência, uma noite após a outra. O fato é que nada vem dando certo para os zangões, nesse momento. Além dos desfalques (estou olhando para você, Eric Gordon), a equipe vem mostrando uma série de limitações em seu jogo (tanto coletivas, quanto individuais) e não tem conseguido buscar as vitórias. Alguns jogadores vivem uma péssima fase, não estão rendendo o que podem, e isso vem se refletindo na nossa campanha: 3 -12 (com 1 triunfo e 12 derrotas, nos últimos 13 jogos!). Nesta madrugada, fomos ao Toyota Center e fizemos uma partida equilibradíssima com o Houston Rockets (8-7). Levamos para a prorrogação e chegamos a estar vencendo, por 88 a 83, com menos de 2 minutos no relógio. Entretanto, sofremos a virada, e os donos da casa festejaram: 90 a 88. Na noite anterior, outro tropeço. Dessa vez, foi o Memphis Grizzlies (7-6) quem nos superou, dentro da New Orleans Arena: 93 a 87. Quer dizer, mais um back-to-back terrível. E segue o calvário…

No vídeo abaixo, os highlights da derrota sofrida na prorrogação:

Das 66 partidas dessa temporada regular, 15 já foram disputadas. Vamos voltar no tempo e relembrar rapidamente a caminhada do Hornets até aqui: começamos o campeonato com duas vitórias (uau!), e depois perdemos seis partidas consecutivas. Aí, vencemos o Denver Nuggets e, em seguida, acabamos de perder mais seis jogos.  Se der a lógica sequencial, venceremos a próxima peleja, diante do campeão Dallas Mavericks, em New Orleans. Ok, claro que isso é bobagem. Mas o que eu quero dizer é que, em todos esses duelos, eu não me lembro de ter visto o Hornets sofrer sequer uma derrota acachapante, humilhante. E olhem que eu assisti a 14 desses 15 jogos! Vi um time lutador, vibrante, que não desiste. Um time que sofreu poucos pontos na maioria dessas partidas, que vendeu caro muitas dessas derrotas. Os adversários tiveram que correr para nos arrancar os resultados positivos. Sim, eu estou olhando para tudo o que nos aconteceu até o momento e procurando analisar isso por um prisma otimista. Só que as vitórias não estão vindo, a falta de qualidade do nosso elenco (principalmente no ataque) começa a saltar aos olhos e todo o esforço em quadra não tem sido suficiente. E segue o calvário…

Derrota dolorosa de um time brigador

Não vou me alongar sobre essas derrotas para Grizzlies e Rockets, pois os motivos que as ocasionaram são, basicamente, os mesmos de sempre: erros infantis no ataque, desentrosamento, imaturidade, falta de uma referência nos momentos decisivos, aproveitamentos baixíssimos em determinados fundamentos, e por aí vai. O Hornets tem um time brigador e valente, disso eu não tenho a menor dúvida. Contudo, ainda me parece um pouco inseguro, em busca de um rumo dentro do campeonato. Estamos lutando contra as nossas limitações em quase todas as noites, estamos procurando descobrir meios de melhorar e acertar dentro das próprias partidas. Também vale lembrar que, dos 15 atletas que compõem o nosso roster, nove chegaram há apenas dois meses (ou menos). Não temos uma equipe pronta, entendem? E a NBA é uma liga onde só os elencos prontos, “cascudos”, conseguem se sobressair. Times em formação, geralmente, sofrem bastante. E o técnico Monty Williams (eu continuo fã desse cara!) sabe muito bem disso. Ele parece buscar algo (um padrão para a sua equipe) que ele ainda não sabe direito como encontrar. A gente tem visto muitas mudanças na rotação, substituições que não surtem o efeito desejado (algumas vezes, na hora errada), mexidas aqui e ali que acabam prejudicando o entrosamento do time, e até apostas salvadoras que não se concretizam. O fato é que o nosso treinador demonstra que ainda está descobrindo essa equipe, e como tirar o melhor dela. O Kaio Kleinhans, do blog Hornets Brasil, uma vez escreveu que tudo isso faz parte de um processo (e eu concordo totalmente). Os zangões perderam as suas referências de anos (estou olhando para vocês, Chris Paul e David West) e começam um novo trabalho, com pouquíssimo tempo de preparação. E todo mundo sabia que não seria fácil. Estamos aprendendo na base da pancada, em meio aos jogos mesmo. É uma oportunidade de crescer, de ganhar maturidade (como time), e isso é bom. Por outro lado, as derrotas acabam se sucedendo. É o preço a ser pago. E segue o calvário…

Ariza retornou contra o Grizzlies

Não estou aqui para crucificar os nossos jogadores (quando eu os critico, é no calor das partidas) e nem, tampouco, o trabalho do técnico Monty Williams. Como o amigo Kaio disse, isso é um processo. E estamos no início dessa nova caminhada. Tudo o que está acontecendo – embora eu pense que já podíamos ter melhorado em alguns aspectos do jogo, como o setor ofensivo – faz parte desse processo. Uma campanha 3-12 obviamente é muito ruim, mas o nosso time não tem jogado tão mal e não tem sido vencido com tanta facilidade assim, apesar de suas limitações técnicas. Falta qualidade, falta entrosamento e até um pouco de padrão, concordo. Mas estamos iniciando um trabalho, e eu acho legal nos segurarmos naquilo que temos mostrado de bom (a luta, a garra, a vontade, a união e, sobretudo, a defesa sólida). Eu sei que isso não é o suficiente, mas é um começo. No dia em que conseguirmos nos acertar e descobrirmos o jeito de buscar vitórias com mais frequência (e eu acredito que isso acontecerá ainda nessa temporada), começaremos a perceber que o início doloroso já apresentará alguns resultados compensadores. E seguindo nessa linha, a tendência é crescer com o passar do tempo. Aliás, por falar nisso, ainda há 51 jogos pela frente. Provavelmente, sofreremos mais um pouco, faz parte do processo. E o calvário seguirá…

* Box Score (com vídeos): contra o Grizzlies / contra o Rockets

Ah, mas um dia nós vamos pegar ele (o tal calvário), encará-lo de frente (como o time já vem fazendo) e bloqueá-lo, no melhor estilo Emeka Okafor! Brincadeiras à parte, o mau momento não vai durar para sempre. Principalmente, quando o trabalho é sério (estou olhando para você, Monty Williams). Por isso, eu continuo otimista e confiando na evolução dessa jovem equipe do New Orleans Hornets. Pode demorar um pouco, e a gente ainda vai ver aqueles problemas e defeitos em quadra. Mas não se desanime agora: algo muito bom está a caminho. Eu acredito. E você?


 FERROADAS

* HORNETS VS MAVERICKS: Os zangões voltarão à quadra, neste sábado (21/01), às 23h (de Brasília). O adversário é o forte Dallas (atual campeão da NBA), e o duelo acontecerá na New Orleans Arena. O Brazilian Hornet só será atualizado no domingo (22/01), e nós não acompanharemos a partida, via Twitter. Tenham um bom fim de semana!

* CONTINUE VOTANDO…: A eleição dos quintetos do Oeste e do Leste para o All-Star Game 2012 segue firme e forte. Clique aqui e dê aquela força aos jogadores do Hornets!

ALGUMAS FOTOS PARA CURTIR

1988-89: a primeira logo da história do Hornets

* Por Lucas Ottoni

A surra aplicada no Celtics é passado. O New Orleans Hornets já entrará em quadra, daqui a pouco, às 23h (de Brasília), para enfrentar (novamente) o Phoenix Suns, na New Orleans Arena. O Suns, você sabe, foi o primeiro adversário dos zangões na temporada 2011-12 da NBA. E o resultado, você também sabe, foi uma vitória suada do nosso time, em pleno Arizona. Enquanto a bola não sobe na Louisiana, eu separei umas fotografias legais e resolvi postar aqui no Brazilian Hornet. Catei algumas imagens “jurássicas” dos tempos de Charlotte Hornets (lembra?), tem Kobe Bryant, “Grandmama”, David West, Monty Williams, etc. Curte aí (é só clicar)…

OBS: O BH estará mandando informações do jogo de logo mais, contra o Phoenix Suns, via Twitter. Quem não puder assistir à partida, nos acompanhe!


 FERROADAS

* ERIC GORDON POUPADO: Sentindo leves dores no joelho direito, o nosso SG titular continuará fora do time e não entrará em quadra, hoje, contra o Suns. A decisão foi do técnico Monty Williams, que teme que a lesão de Gordon possa se agravar. Se o Hornets vencer, o técnico será bestial. Se o Hornets tropeçar, ele será uma besta. Brincadeiras à parte, é melhor perder o Gordon por mais um jogo, do que não tê-lo por semanas. Um pouco de precaução não faz mal.

* MAL DAS PERNAS: O Phoenix Suns, nosso rival de logo mais, vem de duas derrotas em casa (uma delas para o Hornets), nessa temporada. Anote aí: há 15 anos (!), o Suns não sabia o que era iniciar uma campanha com 0-2, na NBA. A maré é das piores para o time do Arizona, mas respeitar é sempre de bom grado. Esse tipo de jogo é perigoso, e os zangões não podem vacilar.

* New Orleans Hornets Brasil: a prévia do jogo

* REFORÇO E DESFALQUE: O Suns contratou o Michael Redd, ala-armador campeão olímpico e ex-All-Star, conhecido por seus arremessos precisos e suas lesões brutais nos joelhos. O cara é uma aposta de risco, pois vem jogando pouquíssimo nos últimos anos, por conta de seus problemas físicos. Ele não estará em quadra contra o Hornets, daqui a pouco.

* AGORA É SEM ACENTO: Gustavo Ayón virou Ayon. Eu vinha escrevendo o sobrenome dele com acento agudo no O, que é o correto. Entretanto, nos EUA esse acento passa batido, ninguém quer saber dele. A partir de agora, o Brazilian Hornet apresenta o sr. Gustavo Ayon. Seja bem-vindo! Ah, o Ayon joga logo mais? Não faço a menor ideia. Se alguém souber, me avise. Esse lance de visto já está virando novela mexicana.

NEW ORLEANS POR INDIANÁPOLIS

Não há imagem melhor do que essa para retratar o grande David West

* Por Lucas Ottoni

David West não é mais jogador do Hornets. Eu levei apenas cinco segundos para escrever essa frase, muitíssimo menos tempo que os oito anos em que esse cara honrou a camiseta dos zangões e se tornou um ídolo para os torcedores da equipe da Louisiana. Recrutado na 18ª escolha do draft de  2003, West é o tipo de jogador que veste literalmente a camisa, que sofre a cada derrota, que compra briga pelos companheiros e que dá as melhores entrevistas, pois é de uma sinceridade ímpar. E, fora de quadra, sempre me passou a impressão de ser uma pessoa serena, tranquila, que nunca fez questão de aparecer para as câmeras. E some-se a tudo isso o fato de ele ser um excelente jogador de basquete. Quantos e quantos jogos ele já decidiu a favor do Hornets? Foram inúmeros. West nunca fugiu da responsabilidade de ter que definir a última jogada, sempre foi o cara em que o Chris Paul olhava para o lado e sabia que podia contar. Enfim, fez uma história que jamais será apagada em New Orleans.

O sonho de ver ele atuar somente no Hornets e encerrar sua carreira para ter a camiseta de número 30 aposentada em grande estilo chegou ao fim. D-West, que tem 31 anos de idade, se tornou agente livre após a última temporada e resolveu se transferir para o Indiana Pacers, assinando um contrato de U$ 20 milhões por 2 anos. Eu não vou julgar a escolha do nosso ex-ala-pivô, que poderia ter retornado ao Hornets. E nem me interessa analisar o elenco do Pacers após a chegada dele. Por tudo o que ele representou para o nosso time e pelas madrugadas de alegria que tive com suas cestas e jogadas ao longo desses anos, eu só posso agradecer e desejar boa sorte.

David West, duas vezes All-Star (2008 e 2009), encerra a sua passagem pelo Hornets tendo realizado 530 partidas com a camiseta dos zangões (apenas Dell Curry e Muggsy Bogues, já aposentados, atuaram mais que ele pela equipe). Também é o segundo maior cestinha da história da franquia, com 8.690 pontos (Dell Curry, com 9.839, é o primeiro), e o segundo maior reboteiro, com 3.853 rebotes (PJ Brown, também aposentado, lidera, com 4.203). Se permanecesse em New Orleans, West provavelmente quebraria todos esses recordes. Mas quem disse que a vida é um conto de fadas? Não é. Ele abriu mão de tudo isso para buscar aquilo que julgou melhor para si e sua família. Contudo, o D-West do Hornets é eterno, esse nunca sairá de nossas memórias. Esse daqui é o nosso grande David West! Para todo o sempre…

OBS: As informações contidas no parágrafo anterior, eu peguei do site Basketball-Reference.com. Quem estiver interessado em outros números e estatísticas do David West, é só clicar aqui.


 FERROADAS

* SERÁ QUE FECHA?: Parece que a troca do Chris Paul para o Los Angeles Clippers vai mesmo sair. As duas franquias ainda negociam o que o Hornets receberá pelo armador. Atletas como Eric Bledsoe, Eric Gordon e Chris Kaman estão na pauta. Vamos ver se, dessa vez, a NBA não mela a brincadeira, né?