SÍNTESE DA TEMPORADA

* Por Lucas Ottoni

As duas partidas mais recentes do New Orleans Hornets (9-30) na temporada 2011-12 da NBA não merecem muitos comentários, já que sintetizam exatamente o que tem sido o nosso time ao longo desse campeonato. Quer dizer, aconteceu aquilo que já estamos cansados de saber. Na segunda-feira (05/03), os zangões foram até Portland, jogaram mal, erraram muito e acabaram derrotados sem maiores problemas: 86 a 74 para o Blazers (19-20). De vez em quando, a nossa equipe entra em quadra apenas para cumprir o calendário e ir embora. Diante do rival do Oregon, foi exatamente isso o que aconteceu. Em um post recente que tivemos aqui no BH, eu dizia como o Hornets pode ser um oponente dos mais chatos para se derrotar, quando está afim de jogo. Algo que também foi escrito pelo blog Bola Presa, vocês sabem. Contudo, quando os zangões não estão focados na partida, se tornam presas fáceis. O Portland Trail Blazers conferiu isso de perto e se deu ao luxo de descansar vários titulares no último período, com o jogo totalmente sob controle.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Blazers)

Já na última quarta-feira (07/03), o Hornets resolveu novamente incorporar o espírito de time guerreiro e que não se dá por vencido. O jogo foi lá na Califórnia, contra o Sacramento Kings (13-26). Os zangões – sem Gustavo Ayon (pé esquerdo dolorido) – endureceram muito a vida dos Reis, que estavam sem o ala-pivô DeMarcus Cousins (problemas intestinais). A partida estava nas mãos da equipe da Louisiana, quando nos segundos finais… Olhem o que aconteceu no vídeo acima, pois eu simplesmente não consigo encontrar explicações para tamanha incompetência. A dupla Trevor Ariza / Marco Belinelli conseguiu a proeza de entregar um duelo ganho e fazer a alegria da torcida anfitriã! “Formidável”!

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Kings)

Pois é, esse episódio lamentável no fim do jogo lá em Sacramento também sintetiza o que é o time do Hornets nos momentos decisivos. Nessa temporada, os zangões já perderam inúmeras partidas nos minutos ou segundos finais, por total nervosismo, inexperiência, falta de talento ou mesmo por não terem um líder em quadra. Na derrota de 99 a 98 para o Kings, pudemos observar novamente essa desagradável característica da nossa amada equipe. Então, não há muito mais o que falar sobre esses dois joguinhos. Contra o Blazers, atuamos apenas por mera formalidade e perdemos facilmente. Já diante do Kings, lutamos com sangue, suor e lágrimas, para, no fim, jogarmos tudo na privada e soltarmos a descarga. São duas facetas desse nosso time, que já estamos mais carecas que o Jarrett Jack de saber.

Ah, e se serve de consolo, o pivô alemão Chris Kaman saiu com duplo-duplo nessas duas partidas. Sim, o Kaman, aquele mesmo, que o Hornets está desesperado para mandar para bem longe de New Orleans. Vá entender…


 FERROADAS

* BACK-TO-BACK: Hoje à noite (23h de Brasília) o New Orleans Hornets estará em Denver, para o duelo contra o Nuggets. Um dia depois, neste sábado, os zangões terão pela frente o Minnesota Timberwolves, lá em Minneapolis. A bola subirá às 22h (de Brasília). Duas partidas muito complicadas para nós. O Brazilian Hornet deve acompanhar ambas, via Twitter. Siga o BH e fique por dentro de tudo o que acontecerá em quadra.

* MURO DAS LAMENTAÇÕES: Após a inacreditável derrota para o Sacramento Kings, sobrou desânimo no vestiário do Hornets. O pivô Chris Kaman se viu obrigado a elogiar o saudoso ala-armador Marcus Thornton, que anotou 25 pontos contra a sua ex-equipe. Já o armador Greivis Vasquez e o técnico Monty Williams confessaram que o resultado foi muito frustrante. Mas quem melhor resumiu a noite foi o armador Jarrett Jack, que também marcou 25 pontos: “Nós jogamos bem o suficiente para perder“. É, foi perfeita a frase. Ela explica o porquê de o post de hoje ter saído meio “azedo”. Desculpem, amigos. Prometo que o próximo sairá melhor. E espero que o Ariza e o Belinelli também me ajudem. Abraços!

Anúncios

PERGUNTAS E RESPOSTAS # 2

O desempenho do técnico Monty Williams abre o nosso segundo debate

* Por Lucas Ottoni

Salve, amigos! Daqui a pouquinho, à meia-noite (de segunda para terça-feira, horário de Brasília), o nosso New Orleans Hornets (9-28) estará em quadra para o duelo contra o Portland Trail Blazers (18-19), no Rose Garden, Oregon. Porém, neste post aqui apresentaremos o segundo debate promovido pelo Brazilian Hornet. Para esta nova rodada de perguntas, eu convidei três amigos. São eles: Jardel Barros e Rodrigo Goulart, membros do blog New Orleans Hornets Brasil, e Léon Oliveira, forista da comunidade do Hornets no Orkut e grande fã do Chris Paul. Seis questões foram levantadas e devidamente debatidas. Eu aproveitei e também entrei neste debate. Peguem outra cervejinha e divirtam-se!

1 – Como você avalia o trabalho do técnico Monty Williams no comando do Hornets, durante esse 1 ano e meio?

Rodrigo Goulart: Para mim, está sendo muito bom. Apesar das invenções que ele faz em alguns jogos, eu creio que estamos no caminho certo. Só acho que o Monty tem que largar um pouco essa mentalidade exageradamente defensiva e pensar um pouco mais no ataque. O nosso time precisa melhorar muito a parte ofensiva, a gente percebe isso claramente nos jogos.

Léon Oliveira: Eu acho que ele vem fazendo um bom trabalho e tem se virado bem com as peças que possui à disposição. Eu só tenho uma ressalva em relação ao Monty Williams. É que ele olha muito para a defesa e pouco para o ataque. O ideal é buscar um equilíbrio, e nós ainda não conseguimos isso.

Jardel Barros: Temos que lembrar de como o Monty Williams chegou ao Hornets. Ele não tinha nenhuma experiência como treinador principal, assumiu uma equipe que estava sendo mal conduzida pelo seu antecessor (Jeff Bower) e ainda precisou lidar com um insatisfeito Chris Paul. Só que, desde a sua chegada, Monty conseguiu instituir a filosofia de jogo baseada em uma defesa forte e no coletivismo ofensivo. Precisamos reconhecer que ele foi muito bem sucedido, pois, desde então, a nossa defesa passou a ser considerada uma das melhores da NBA e se tornou o nosso principal diferencial competitivo. Se levarmos em consideração a média de pontos cedidos ao adversário, o trabalho defensivo do Monty é ainda mais visível. Na temporada passada, cedemos apenas 94 pontos em média para os nossos adversários, e isso significa que, nesse aspecto, fomos a melhor defesa da Conferência Oeste e a quinta melhor de toda a NBA! Nessa temporada, diminuímos essa média para 93.4 pontos. Quando ele assumiu o time, a média era de 102.7 pontos cedidos. Por isso, não há como contestar um treinador que, na minha opinião, possui uma mentalidade correta de basquete e conseguiu implantá-la a curto prazo.

Lucas Ottoni: O Monty vem realizando um excelente trabalho. Logo em sua primeira temporada como técnico, ele alcançou os playoffs com o Hornets, bateu o recorde de vitórias consecutivas da franquia (foram 10 seguidas, creio eu) e implantou uma mentalidade defensiva que vem dando certo. Além disso, os jogadores o respeitam e gostam dele. É claro que nem tudo é perfeito, e ele também comete os seus erros. Às vezes, eu não concordo com algumas das suas escalações e mudanças no time ao longo das partidas. Sem contar o fato de que a equipe do Hornets não tem apresentado um bom trabalho ofensivo. No entanto, o Monty é jovem (apenas 40 anos) e tem tudo para se tornar um dos grandes treinadores da NBA. É muito bom tê-lo conosco no comando dessa reconstrução do elenco.

2 – Que jogo do Hornets você destaca como o melhor nessa temporada, até o momento?

Rodrigo Goulart: Gostei muito do jogo recente que fizemos contra o Dallas Mavericks e também daquele contra o Boston Celtics, no início da temporada. A vitória de 97 a 92 diante do Dallas foi ainda melhor, por ser exatamente o Dallas (haha). Contra o Celtics, nós mostramos um jogo que fez a gente chegar a pensar: “Quem precisa de Chris Paul e David West? Jogamos bem demais”. Pena que isso não foi à frente...

Léon Oliveira: Para mim, foi Hornets vs Magic, lá no fim de janeiro. Nós simplesmente anulamos os “pedreiros” de Orlando. Vencemos por 93 a 67, foi um massacre! No time deles, só o Dwight Howard mesmo é que jogou bem. O cara é imparável.

Jardel Barros: Eu destaco a nossa vitória diante do Boston Celtics, pela segunda rodada da temporada regular. O resultado de 97 a 78 mostrou que tudo deu certo para nós e que tudo deu errado para o Celtics. O nosso time inteiro foi muito bem naquele jogo, e já sem o Eric Gordon. Aquela vitória representou uma esperança de que a temporada poderia ser boa, apesar das saídas de Chris Paul e David West. Só que essa esperança – por motivos extra-quadra – não se concretizou no decorrer do campeonato. Infelizmente, é claro.

Lucas Ottoni: Na minha modesta opinião, não há outra que não a nossa vitória sobre o New York Knicks, em pleno Madison Square Garden, no último dia 17 de fevereiro. O Hornets foi quem acabou com a invencibilidade da tal “Linsanity”, ao derrotar o Knicks por 89 a 85. O ginásio estava lotado, os caras vinham de sete vitórias consecutivas e todo mundo achava que o Hornets seria a próxima vítima do Jeremy Lin. Nesse jogo, os zangões surpreenderam muita gente. Foi a nossa vitória mais emblemática na temporada, até o momento.

3 – E que jogo do Hornets você destaca como o pior nessa temporada, até o momento?

Rodrigo Goulart: Eu me lembro que tivemos uma derrota em casa para o Phoenix Suns, por 120 a 103, no início do mês passado. E também teve aquela paulada de mais de 20 pontos (90 a 67) que sofremos diante do Chicago Bulls. Parece que nós nem entramos em quadra naquele jogo contra o Chicago, foi horrível. E contra o Suns, o nosso time teve um quarto período tenebroso. Então, eu destaco esses dois jogos.

Léon Oliveira: O nosso pior jogo foi aquele contra o Chicago Bulls, em que perdemos por 90 a 67. Nós jogamos em casa e fomos muito mal naquela noite. Nada deu certo, e o time não se encontrou em quadra, as bolas simplesmente não caíam. Tomamos um verdadeiro baile de Boozer e cia. e ainda vimos o Derrick Rose descansar no banco de reservas durante boa parte do jogo. Aquilo foi terrível.

Jardel Barros: Acredito que os jogos do mês de janeiro e da primeira metade de fevereiro foram aqueles que marcaram o período mais difícil para o time no campeonato. Tivemos muitos problemas, as lesões em jogadores importantes, o afastamento do Chris Kaman, etc. Nesse período, eu destaco a derrota de 94 a 72 para o Atlanta Hawks, em 29 de janeiro. O nosso desempenho foi muito ruim naquele jogo. Aquilo resumiu bem a bagunça em que a franquia estava mergulhada. Depois, o time foi ganhando uma nova forma e melhorando, com Vasquez, Belinelli, Ariza, Ayon e Kaman atuando como titulares.

Lucas Ottoni: Nós tivemos um jogo horrível contra o Chicago Bulls, em New Orleans, no dia 08 de fevereiro. Teve um outro muito ruim diante do Toronto Raptors, na semana passada. E os nossos dois últimos, contra Indiana Pacers e Portland Trail Blazers (esse jogo acabou agora há pouco), também não foram nem um pouco legais. Mas eu vou destacar a derrota para o Bulls mesmo. Os caras vieram na nossa casa e nos sacudiram: 90 a 67. Foi um negócio muito feio aquilo.

4 – O pivô Chris Kaman vem jogando muito bem e conseguindo duplos-duplos em quase todas as partidas. Diante desse panorama, você acha que ele deve ser trocado?

Rodrigo Goulart: Eu acho que sou o mais contra essa troca. Tínhamos é que trocar o senhor Emeka Okafor, simples assim. E o motivo, todos nós já sabemos. Emeka está há quase três anos no Hornets e mostrou muito pouco, de lá para cá. É um bom defensor, mas, embora tenha melhorado no ataque ultimamente, não tem a mesma qualidade do Kaman. O alemão é mais jogador que o Okafor. Por isso, eu o manteria no nosso time.

Léon Oliveira: Eu não acho que o Kaman deveria ser trocado. Ele, saudável e motivado, é All-Star. Mas como o Monty Williams prefere defesa ao ataque, o Kaman deve sair e o Okafor ficar. Acho que, em termos de pivô, nós sairemos perdendo demais com isso.

Jardel Barros: Precisamos analisar a situação do Kaman em dois aspectos distintos: o técnico e o financeiro. Pelo ponto de vista técnico, Kaman está obtendo bons resultados ofensivos de modo a cobrir com qualidade a lacuna aberta com a saída do David West. No entanto, defensivamente ele é um jogador que precisa evoluir, pois ainda permite muitos pontos fáceis ao adversário e acaba comprometendo o trabalho defensivo implantado pelo Monty Williams. Por isso, apesar de sua limitação ofensiva, o Emeka Okafor cumpre uma função tática fundamental dentro do esquema do nosso treinador. A pergunta central aí é a seguinte: devemos optar pelo talento ofensivo do Kaman e abrir mão da filosofia defensiva que está dando certo? Bem, o ideal seria manter Kaman e Okafor, mas, financeiramente, isso é inviável. Ambos ganharão cerca de U$ 25 milhões esse ano, ou seja, quase a metade de toda a folha de pagamento da equipe. Pagar esse valor a dois jogadores é algo surreal. Aí, vem uma outra pergunta: o que é mais fácil? Trocar um Okafor sem talento ofensivo e com um contrato mais longo, ou um Kaman, que é mais talentoso e tem um contrato expirante? Portanto, o mais provável é que o alemão seja trocado. Eu acho inevitável que isso aconteça.

Lucas Ottoni: Olha, é importante saber o que a franquia pretende com essa possível troca envolvendo o Kaman. O objetivo é cortar gastos e conseguir escolha(s) no draft? É obter jovens jogadores, mais baratos e promissores? Ou o Hornets pretende receber em troca um outro grande jogador? Nós ainda não sabemos, então é difícil dizer se a saída do Kaman será boa ou ruim. Então, vamos trabalhar com o que temos em mãos, isto é, o desempenho do alemão. O fato é que o Kaman vem jogando muitíssimo bem, e eu quero sempre os melhores jogadores no meu time. Mas é fato também que o Hornets não conduziu bem o caso do alemão, ao afastá-lo e depois reintegrá-lo ao elenco. Faltou habilidade para lidar com o jogador, creio eu. Diante disso, eu vejo que a chance de ele pensar na possibilidade de renovar o seu vínculo com a franquia é nula. Portanto, a única saída é a negociação até o dia 15 de março. Caso contrário, perderemos um excelente jogador no fim da temporada (ele é expirante) e não receberemos nada em troca. Isso seria lamentável, pois, apesar do alto salário (cerca de U$ 14 milhões / ano), o alemão é o melhor pivô que já passou pelo Hornets, desde a saída de Tyson Chandler.

5 – Recentemente, o pivô Andrew Bynum (Los Angeles Lakers) declarou em uma entrevista que não tem a menor intenção de jogar em New Orleans, caso se torne agente livre. Na sua opinião, foi correta a atitude desse jogador?

Rodrigo Goulart: Para mim, é um jogador que, se jogasse em outro time, não teria o nome que tem hoje. Não consigo gostar tanto do Bynum. Acho que, do mesmo jeito que ele não tem a intenção de jogar em New Orleans, o Hornets não iria querer ele também. Aliás, um recadinho para o Bynum… Chris Paul mandou um abraço, ok?

Léon Oliveira: Enquanto não tivermos um dono, eu acho que não é nenhum absurdo o Bynum pensar assim. Tudo em New Orleans é muito estranho, a franquia é muito bagunçada, e um grande jogador não gosta de atuar em um time sem dono e com ambições modestas. Mas, se Deus quiser, teremos um dono em pouco tempo, e aí as glórias virão.

Jardel Barros: Eu acredito que o jogador profissional é um trabalhador e possui o direito de expressar as suas opiniões laborais. Apesar de deselegante e – por se tratar de um jogador do Los Angeles (grande mercado) Lakers – arrogante, o atleta precisa defender os interesses de sua carreira. Por mais que torçamos pelo Hornets, precisamos reconhecer que somos uma franquia intermediária. Então, vamos nos colocar na posição do Bynum: sair de uma franquia bem estruturada, rica, localizada em um lugar com grande visibilidade da mídia e competitiva esportivamente, para uma outra pobre, desestruturada, sem visibilidade e pouco competitiva, seria uma regressão em sua carreira. E o que o Bynum fez foi defender os seus interesses, apesar de, por vezes, usar declarações impopulares.

Lucas Ottoni: Eu creio que o Bynum, provavelmente, respondeu ao questionamento de algum repórter sobre New Orleans. Eu não acho que ele iria falar o que falou de forma premeditada, tipo: “eu vou aproveitar que tem um microfone aqui e vou dizer a todo mundo que eu acho o Hornets horrível e que eu nunca jogarei lá”. Não foi por aí. Ele apenas respondeu o que perguntaram a ele. Contudo, eu acho que é pouco inteligente um jogador profissional falar coisas desse tipo, ainda mais em se tratando de um jogador da NBA. Todo mundo sabe que o mundo da NBA é totalmente imprevisível. Hoje, você está jogando com a camiseta de uma cidade, e, no dia seguinte, pode estar dentro de um avião se mudando para outra. Portanto, não é muito conveniente o cara “fechar portas” sobre algo em que ele simplesmente não tem o controle.

6 – O Hornets deve ter um novo dono muito em breve. E, ao que tudo indica, permanecerá em New Orleans. Você acredita que, acontecendo isso, a franquia conseguirá atrair grandes jogadores e formar um time para ser campeão?

Rodrigo Goulart: Eu espero que consiga atrair. Quando tínhamos um dono, montamos um time que poderia ter sido campeão (2007-08). O Carl Landry falou que renova o seu contrato, se tivermos um dono e colocarmos as coisas no lugar. O David West saiu depois de dizer que a franquia era uma zona. O contrato dele é de duas temporadas com o Pacers, e ele até poderia voltar. Quem sabe? É assim que as coisas começam, com um dono disposto a investir e com picks altas no draft. Fazendo um bom draft, renovando com o Eric Gordon, trocando Kaman ou Okafor, eu acho que estaremos no caminho certo.

Léon Oliveira: Eu, como torcedor, espero que os All-Stars olhem com mais “carinho” para o Hornets e tenham algum interesse de jogar em New Orleans. Mas sei que a nossa realidade é outra, e acho que o nosso All-Star virá do draft. Essa é a nossa saída, no momento. Depois, no futuro, a gente pensa em voos mais altos. Antes de sonharmos com título, ainda temos muita coisa para arrumar. Começando por um dono.

Jardel Barros: Absolutamente não. A permanência do Hornets em New Orleans ratificará o nosso papel de franquia intermediária por muitos anos, a não ser que aconteça o mesmo que aconteceu com o San Antonio Spurs: uma geração de jogadores leais, altruístas, uma organização bem alinhada, uma filosofia de jogo bem definida, uma liderança forte e um bom trabalho de draft e desenvolvimento de talentos. Atualmente, jogadores altruístas são algo em extinção. Vivemos tempos em que os grandes jogadores se unem para “fundar clubinhos” com amigos talentosos. E a questão da Louisiana é muito delicada, é um mercado estagnado, principalmente após a tragédia do Furacão Katrina. Como a NBA é um negócio, isso se aplica diretamente à franquia da cidade. Portanto, uma cidade que não cresce e é considerada apenas intermediária no panorama nacional obterá um time apenas intermediário. Uma cidade como essa tem espaço para apenas uma equipe grande. E essa equipe é o New Orleans Saints (da NFL).

Lucas Ottoni: A obtenção de um novo dono é absolutamente vital para o Hornets. Esse é o primeiro ponto, pois tiraria a franquia das mãos da NBA e nos daria autonomia novamente, além de evitar futuras críticas e “choradeiras” de sujeitos como o Mark Cuban. O segundo ponto é o quanto esse novo dono estaria disposto a investir na formação de um time vencedor, que possa atrair o público local e a mídia também. E o terceiro ponto – e não menos importante – é a organização, o planejamento e a estrutura da franquia, pois não adianta você gastar dinheiro de forma mal planejada, correto? Nesse sentido, eu me espelho no modelo do San Antonio Spurs. É uma franquia vencedora e está dentro de um mercado que pode ser considerado intermediário. Então, qual é o segredo deles? Estrutura, planejamento, desenvolvimento, organização e um punhado de sorte também. Eles conseguiram uma estrela como o Tim Duncan e fizeram todos os movimentos corretos para formar um time vencedor em torno do cara. Sempre encontram os jogadores ideais nos drafts (mesmo na xepa), sempre desenvolvem jogadores para o futuro e estão sempre colhendo bons frutos. Cada movimento do Spurs tem um propósito, parece que eles estão um passo à frente de muitas outras franquias. E eu acho que o Hornets deveria tentar seguir esse modelo. Aí, a formação de um time campeão será mera consequência, algo que vem a reboque.

Pronto, finalizamos o segundo debate no Brazilian Hornet. Eu aproveito para deixar os meus agradecimentos aos bravos Jardel, Rodrigo e Léon. Vocês abrilhantaram este nosso post! E espero que os leitores tenham gostado. Quem quiser discordar de alguma coisa que foi escrita, ou mesmo expor as suas próprias opiniões, é só escrever aí embaixo, nos comentários. Seria uma bela maneira de prolongarmos um pouquinho estes assuntos abordados. Até o próximo debate!


 FERROADAS

* HORNETS @ KINGS: Os zangões voltarão à quadra, à meia-noite de quarta para quinta-feira, 08/03 (horário de Brasília). O adversário é a equipe de Sacramento, e o duelo acontecerá no Power Balance Pavilion, na Califórnia. O Brazilian Hornet deve acompanhar, via Twitter. Siga o BH e fique por dentro de tudo o que acontecerá ao longo da partida. Ah, e eu não esqueci do joguinho de ontem, contra o Blazers. Falarei sobre ele no nosso próximo post, que irá ao ar após o duelo com os Reis. Se liga, Monty…

ANO NOVO, VELHAS DEFICIÊNCIAS

Chamem o Copperfield! Que invertam-se os uniformes!

* Por Lucas Ottoni

Primeiramente, o Brazilian Hornet inicia 2012 desejando um grande ano para os nossos leitores, parceiros e amigos comentaristas. Que todos nós tenhamos muitos motivos para comemorar daqui para frente. Aliás, o que não se deve comemorar é a nova péssima atuação do New Orleans Hornets (2-2). Na última madrugada, os zangões abriram o Ano Novo com um resultado daqueles, para deixar qualquer um de ressaca. A derrota, por 96 a 80, para o Sacramento Kings, na Califórnia, expôs velhos defeitos que o torcedor do Hornets que acompanha a equipe já conhece há algum tempo. E, como não poderia deixar de ser, eu vou apresentar novamente dados alarmantes, que podem explicar (em teoria) o nosso segundo revés na temporada 2011-12 da NBA. Olhem para isso:

– Arremessos da linhas dos 3 pontos: 0-15. De novo: 0-15. Quer dizer, 15 “chutes” e NENHUM, eu escrevi NENHUM, acerto. Um time com um aproveitamento (?) desses não pode vencer jogo algum, concordam?

– Free Throw (os lances livres): 8-16. Nossos jogadores foram 16 vezes para a linha de lances livres e converteram apenas metade dos arremessos. Um aproveitamento terrível de 50%. Isso é, no mínimo, decepcionante.

– Field Goal (os tiros de quadra): 36-89. Um percentual de acertos de apenas 40.4%. Se levarmos em conta o percentual do jogo anterior, contra o Suns, que foi de 28.9% (26-90), podemos até “comemorar” esse 36-89, não é mesmo?

Tyreke Evans foi o cestinha do jogo

Diante desses números e estatísticas, eu bato na mesma tecla: como nós poderemos vencer os jogos? Isso é uma questão que o técnico Monty Williams e os jogadores precisam resolver de qualquer jeito. Não há time (e nem torcedor) que resista a percentuais tão baixos. E o pior de tudo: não teremos, sequer, tempo para tentar corrigir minimamente essas deficiências. Estamos no nosso primeiro back-to-back da temporada, isto é, sequência de jogos em dias seguidos, e voltaremos à quadra, daqui a pouco, à meia-noite (de Brasília) de hoje para amanhã (03/01), quando iremos encarar o Utah Jazz (1-3), na EnergySolutions Arena, em Salt Lake City. O que podemos esperar dessa partida? Do jeito que as coisas andam, superação é tudo o que pedimos. Nada mais.

* New Orleans Hornets Brasil: a prévia do jogo (contra o Jazz)

Voltemos à derrota para o Sacramento Kings. O placar de 96 a 80 pode sugerir que os californianos dominaram a partida do início ao fim, certo? Errado. Por incrível que possa parecer, o Hornets foi para o intervalo vencendo o duelo por 40 a 38 (um placar baixo). No entanto, a coisa desandou na etapa final, e os zangões tomaram um 58 a 40, com direito a show dos alas-armadores Tyreke Evans, 27 pontos (cestinha do jogo), e Marcus Thornton (lembram dele?), 25. Como aconteceu diversas vezes na temporada passada (ainda com Chris Paul e David West), o Hornets sofreu um apagão após o intervalo, viu o adversário abrir vantagem e não conseguiu esboçar reação. É psicológico? É emocional? Eu sei lá! O que eu posso garantir, é que essa é uma velha deficiência que o bom técnico Monty Williams ainda não conseguiu corrigir. Outros velhos problemas? Vamos lá. Os inúmeros erros de ataque (e a marcação do Kings nem foi tão boa assim! Pegamos trocentos rebotes ofensivos e não aproveitamos!) e os lapsos na defesa. Às vezes, os zangões se perdem completamente na partida, e o sistema defensivo do Monty vaza que nem coador de café. Só com muito trabalho, esses defeitos serão minimizados.  Os percentuais dos últimos dois jogos e os apagões constantes são inadmissíveis. Não podem ser aceitos com naturalidade. Estamos falando de NBA, não é qualquer campeonato de fundo de quintal!

Trevor Ariza teve uma boa atuação, apesar da derrota em Sacramento

Para terminar, vamos falar sobre deficiência técnica. Eu li comentários de algumas pessoas dizendo que a nossa excelente vitória sobre o Boston Celtics, na última quarta-feira, foi algo atípico, e que a nossa realidade é a das derrotas terríveis para Phoenix Suns e Sacramento Kings. Eu discordo, pois acho que o Hornets é bem melhor do que isso que apresentou nos dois últimos jogos. Pode não ser tão bom para fazer o que fez contra o Celtics, mas não é tão ruim a ponto de ficar tomando 15, 16 pontos de diferença em todas as noites. Claro que os zangões têm suas deficiências técnicas evidentes. Por exemplo, o Jarrett Jack é um jogador de altos e baixos, não é um armador consistente o suficiente para ser titular de uma equipe da NBA. Aliás, a exibição dele contra o Kings foi tenebrosa! Outro jogador que não pode ter papel de protagonista em uma equipe da NBA é o ala-armador italiano Marco Belinelli. Sua inconsistência ofensiva é terrível e comprometedora. Seus aproveitamentos de FG (3-12) e 3 pontos (0-7) contra o Kings são inaceitáveis. Ficou 35 minutos em quadra e anotou apenas 6 pontos. Um horror! Já na linha de lances livres, as limitações do ala Trevor Ariza e do pivô Emeka Okafor são claríssimas e, igualmente, comprometedoras. Aí estão alguns exemplos de deficiências técnicas do nosso time. Agora, eu lhes pergunto: quem não as tem? Existe time perfeito? Pois então, o fato é que, mesmo com seus problemas, o Hornets não pode continuar entregando os jogos da forma como entregou os dois últimos. Ponto.

No vídeo abaixo, alguns highlights da derrota dos zangões:

Vai uma dica: deem uma olhada nesse excelente quadro do blog Hornets247 (em inglês) analisando e graduando individualmente cada jogador dos zangões, após a derrota para o Kings. Muito interessante.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida

Aos pessimistas de plantão, vale lembrar que o Hornets tem atuado sem o seu principal pontuador. O nosso SG de 20 pontos por jogo, Eric Gordon, segue lesionado no joelho direito e também não enfrentará o Utah Jazz. Tire o Joe Johnson do Hawks. Tire o Ray Allen do Celtics. Tire o Dwight Howard do Magic. Tire o Kobe Bryant do Lakers. Melhor parar por aí, né?

Enfim, isso é tudo. Mais uma derrota feia, 2-2. No entanto, eu sigo convicto de que não temos um time tão ruim. Mesmo com as velhas deficiências, estamos em 2012! A esperança é a última que morre!

* Veja o pós-jogo do blog New Orleans Hornets Brasil

OBS: E o DeMarcus Cousins, hein? Tudo isso é medo de encarar o Hornets? Brincadeiras à parte, esse rapaz é muito talentoso. Pena que a cabecinha dele teima em não ajudá-lo.


 FERROADAS

* DISPENSADO: O ala Lance Thomas não faz mais parte do elenco do New Orleans  Hornets. O ex-jogador da Universidade de Duke apareceu em dois jogos da temporada regular pelos zangões, com média de 0,5 ponto. Agora, a nossa equipe conta com 14 atletas. E boa sorte para o Lance, em sua carreira.

* ESTREANTE: O ala-pivô mexicano Gustavo Ayon entrou em quadra, finalmente, com uma camiseta do Hornets. Ele atuou nos 2 últimos minutos da partida contra o Kings, que já estava definida, e terminou zerado em todos os fundamentos. Espero que, aos poucos, o Ayon vá se adaptando aos zangões e à NBA. É uma aposta para o futuro.

UMA NOITE PARA ESQUECER

Essa imagem sintetiza claramente a exibição dos zangões

* Por Lucas Ottoni

Olá, amigos. Dessa vez, o post será um pouquinho mais curto, ok? Eu explico: o sujeito que vos escreve vai curtir o Ano Novo na praia de Copacabana, no Rio, vendo todos aqueles fogos estourarem na passagem de 2011 para 2012. Por isso, esse mesmo sujeito não terá como se dedicar ao blog nas próximas horas. Agora que a situação está esclarecida, eu gostaria que alguém me explicasse o que aconteceu há pouco, na New Orleans Arena. Confesso que ainda estou atordoado com a cipoada que o Hornets levou do Phoenix Suns, em plena Louisiana. O placar de 93 a 78 construído pela equipe do Arizona nos mostra dados alarmantes de uma noite para esquecer. Apertem os cintos e anotem aí alguns números do nosso time:

– Field Goal (os tiros de quadra): 26-90. Isso mesmo. De 90 arremessos, acertamos apenas 26! Quer o percentual de acertos? Aí está: 28.9%! Sabem o que isso significa? De acordo com a ESPN (fonte mais confiável que eu achei), é O SEGUNDO PIOR APROVEITAMENTO DE ARREMESSOS DA HISTÓRIA DA FRANQUIA!!! Assustador, pavoroso, embaraçoso!

– Arremessos da linha dos 3 pontos: 3-14. Podes crer. De 14 “chutes”, apenas 3 com endereço certo. O percentual? 21.4%! Doloroso, não é mesmo?

– Assistências: 14. O time inteiro do Hornets computou isso aí, 14. Pelo Suns, o Steve Nash, sozinho, distribuiu 12 passes que culminaram em pontos! E o jogador dos zangões que mais assistiu os companheiros, Greivis Vasquez, ficou em quadra por míseros 17 minutos. Você entendeu? Eu também não.

– Pontos vindos do banco: 24. Essa foi a contribuição do nosso banco de reservas. A do Suns? Pois não: 38. Uma diferença considerável.

A marcação de Aminu não funcionou

Está de “bom” tamanho, não é? Esses números e percentuais desagradáveis mostram como o ataque do Hornets funcionou (?) terrivelmente mal nessa partida. Saindo das estatísticas e olhando para o que aconteceu dentro de quadra, eu pude observar um time que acabou expondo as suas deficiências técnicas das mais variadas formas. Erros bizarros embaixo da cesta, arremessos tortos e imprecisos, desperdícios de todos os tipos e mudanças que não surtiram efeito. Foi isso o que eu vi. Não, eu não estou dizendo que os jogadores do New Orleans Hornets são umas porcarias. Nada disso. O que eu quero dizer é que a nossa última atuação não condiz com a realidade da nossa equipe. O time do Hornets tem seus defeitos evidentes, mas pode (e deve) se apresentar muito melhor do que o que vimos nesse terceiro jogo da temporada. E defensivamente, não fomos nem sombra do esquadrão que esmagou o Boston Celtics, há apenas dois dias. Sofremos 93 pontos, e poderia ter sido mais. Repito: uma noite para esquecer.

O Phoenix Suns é uma equipe previsível, muito dependente das jogadas do velho Steve Nash e dos arremessos de longa distância. Jogo de garrafão? Quase nenhum. Defesa? Decente seria muito. Mas, dessa vez, as bolas caíram. E foi justamente isso o que fez a diferença. As deles, caíram. As nossas, não. Até o Monty Williams, técnico de quem eu sou fã declarado, acabou tendo uma noite infeliz. Suas mudanças não surtiram o efeito esperado, e ele mexeu mal em alguns momentos da partida. No último quarto, com Jack e Vasquez juntos em quadra, o Hornets começava a esboçar uma reação. E o que o Monty fez? Tirou o Vasquez e colocou o Belinelli. Eu, sinceramente, não entendi. Julgar as ações do treinador pode até ser pretensão de minha parte. Afinal, o Monty Williams é extremamente competente (eu não canso de elogiá-lo aqui) e conhece o elenco dele melhor do que ninguém. No entanto, a mexida não surtiu o menor efeito, e acabamos vendo o Suns retomar as rédeas do jogo até garantir a vitória (e a revanche), de forma confortável. São infelicidades que acontecem, é claro. Se tudo tivesse dado certo, esse chato aqui não estaria cornetando, não é mesmo?

FG: 26-90. Provavelmente, o Jason Smith errou esse arremesso

Para terminar, não vou falar sobre quintetos, atuações individuais, nem sobre os 18 pontos do Hakim Warrick e, muito menos, sobre o joelho do Eric Gordon (que tanto nos fez falta). Eu quero é dizer que jogos como o de ontem (para hoje) acontecem. Noites para se esquecer são inevitáveis, e todos os times passam por isso. Vejam os casos do Dallas, do Boston, do próprio Lakers. Viram só? O Hornets perdeu jogando mal, mas isso não é motivo para desespero ou para acharmos que, a partir de agora, iniciaremos nossa caminhada rumo ao 2-64. Muita calma nessa hora. Não podemos jogar fora tudo o que foi feito de bom, por causa desse tropeço (mesmo que tenha sido um tropeço feio, com uma marca negativa). Nossa campanha é 2-1, um início melhor do que muitos esperavam. Portanto, confiar no belo trabalho do Monty e no potencial da nossa equipe é o melhor que devemos fazer. E rezar pelo retorno do Eric Gordon também não cairia mal…

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida

Ah, e se serve de consolo, o Marco Belinelli bateu o seu recorde de rebotes na carreira, em um jogo de NBA: foram 10. Melhor que isso, só o cross over desmoralizante que o Jarrett Jack aplicou para cima do pobre Steve Nash. Uma queda cinematográfica do armador do Suns. Valeu o ingresso. Dá só uma olhada:

OBS: O próximo adversário do Hornets será o Sacramento Kings. As duas equipes se enfrentarão à meia-noite (de Brasília) de domingo (01/01) para segunda (02/01), no Power Balance Pavilion, em Sacramento. O Brazilian Hornet acompanhará a partida e mandará informações, via Twitter.

Só mais um recado: o BH volta com força total nesta segunda-feira (02/01)!

Feliz Ano Novo! Muita prosperidade e um 2012 cheio de alegrias!