HISTÓRIA

O New Orleans Hornets é um time profissional de basquete situado na cidade de New Orleans, Louisiana, Estados Unidos. Eles jogam na Divisão Sudoeste da National Basketball Association (NBA). A franquia começou a atuar durante a temporada 1988-89 da NBA como Charlotte Hornets, com sede na cidade de Charlotte, Carolina do Norte, onde permaneceu até o final da temporada 2001-02.

1985–1987: nasce o Charlotte Hornets

Em 1985, a NBA estava planejando se expandir com o surgimento de quatro novas equipes. George Shinn, um empresário de Kannapolis, Carolina do Norte, queria levar uma dessas equipes para a área de Charlotte e, para isso, montou um grupo de destacados empresários locais para dirigir a franquia em potencial. Apesar do desenvolvimento crescente da cidade, alguns críticos ainda duvidavam que Charlotte poderia apoiar uma equipe da NBA. No entanto, Shinn não desistiu de seu projeto e conseguiu, junto ao Estado da Carolina do Norte, uma casa para o seu novo time de basquete: o Charlotte Coliseum, uma arena com capacidade para quase 24.000 espectadores, que teve sua construção iniciada em 1986. Em 05 de abril de 1987, o comissário da NBA, David Stern, informou a Shinn que a concessão da franquia fora aprovada pela liga, e o time de Charlotte começaria a jogar no campeonato em 1988.

Originalmente, a nova equipe iria se chamar Charlotte Spirit, mas um concurso para a escolha do nome do time acabou tendo “Hornets (zangões)” como a opção vencedora. O nome foi derivado de uma feroz resistência de toda a cidade à ocupação britânica durante a guerra revolucionária no século 18, o que levou o comandante britânico, lorde Charles Cornwallis, a se referir a Charlotte como “um ninho de vespas”.

Azul-petróleo e listras: novidades do Hornets na década de 80

Decidido o apelido, a equipe escolheu o azul-petróleo como a sua cor principal, uma novidade na época. Além disso, o Hornets foi o primeiro time da NBA a popularizar o uso das listras finas em seus uniformes, inspirando posteriormente projetos similares em outras equipes da liga (muitos anos depois, o Charlotte Bobcats adicionou riscas a seus uniformes, presumivelmente como uma homenagem ao Hornets).

Após a escolha do nome e também das cores do time, a preocupação de Shinn passou a ser a obtenção de fãs para a nova equipe. Com isso, o empresário planejou capitalizar os torcedores do basquete universitário de Charlotte e, de certa forma, transferi-los para o Hornets. O plano deu certo, e tanto a cidade como as regiões mais próximas acabaram se identificando rapidamente com a equipe. Gradativamente, as vendas de ingressos para os jogos do Hornets foram crescendo, e o time começou a ganhar ainda mais popularidade em Charlotte e nas cidades vizinhas.

Com o apoio de um público crescente, Shinn sabia que só um time com bons jogadores poderia criar laços fortes entre a franquia e seus fãs. Dessa forma, o próximo passo do empresário foi a contratação de Carl Scheer, um executivo da NBA de longa data, como gerente-geral da equipe. Scheer teria como missão recrutar alguns jogadores experientes, com a esperança de montar um time competitivo o mais rapidamente possível, para atingir o objetivo de alcançar os playoffs (pós-temporada) em cinco anos. Dick Harter, ex-treinador universitário e assistente técnico veterano da NBA, foi aproveitado como treinador principal da equipe, sendo o primeiro técnico da história do Hornets.

1988-89: foto oficial do primeiro time do Hornets

1988-1992: o início difícil

A equipe de 1988-89, temporada de estreia do Charlotte Hornets na NBA, foi liderada pelo ex-jogador do Detroit Pistons, o ala Kelly Tripucka, que se destacou e foi o artilheiro de Charlotte nas duas primeiras temporadas do Hornets. A equipe também teve o shooter novato (e 1ª escolha da história da franquia no draft) Rex Chapman, que era uma ameaça nos arremessos de longa distância. Outro membro daquele time estreante era o jovem e habilidoso Muggsy Bogues, o menor jogador na história da NBA até então, com apenas 1,60m. O ala-armador Dell Curry, que mais tarde se tornaria um atleta lendário da franquia, também fez parte daquele grupo saindo do banco de reservas. Entretanto, como a maioria das equipes em expansão na NBA, o Hornets teve um início difícil, terminando a sua temporada de estreia com um registro 20-62, sem nunca ter vencido mais do que dois jogos consecutivos.

Dick Harter: ele foi o primeiro treinador da franquia Hornets

A temporada seguinte, 1989-90, foi uma luta do início ao fim. O técnico Harter foi demitido em janeiro, depois que os jogadores se rebelaram contra o seu estilo de defesa orientada. Ele foi substituído pelo assistente técnico Gene Littles. A mudança não surtiu efeito em termos de resultado, e o Hornets terminou a sua segunda temporada com um registro 19-63.

Antes da temporada 1990-91, a equipe selecionou o ótimo ala Kendall Gill no draft, mas o melhor ainda estaria por vir. Em 1991, os zangões obtiveram a 1ª escolha global no draft da NBA. Além disso, a cidade de Charlotte foi a sede do All-Star Game daquele ano. Littles acabou demitido no final da temporada e substituído no comando técnico pelo gerente-geral Allan Bristow.

Com a 1ª escolha em mãos, o Hornets selecionou o explosivo ala Larry Johnson, da UNLV. Johnson teve um impacto imediato, terminando a sua temporada de estreia entre os líderes da liga em pontos e rebotes, e ganhando o título de NBA Rookie of the Year Award – novato do ano – de 1992. Gill também se destacou na época, com mais de 20 pontos por jogo, e a equipe permaneceu na disputa por um lugar nos playoffs até março.

1992-1999: a ascensão dos zangões

Após os primeiros anos de dificuldade, a sorte começaria a mudar para a equipe de Charlotte. Em 1992, o Hornets obteve a 2ª escolha global do draft, utilizando-a para seleccionar o pivô de Georgetown, Alonzo Mourning. Com isso, o time de 1992-93 passou a ter duas grandes ameaças para seus rivais, Johnson e Mourning, que formavam, com Gill, um trio de jovens muito talentoso. Comandado por eles, o Charlotte Hornets fez um registro 44-38 e alcançou a série de playoffs pela primeira vez na história. O time terminou em quinto na Conferência Leste e encarou o tradicional Boston Celtics na primeira rodada da pós-temporada. Após quatro jogos, o Hornets conseguiu derrubar o rival de Massachusetts. No entanto, ainda faltava-lhes experiência e profundidade para derrotar o forte New York Knicks, caindo em cinco jogos na segunda rodada.

Os anos seguintes foram marcados pelas lesões do ídolo Larry Johnson, embora o Hornets tenha voltado aos playoffs em 1994-95, obtendo a sua primeira temporada com 50 vitórias. Contudo, o Chicago Bulls acabou com o sonho do time de Charlotte, ao vencê-lo por 3 a 1 fechando a série na primeira rodada.

Larry Johnson, Muggsy Bogues e Alonzo Mourning

 No verão americano de 1995, o Hornets negociou Mourning com o Miami Heat, recebendo o ala Glen Rice, o pivô Matt Geiger e o armador Khalid Reeves. Geiger se destacou como um dos líderes da equipe em rebotes, enquanto Johnson e Rice garantiam boas pontuações. Na armação do time, Kenny Anderson substituiu o contundido Muggsy Bogues. Apesar das mudanças, o Hornets não conseguiu se classificar para os playoffs durante a temporada 1995-96. Bristow acabou renunciando ao cargo de treinador e foi substituído por Dave Cowens, uma lenda (como jogador) da NBA.

A offseason (entressafra) de 1996 também foi marcada por grandes mudanças: Kenny Anderson se recusou a assinar uma extensão contratual, Larry Johnson foi enviado para o Knicks em troca do ala-pivô Anthony Mason, e a equipe fez um comércio (talvez o mais significativo de sua história) no dia do draft daquele ano. O Hornets adquiriu o pivô sérvio Vlade Divac cedendo ao Los Angeles Lakers os direitos sobre o jovem Kobe Bryant, de apenas 17 anos, que foi selecionado pela franquia de Charlotte (13ª escolha global – no vídeo abaixo). Embora acredite-se que Bryant se recusou a jogar pelo Hornets e forçou o comércio, alguns garantem que a franquia dos zangões já havia decidido, um dia antes do draft, trocar a sua escolha por Divac (e não sabia quem esse jogador seria até 5 minutos antes da escolha ser feita). O fato é que o comércio acabou sendo bom para ambas as equipes na época, já que o Lakers precisava liberar espaço salarial em sua folha para assinar com o astro Shaquille O’Neal, e o Hornets andava atrás de um pivô experiente e confiável. Contudo, logo viu-se que o negócio se tornou ainda melhor para o Lakers, pois Kobe Bryant explodiu se tornando um dos jogadores mais completos da história da NBA e ajudando a franquia de Los Angeles a vencer cinco campeonatos entre 2000 e 2010.

O novo Hornets de 1996-97 foi bem sucedido, com Divac e Geiger se entendendo no garrafão, Mason com médias de duplo-duplo e Bogues de volta à armação. Entretanto, foi Glen Rice quem fez a diferença a favor dos zangões. O ala, especialista em arremessos de média e longa distância, teve a melhor temporada de sua carreira, terminando como terceiro lugar da liga em pontos e sendo eleito para a segunda melhor equipe de jogadores da NBA na época. Além disso, Rice também foi o MVP (jogador mais valioso) do All-Star Game de 1997 estabelecendo vários recordes de pontuação. E a equipe conseguiu a melhor temporada de sua história na época (54 vitórias), retornando aos playoffs. No entanto, logo na primeira rodada, eles acabaram dominados pelo Knicks e foram eliminados em três jogos.

Dell Curry: recordes na franquia

A temporada 1997-98 também foi bem sucedida. A equipe contratou dois agentes livres que rapidamente deram certo em Charlotte: o armador David Wesley e o ala Bobby Phills. Com Wesley, Phills, Rice, Mason e Divac, o Hornets cumpriu uma ótima campanha na temporada regular, terminando em quarto lugar no Leste, com Rice sendo eleito para a terceira melhor equipe de jogadores da NBA na época. O Hornets passou pelo Atlanta Hawks na primeira rodada dos playoffs, mas acabou tropeçando na segunda rodada, diante do poderoso Chicago Bulls de Michael Jordan e Scottie Pippen. O fim dessa temporada marcou a despedida do ala-armador Dell Curry do elenco dos zangões (ele se transferiu para o Milwaukee Bucks). Após dez anos com a equipe, o leal Curry atingiu três recordes importantíssimos dentro da franquia: número de jogos (706), pontuação (9.839) e cestas de três pontos (929), além de ter sido o único jogador do Hornets eleito Sexto Homem do Ano (melhor reserva) na NBA (1994) até então.

Apesar do relativo sucesso em anos anteriores, o Charlotte Hornets teve um 1998-99 bastante turbulento, com o ídolo Glen Rice sendo enviado para o Lakers, em troca do ala Eddie Jones e do pivô Elden Campbell. Cowens renunciou ao cargo de treinador no meio do bloqueio da temporada encurtada (greve de jogadores na época) e foi substituído pelo ex-companheiro dos tempos de Celtics, Paul Silas. O time acabou fora dos playoffs de 1999.

1999–2002: uma nova era

O ano de 1999 acabou sendo marcante para o Charlotte Hornets. O time adquiriu, como agente livre, o ala-pivô Derrick Coleman e o armador Baron Davis, esse selecionado com a terceira escolha global do draft. O quinteto titular com Wesley, Jones, Mason, Coleman e Campbell iniciou a temporada obtendo boas vitórias. Infelizmente, uma tragédia pegou a todos de surpresa. Em 12 de janeiro de 2000, o ala Bobby Phills, um dos favoritos dos fãs, faleceu em um acidente automobilístico. O Hornets aposentou sua camiseta #13, em 09 de fevereiro daquele ano (como forma de homenagear Phills, confira abaixo o vídeo dos melhores momentos de uma das partidas mais emocionantes que esse jogador participou com a camiseta do Charlotte Hornets).

Mesmo com a tristeza abatendo os jogadores, a equipe foi capaz de retornar aos playoffs, onde acabou derrotada pelo Philadelphia 76ers. Eddie Jones se tornou o principal nome do Hornets e liderou a liga em roubos de bola. Contudo, no verão americano de 2000, ele acabaria trocado para o Miami Heat, que também recebeu Anthony Mason. Com isso, foram enviados para Charlotte o ala Jamal Mashburn e o ala-pivô PJ Brown.

A temporada 2000-01, entretanto, foi ofuscada pelos acontecimentos fora da quadra. A popularidade do time começou a cair devido à insatisfação do público de Charlotte com o dono da franquia, o empresário George Shinn. Alguns o acusavam de ter negociado Alonzo Mourning e várias outras estrelas da equipe por não se mostrar disposto a pagar a esses jogadores o valor de mercado na época. Michael Jordan, já aposentado das quadras (retornaria mais tarde para jogar pelo Washington Wizards), iniciou negociações para se tornar co-proprietário do Hornets, mas as conversas fracassaram quando Shinn não aceitou que Jordan obtivesse o controle total sobre as operações de basquete da franquia.

George Shinn: em rota de colisão com a cidade de Charlotte e os fãs

Entretanto, o fato que ocasionou maior insatisfação no público e ganhou manchetes nos EUA aconteceu quando uma mulher alegou que o dono do Hornets a teria estuprado, em 1997. Embora ele tenha sido capaz de evitar uma ação civil contra si, o julgamento do caso afetou gravemente a sua reputação na cidade de Charlotte. O comparecimento dos fãs aos jogos da equipe caiu drasticamente e nunca se recuperou. Apesar de amantes do basquetebol, os torcedores fizeram questão de demonstrar a sua insatisfação com Shinn. E o time dos zangões acabou pagando um preço muito alto por isso.

Voltando às quadras, em 2000-01, o Hornets atuou com um ótimo quinteto formado por Wesley, Davis, Mashburn, Brown e Campbell. O grande time não só alcançou os playoffs como atropelou o forte Miami Heat na primeira rodada, chegando às semifinais da Conferência Leste pela terceira vez na história da franquia de Charlotte. Entretanto, o Hornets acabaria eliminado pelo Milwaukee Bucks, em uma série equilibrada de sete jogos. Mantendo a base do elenco na temporada seguinte, a equipe retornou às semifinais de conferência, ao bater o Orlando Magic na primeira rodada dos playoffs. Entretando, em seguida, o Hornets acabou eliminado pelo New Jersey Nets, em cinco jogos.

2002: a saída de Charlotte

Mesmo com o Hornets colocando uma equipe competitiva em quadra, a presença do público nos jogos caiu drasticamente, em grande parte porque Shinn havia se tornado persona non grata na cidade. O Hornets passou a ser uma das piores franquias da NBA, em termos de comparecimento de torcedores, um contraste marcante com os seus primeiros anos na liga. Shinn também estava insatisfeito com a situação do Charlotte Coliseum, que ele julgava ser uma arena já ultrapassada (e que acabaria demolida em 2007). Dessa forma, o empresário finalmente deu um ultimato: a menos que a cidade construísse uma nova arena, sem qualquer custo para ele, o Hornets sairia de Charlotte. A cidade inicialmente se recusou, levando Shinn a considerar uma mudança para a franquia. Ele cogitou cidades como Norfolk, Louisville, St. Louis e Memphis, das quais somente St. Louis tinha um maior mercado de mídia do que Charlotte.

Quadra do Charlotte Coliseum, em 2002: a última temporada do Hornets na cidade

Finalmente, uma nova arena (que acabaria por se tornar a Charlotte Bobcats Arena e, mais tarde, a Time Warner Cable Arena) foi incluída em um referendo (consulta popular) na cidade, e Shinn resolveu desistir de mover a equipe. As pesquisas apontavam que a construção da nova arena estava a caminho de ser aprovada. No entanto, poucos dias antes da votação do referendo, o então prefeito de Charlotte, Pat McCrory, vetou um decreto para o aumento do salário mínimo. O veto levou muitos dos pastores negros da cidade a se oporem ao referendo. Eles sentiram que era imoral a cidade construir uma nova arena, com a parte menos favorecida da população passando por dificuldades financeiras.

Após o fracasso do referendo, os líderes da cidade elaboraram um plano para construir uma nova arena sem a necessidade do apoio popular. Entretanto, eles lançaram uma declaração ameaçando desistir do projeto, caso Shinn não vendesse a equipe. Embora a NBA admitisse o desgaste da imagem de Shinn junto aos torcedores, os oficiais da liga consideraram que o empresário estava sendo vítima de perseguição. Com isso, o conselho da cidade se recusou a retirar a declaração, levando o Hornets a solicitar uma mudança para New Orleans. Apesar da cidade ser um mercado menor de televisão (menos visibilidade), um acordo foi feito rapidamente para que o time do Hornets jogasse na New Orleans Arena, ao lado do Louisiana Superdome. Antes que o Hornets fosse eliminado dos playoffs (2001-02), a NBA aprovou o negócio. Como parte de um acordo, a liga prometeu que Charlotte iria receber uma nova equipe (dois anos mais tarde, a cidade receberia a franquia Bobcats).

Em uma entrevista ao jornal “Charlotte Observer” no ano de 2008, George Shinn (que não retornou à cidade desde que o Hornets se mudou) admitiu que o “mau julgamento que fiz em minha vida” foi decisivo para que o time partisse de sua terra natal (veja a homenagem no vídeo abaixo). Ele também disse que se tivesse que fazer tudo de novo, não teria afastado a equipe do público depois da acusação de agressão sexual. Shinn também enfatizou o comprometimento da franquia com New Orleans, dizendo: “Eu cometi erros suficientes na minha vida. Eu não vou cometer um aqui. Esta cidade (New Orleans) precisa de nós aqui. Nós vamos fazer a coisa funcionar”.


Veja algumas logos  e uniformes da história do Charlotte Hornets

2002-2005: a NBA novamente em New Orleans

O Hornets abriu a sua temporada inaugural em New Orleans, em 30 de outubro de 2002, contra o Utah Jazz (que era originalmente o New Orleans Jazz – 1974-1979), com uma vitória por 100 a 75. “Pistol” Pete Maravich, jogador lendário do Jazz na década de 1970, teve o seu número postumamente aposentado durante o intervalo. Foi a primeira temporada regular da NBA com um jogo disputado em New Orleans em mais de 17 anos (houve alguns jogos de exibição na cidade ao longo dos anos, incluindo o então Charlotte Hornets, em 2000). Com praticamente a mesma base da temporada anterior (a última disputada em Charlotte), o Hornets se classificou para os playoffs (ainda atuando no Leste) pelo quarto ano consecutivo em 2002-03, mas foi derrotado por 4 a 2 pelo Philadelphia 76ers logo na primeira rodada.

Sai Charlotte; entra New Orleans

Após a sua primeira temporada em New Orleans, a franquia inesperadamente demitiu o treinador Paul Silas, que vinha realizando um belo trabalho desde que assumiu o comando do time, em 1999. Ele foi substituído por Tim Floyd. Em 2003-04, o Hornets teve um início 17-7, mas não foi tão bem no fim da temporada regular e terminou em 41-41, perdendo por pouco a vantagem de decidir em casa a primeira rodada dos playoffs. Em 2003, estreava no Hornets o ala-pivô calouro David West (18ª escolha global no draft daquele ano), que ainda viria a se tornar um dos principais nomes da equipe. Na pós-temporada, os zangões enfrentaram o Miami Heat, com cada time vencendo todos os seus jogos em casa. No primeiro duelo, em Miami, um tiro certeiro do então novato Dwyane Wade no estouro do cronômetro fez toda a diferença na série, que acabou vencida pelo Heat por 4 a 3.

No fim da temporada, Floyd foi demitido e a equipe contratou Byron Scott como treinador. Com o surgimento do Bobcats, o novo time de Charlotte, o Hornets saiu da Divisão Central da Conferência Leste e passou a fazer parte da difícil Divisão Sudoeste da Conferência Oeste, que incluía, além dos zangões, quatro equipes: San Antonio Spurs, Dallas Mavericks, Houston Rockets e Memphis Grizzlies. Com a fortíssima concorrência, a equipe teria ainda mais dificuldades para alcançar os playoffs.

Chris Paul: jovem esperança após uma temporada desastrosa

Em uma temporada (2004-05) marcada por lesões de três All-Stars na época (Baron Davis, Jamaal Magloire e Jamal Mashburn), um começo 0-8 rapidamente tornou-se um recorde negativo 2-29 (incluindo uma derrota para o estreante Charlotte Bobcats na volta do Hornets a Charlotte). Os zangões estavam a caminho de se tornar o pior time da história da NBA, ameaçando “superar” o Philadelphia 76ers de 1973 (9-73). Contudo, a equipe obteve um melhor desempenho em janeiro e fevereiro, e fechou a temporada 2004-05 em 18-64, a pior campanha de toda a sua história. Como resultado do insucesso, o elenco foi reformulado, com veteranos como Baron Davis e Jamal Mashburn sendo negociados para que a franquia finalmente iniciasse um processo de reconstrução. A equipe também acabou adquirindo o ala-armador Jim Jackson do Houston Rockets, mas Jackson se recusou a jogar em New Orleans e acabou trocado novamente, dessa vez para o Phoenix Suns, que enviou o trio Maciej Lampe, Casey Jacobsen e Jackson Vroman aos zangões. No entanto, nenhum desses atletas mostrou um impacto significativo.

Com a quarta escolha global no draft de 2005, o Hornets selecionou um jovem armador que viria a se tornar uma grande estrela e colocaria os zangões quase no topo do Oeste dentro de poucos anos: Chris Paul.

2005-2007: o furacão Katrina e a ida para Oklahoma City

Jornal de New Orleans noticia os efeitos do Furacão Katrina

A devastação catastrófica imposta pelo furacão Katrina às comunidades do sudeste da Louisiana fez com que a franquia Hornets temporariamente mudasse sua base de operações para Oklahoma City, em 2005-06 e 2006-07. Durante esse período, a equipe passou a ficar conhecida como New Orleans/Oklahoma City Hornets. Nessas duas temporadas, a maioria dos jogos em casa foi disputada no Ford Center, ginásio de Oklahoma City, enquanto alguns permaneceram na New Orleans Arena. Os treinamentos do time em Oklahoma City foram realizados no Sawyer Center, no campus da Southern Nazarene University (SNU). Em 2006, a equipe realizou o seu acampamento de treinos em New Orleans, no Alario Center, em Westwego, Louisiana.

Para a temporada 2005-06, o time disputou 36 jogos em Oklahoma City, com um jogo acontecendo no Lloyd Noble Center, no campus da Universidade de Oklahoma, três em New Orleans e um no Pete Maravich Assembly Center, no campus da Louisiana State University (LSU). A intenção era seguir jogando na cidade de Baton Rouge (na LSU), mas os progressos realizados na restauração da New Orleans Arena possibilitaram o retorno dos jogos a New Orleans.

Hornets jogando de vermelho? Aconteceu em Oklahoma City

O Hornets começou a temporada 2005-06 da NBA melhor que o esperado, mesmo após o pivô reserva Chris Andersen ter recebido uma severa suspensão de dois anos devido a uso de drogas. Os zangões usaram o fato como motivação, e a equipe chegou a estar na sexta colocação do Oeste. Entretanto, o time tropeçou em suas limitações e perdeu 12 de 13 jogos em um momento decisivo da temporada regular, saindo do grupo dos oito melhores do Oeste que iriam disputar os playoffs. Além do mais, o New Orleans Hornets acabou estabelecendo um recorde negativo na NBA, quando marcou apenas 16 pontos na segunda metade (dois quartos) de uma partida, contra o Los Angeles Clippers. Apesar do mau momento, a equipe foi se recuperando aos poucos e fez um esforço final para buscar um lugar nos playoffs, mas terminou em 38-44, o 10 º lugar na Conferência Oeste. Mesmo com o fracasso, Chris Paul venceu o prêmio de NBA Rookie of the Year Award (2006) – novato do ano -, e outros jogadores do Hornets também estiveram disputando alguns prêmios individuais.

Atrás de melhores resultados, o Hornets fez alterações no elenco após a temporada 2005-06. A meta era avançar para os playoffs da Conferência Oeste pela primeira vez. Para atingir isso, a franquia enviou o ala JR Smith e o ala-pivô PJ Brown para o Chicago Bulls e recebeu o pivô Tyson Chandler. Com a saída do armador Speedy Claxton para o Atlanta Hawks, o Hornets trouxe os agentes livres Bobby Jackson e Jannero Pargo para se revezarem na reserva de Chris Paul. O time também contratou o bom ala sérvio Peja Stojakovic, um exímio arremessador de longa distância.

Os zangões jogaram em Oklahoma City de 2005 a 2007

Devido à boa estrutura, o Hornets optou por manter a base de operações em Oklahoma City para a temporada 2006-07, já que a cidade de New Orleans ainda passava por um delicado processo de reconstrução no período pós-Katrina. Entretanto, a franquia prometeu retornar a New Orleans em tempo integral, possivelmente já em 2007. Durante a temporada 2006-07, o Hornets jogou, em casa, 35 partidas na cidade de Oklahoma e seis em New Orleans. A equipe terminou a temporada regular com um recorde de 39-43, uma vitória a mais do que na temporada anterior, repetindo a 10ª colocação no Oeste. E a passagem da equipe da Louisiana por Oklahoma City foi tão bem sucedida, que, sem dúvida, contribuiu para a cidade ser nomeada como a nova casa da franquia Seattle SuperSonics, a partir da temporada 2008-09 da NBA (com o nome de Oklahoma City Thunder).

Veja algumas logos  e uniformes da história do New Orleans Hornets

2007-2010: o retorno a New Orleans

O Hornets voltou a New Orleans de forma integral para a temporada 2007-08, com todos os 41 jogos em casa disputados na New Orleans Arena. Além disso, a franquia garantiu que iria ajudar na recuperação da cidade após a devastação imposta pelo Katrina. Encampando a causa, a NBA resolveu realizar o All-Star Game 2008 em New Orleans, com uma campanha séria de auxílio às vítimas, que se iniciou em fevereiro de 2007. Posteriormente, vários acordos de patrocínio corporativo foram assinados, com o Hornets sendo parte de um projeto de marketing feito a favor da cidade.

Torcida de New Orleans e o carinho pelos zangões

Em relação ao time, a franquia assinou com os agentes livres Morris Peterson e Melvin Ely, e prorrogou o contrato do armador reserva Jannero Pargo. Além disso, selecionou o ala Julian Wright, com a 13ª escolha no draft de 2007.

No início da temporada 2007-08, o público presente à New Orleans Arena não era grande, mas à medida em que o time surpreendia o mundo, o Hornets começou a fazer algumas apresentações com a arena inteiramente lotada. A franquia chegou a registrar sell-outs (ingressos esgotados) em 12 dos seus últimos 17 jogos em casa na temporada regular, com público máximo em 13 (incluindo os playoffs).

New Orleans sediou o All-Star Game 2008

Mais forte em relação a épocas anteriores, o Hornets obteve um registro 29-12 na metade da temporada. Possuindo a melhor campanha da Conferência Oeste em 03 de fevereiro de 2008, o técnico Byron Scott foi indicado para treinar a seleção da Conferência Oeste no All-Star Game 2008, em casa, na New Orleans Arena. Scott acabou acompanhado por dois de seus jogadores, Chris Paul e David West, que foram selecionados como reservas no Jogo das Estrelas. Além disso, Chris Paul teve um ano fantástico e foi nomeado para a eleição de MVP (jogador mais valioso da temporada) da NBA em 2008, ficando na segunda colocação. Em 21 de fevereiro, o Hornets realizou uma negociação com o Houston Rockets para adquirir o ala Bonzi Wells e o armador Mike James enviando o veterano Bobby Jackson para a equipe texana.

Os zangões terminaram a temporada regular 2007-08 com um incrível registro de 56-26, realizando a campanha de maior sucesso da história da franquia. O Hornets também ganhou o seu primeiro título de divisão, conquistando a Divisão Sudoeste, à frente do forte San Antonio Spurs. Garantindo o 2º lugar geral da Conferência Oeste, Chris Paul e cia. atropelaram o Dallas Mavericks na primeira rodada dos playoffs: 4 a 1. O rival seguinte, San Antonio Spurs, acabaria impondo uma dura derrota para um time que parecia destinado a jogar a primeira final de conferência de sua história. O Hornets chegou a abrir 2 a 0 na série semifinal, mas acabou sendo derrotado pelos texanos, por 4 a 3, em duelos emocionantes e equilibrados. Assim quis o destino. E apesar da derrota, Chris Paul saiu consagrado como um dos melhores armadores do mundo, e Byron Scott foi eleito NBA Coach of the Year (2008) – técnico do ano.

Logotipo do time é remodelado

Em agosto de 2008, a franquia Hornets apresentou um logotipo modificado e novos uniformes com as cores azul (mais escuro), branca, púrpura e dourada. E depois de seis temporadas, os riscos verticais foram reintegrados aos uniformes. O design foi mudado em alusão à arquitetura em ferro forjado de New Orleans. Um logotipo alternativo, com o zangão estilizado em uma flor de lis (símbolo da colonização francesa na cidade) – que havia sido introduzido nos uniformes da equipe na temporada anterior -, acabou ganhando destaque no piso da quadra da New Orleans Arena. E um terceiro logotipo, com o nome “NOLA”, também foi criado, com a sigla (cidade-estado) e um trompete. A franquia também anunciou publicamente a venda antecipada de mais de 10 mil bilhetes por jogo para a temporada 2008-2009, um recorde desde a transferência de Charlotte.

Logotipos alternativos do New Orleans Hornets

Tendo experimentado a época de maior sucesso na história da equipe, tanto na temporada regular quanto nos playoffs, a temporada 2008-09 da NBA foi encarada com uma grande expectativa pela franquia e seus torcedores. Vários especialistas escolheram o Hornets para repetir a conquista da Divisão Sudoeste e como um potencial campeão da Conferência Oeste (veja o vídeo abaixo, com imagens do inesquecível time de 2007-08).

Os principais jogadores do elenco de 2007-08 acabaram mantidos para o início da temporada 2008-09. Além disso, o experiente ala James Posey assinou como agente livre para reforçar ainda mais a equipe de New Orleans. Em contrapartida, o armador reserva Jannero Pargo acabou se transferindo para o basquete europeu, o que forçou o Hornets a contratar Antonio Daniels, em um negócio que envolveu três equipes. No dia 18 de fevereiro de 2009, um comércio que enviaria o pivô Tyson Chandler para o Oklahoma City Thunder, em troca dos alas-pivôs Joe Smith e Chris Wilcox, foi anunciado. Para o Hornets, o objetivo do negócio era obter um alívio na folha salarial, algo que teria deixado o armador Chris Paul bastante descontente. Entretanto, dentro de um dia, o comércio foi desfeito, já que Chandler teria se apresentado ao Thunder com um dedo do pé lesionado.

Pelo segundo ano consecutivo, o Hornets foi representado por dois jogadores no NBA All-Star Game, que foi realizado em Phoenix. Chris Paul foi votado pelos fãs para assumir a armação titular do Oeste, enquanto David West foi escolhido como reserva pelos treinadores da liga.

David West: as listras verticais retornaram ao uniforme do Hornets

Contrariando as expectativas positivas, a temporada 2008-09 acabou sendo de altos e baixos para o Hornets, e, em abril, ficou claro que o recorde de 56-26 da época anterior seria inatingível. A queda de desempenho se deveu, principalmente, a problemas de lesão em jogadores importantes, como Tyson Chandler e Peja Stojakovic. O Hornets terminou a temporada com um recorde de 49-33 (abaixo do esperado), na decepcionante quarta colocação da Divisão Sudoeste. A equipe terminou na 7ª posição geral da Conferência Oeste e foi aos playoffs sem a mesma confiança de um ano antes. Enfrentando o forte Denver Nuggets na primeira rodada da pós-temporada 2009, o Hornets acabou perdendo os dois primeiros jogos da série, em Denver. No entanto, venceu o primeiro duelo na New Orleans Arena, diminuindo a vantagem do rival para 2 a 1. Só que o confronto seguinte, também realizado na Louisiana, acabou sendo brutal para a torcida dos zangões. O Hornets sofreu a pior derrota de toda a sua história em playoffs, sendo atropelado com um inacreditável placar de 121 a 63. Inteiramente atordoado, o time acabou sucumbindo de vez à equipe de Denver no jogo 5, com o Nuggets fechando a série em 4 a 1. Após o vexame, iniciou-se a especulação acerca de uma futura reconstrução da equipe de New Orleans.

O fim da temporada 2008-09 fez com que a franquia voltasse as suas atenções para o teto salarial do elenco. Chegou-se à conclusão de que o Hornets teria que realizar cortes em sua folha de pagamento. No início do período de agência livre da NBA, em 01 de julho de 2009, o time de New Orleans tinha a maior folha de pagamento dentre todas as equipes da liga, chegando a U$ 77 milhões. Quando o luxury tax level (imposto pago pela franquia quando ela ultrapassa o limite salarial estipulado pela NBA) foi criado em 07 de julho, o Hornets apresentava um excesso de U$ 7 milhões na zona fiscal, tendo que pagar exatamente esse valor à liga.

Apesar dos comentários de George Shinn, dono da equipe, sobre a intenção de construir um time competitivo e vencedor, o fato é que o Hornets precisava desesperadamente cortar gastos. Em 28 de julho de 2009, a franquia trouxe o pivô Emeka Okafor, do Charlotte Bobcats, em troca de Tyson Chandler. O movimento permitiu que o Hornets cortasse U$ 1,3 milhão de sua folha de pagamento para 2009-10, embora a franquia também tivesse que assumir o restante do contrato de Okafor, avaliado em pouco menos de U$ 63 milhões por 5 anos.

Marcus Thornton e Darren Collison: cestas e belas jogadas em 2009-10

Com a ordem de evitar gastos, a equipe acabou sendo reforçada através de suas escolhas de draft. Em 25 de junho de 2009, o New Orleans Hornets selecionou o jovem armador Darren Collison, com a 21ª escolha global no draft daquele ano. A franquia também trocou duas futuras escolhas de segunda rodada para o Miami Heat pelo recém-draftado ala-armador Marcus Thornton (43ª escolha). Em 12 de agosto de 2009, o Hornets enviou o seu ala titular Rasual Butler para o Los Angeles Clippers em troca de uma escolha de segunda rodada do draft de 2016, em uma tentativa desesperada de diminuir a sua folha de pagamento. Butler receberia U$ 3,9 milhões na temporada 2009-10, mas devido ao fato de o Hornets estar na zona de impostos, esse valor efetivamente dobraria (por causa da multa). Além disso, em 09 de setembro, o Hornets negociou o veterano armador Antonio Daniels para o Minnesota Timberwolves, em troca do também armador Bobby Brown e do ala-pivô lituano Darius Songaila.

Os esforços para ficar abaixo do limite salarial continuaram durante a temporada. O pivô reserva Hilton Armstrong foi negociado (junto com um valor em dinheiro) para o Sacramento Kings, por uma escolha de segunda rodada do draft de 2016. Pouco tempo depois, o ala Devin Brown foi enviado para o Chicago Bulls, em troca do pivô Aaron Gray. Além disso, o Hornets também transferiu o armador Bobby Brown para o Los Angeles Clippers, por uma escolha de segunda rodada do draft. No total, essas operações acabaram tornando a franquia de New Orleans imune à zona de impostos.

Peja Stojakovic e o uniforme em alusão ao Mardi Gras, o carnaval de New Orleans

Na quadra, porém, o Hornets começou 2009-10 de forma decepcionante. Com um início de 3-6, o treinador Byron Scott acabou demitido, em 12 de novembro de 2009. Dessa forma, o gerente-geral Jeff Bower foi quem assumiu o cargo de técnico do time para o restante da temporada. O Hornets superou o mau começo e até chegou a se posicionar na sexta colocação da Conferência Oeste no final de janeiro. Contudo, o ídolo Chris Paul se machucou gravemente em uma partida contra o Chicago Bulls, ao tentar salvar um passe errado. Como prejuízo, os zangões perderam o seu principal atleta por 37 jogos e acabaram tendo uma queda brusca de rendimento. Sem Paul, que acabaria operando o joelho esquerdo, os destaques da equipe foram os estreantes Darren Collison e Marcus Thornton, que tiveram ótimos desempenhos. Collison alcançou o maior trecho de jogos com pelo menos 18 pontos e 9 assistências (7 consecutivos, em fevereiro de 2010) para um calouro, desde o lendário Oscar Robertson. Para Thornton, um dos muitos destaques foram os 37 pontos (incluindo 23 pontos em apenas um período – recorde da história da franquia) que ele anotou contra o forte Cleveland Cavaliers, em 23 de fevereiro. Ambos os estreantes foram escolhidos para os All-Rookie Teams após a temporada, outro recorde da franquia (dois calouros entre os principais no mesmo campeonato).

O Hornets terminou a temporada com a humilde marca de 37-45, terminando em último lugar na Divisão Sudoeste, vencida pela equipe apenas duas temporadas antes. Após o fracasso, Jeff Bower renunciou ao cargo de treinador para voltar a se concentrar em suas funções como gerente-geral. Só que isso acabou não durando muito tempo, já que Bower foi demitido pelo Hornets, em 13 de julho de 2010. O ex-gerente-geral, que não vinha se entendendo bem com o astro Chris Paul, terminou um mandato de quase 15 anos dentro da franquia. Entre Bower deixar o cargo de treinador e o seu afastamento da organização, Monty Williams foi contratado como novo técnico do time. O ex-assistente do Portland Trail Blazers estava com apenas 38 anos de idade quando assumiu o comando do Hornets, sendo assim o treinador mais jovem da NBA na época. Para substituir Bower como gerente-geral, o Hornets contratou Dell Demps, do San Antonio Spurs, no final de julho.

Monty Williams, Chris Paul e Dell Demps

2010-2011: nova filosofia e a NBA no comando

Com um treinador e um gerente geral recém-contratados, o New Orleans Hornets passou o verão americano com duas grandes incertezas pairando sobre a franquia. A primeira foi um processo bastante prolongado de negociação, em que o proprietário minoritário Gary Chouest compraria 100% da organização junto ao proprietário majoritário e fundador do time, George Shinn (Chouest  já havia comprado 25% da franquia de Shinn, em 2007). Como Chouest, um bilionário da área de exploração de petróleo na região da Louisiana, era considerado mais forte financeiramente em relação a Shinn, imaginava-se que o Hornets poderia ter uma maior estabilidade após a compra, que acabou não se concretizando. Já a segunda incerteza dizia respeito à situação de Chris Paul, o astro do time. Durante a offseason (entressafra) de 2010, o armador teria demonstrado descontentamento em relação à situação da fraquia e desejo de ser negociado, caso a equipe não voltasse a ser competitiva.

Trevor Ariza: um dos pilares defensivos do Hornets na temporada 2010-11

Com o intuito de apaziguar a insatisfação de seu principal jogador, o técnico Monty Williams e o gerente geral Dell Demps prometeram remodelar o plantel e adotar uma nova filosofia para o time: mais juventude, mais atletismo e um sistema defensivo. E foi na noite do draft de 2010 que esse processo se iniciou. O Hornets selecionou o pivô Cole Aldrich (11ª escolha global) e o enviou junto com o ala Morris Peterson para o Oklahoma City Thunder, em troca das escolhas de número 21 e 26. Dessa forma, a franquia da Louisiana adquiriu os jovens Craig Brackins e Quincy Pondexter. Em 11 de agosto, o Hornets surpreendeu e enviou o armador ex-novato Darren Collison junto com o veterano ala James Posey para o Indiana Pacers, em troca do ala Trevor Ariza, do Houston Rockets, fechando um mega comércio que envolveu quatro equipes. No mesmo dia, outro jogador do Hornets acabou trocado: Julian Wright se transferiu para o Toronto Raptors, que enviou o ala italiano Marco Belinelli para New Orleans. Em 23 de setembro de 2010, o Hornets mandou o calouro Craig Brackins junto com o ala-pivô Darius Songaila para o Philadelphia 76ers, recebendo o ala-armador Willie Green e o ala-pivô Jason Smith. E finalmente, um pouco antes do início da temporada regular, os zangões adquiriram, em 23 de outubro, o armador Jerryd Bayless do Portland Trail Blazers, em troca de uma escolha de primeira rodada no draft.

A partir dessa reformulação drástica no elenco, o Hornets aparentemente conseguiu ficar mais jovem, mais atlético e potencialmente muito melhor na defesa. Vários erros anteriores foram corrigidos com as saídas de jogadores que não renderam bem, como Morris Peterson, James Posey e Julian Wright. Por outro lado, os custos para a franquia foram, principalmente, a perda de Collison e a escolha de primeira rodada no draft. Quando a temporada 2010-11 da NBA começou, apenas três jogadores (Paul, Stojakovic e West) da equipe que venceu a Divisão Sudoeste dois anos antes permaneciam no elenco. Apesar de todos os esforços para montar um time mais competitivo, a maioria dos especialistas previram uma temporada difícil para o Hornets, com poucas chances de alcançar os playoffs. Contudo, a equipe teve um início impressionante. Em 5 de novembro, o time bateu o recorde da franquia, com cinco vitórias nas cinco primeiras partidas do campeonato. O novo Hornets, então, estendeu a bela marca para 8 vitórias consecutivas demonstrando uma inacreditável evolução no setor defensivo. Mais tarde, o time igualou o recorde da franquia, com 10 vitórias seguidas, em 26 de janeiro de 2011. No mês seguinte, o Hornets concretizou o seu derradeiro comércio na temporada: enviou o promissor ala Marcus Thornton e mais uma quantia em dinheiro para o Sacramento Kings, em troca do ala-pivô Carl Landry.

Com uma defesa forte, equipe de Monty Williams tem início de temporada incrível

Após boa campanha, a equipe registrou 46-36 e acabou se classificando para os playoffs na 7ª colocação da Conferência Oeste. Entretanto, na pós-temporada, o Hornets não resistiu ao então bicampeão Los Angeles Lakers e acabou perdendo a série por 4 a 2, apesar das belas exibições do armador Chris Paul. Com uma grave lesão no joelho esquerdo, o ala-pivô David West – um dos líderes do time – não participou dos jogos decisivos contra o rival angelino, e isso acabou desfavorecendo os zangões na disputa.

Dezembro de 2010: NBA compra o Hornets

Fora de quadra, durante a temporada 2010-11 o New Orleans Hornets também sofreu mudanças e precisou superar alguns obstáculos. Como não houve acordo (entre Chouest e Shinn) para a negociação total da franquia – e Shinn não estava em uma posição financeira forte para seguir conduzindo a equipe -, a NBA resolveu adquirir para si o Hornets (por volta de U$ 300 milhões), em dezembro de 2010, e controlar as operações do time até que houvesse um proprietário local para os zangões. Esse fato acabou sendo inédito, já que foi a primeira vez na história do basquete profissional norte-americano que a própria liga assumiu o controle de uma franquia.

Além disso, em 24 de janeiro de 2011, o Estado da Louisiana, a prefeitura e algumas empresas de New Orleans se reuniram e levantaram verba para a compra dos bilhetes suficientes afim de bloquearem uma cláusula de salvaguarda que permitiria ao Hornets se mover de seu arrendamento na New Orleans Arena, por causa da baixa freqüência de público durante a temporada. E pouco antes dos playoffs, a franquia – em conjunto com políticos, artistas e outras personalidades locais – lançou a campanha “I’m In” buscando estimular a população a comparecer às partidas e atingir a marca de 10 mil bilhetes vendidos para cada jogo (dentro de casa) da equipe na temporada seguinte. A meta acabou sendo atingida.

2011-presente: o fim da era Chris Paul e a chegada de um novo dono

Antes do início da temporada 2011-12, o Hornets estava ponderando ofertas de outras equipes pelo armador Chris Paul, que, insatisfeito com a indefinição a respeito do futuro do time, vinha requisitando um comércio. No início de dezembro de 2011, o Hornets fechou com o Los Angeles Lakers e o Houston Rockets uma negociação para enviar Paul a Los Angeles, em um acordo que incluía vários jogadores. Entretanto, o movimento foi vetado pelo comissário da NBA, David Stern (que estava gerindo a franquia de New Orleans), antes que pudesse ser oficializado. Uma semana depois, em 14 de dezembro de 2011, o Hornets chegou a um entendimento com o Los Angeles Clippers. Dessa forma, Paul foi enviado a Los Angeles, e os zangões receberam o ala-armador Eric Gordon, o pivô Chris Kaman e o ala Al-Farouq Aminu, além de uma escolha de primeira rodada no draft de 2012 (adquirida pelo Clippers após uma troca com o Minnesota Timberwolves). Com a saída do ala-pivô David West – outro pilar do time – para o Indiana Pacers, o Hornets se viu obrigado a iniciar um novo trabalho de reconstrução do elenco. No final da temporada, a equipe teve o pior registo da Conferência Oeste, 21-45. Com atletas muito jovens e inúmeros problemas de lesão ao longo do campeonato, os zangões sucumbiram diante da maioria dos adversários.

Tom Benson surge como novo proprietário do Hornets

No dia 13 de abril de 2012, a NBA anunciou que o bilionário Tom Benson, dono do New Orleans Saints (famoso time profissional de futebol americano), havia acertado a compra da franquia Hornets junto à liga pela quantia de U$ 338 milhões. Ao conversar com os jornalistas, Benson anunciou a intenção de mudar o nome da equipe para algo que tivesse maior relação com a cidade de New Orleans, alimentando rumores de que o nome “Hornets” pudesse um dia retornar para Charlotte, em substituição ao Bobcats. Em junho, Benson resolveu nomear dois executivos do Saints para supervisionarem a sua nova aquisição. Com isso, Dennis Lauscha substituiu Hugh Weber e se tornou o novo presidente da equipe. Já Mickey Loomis tornou-se chefe de operações de basquete, com a função de supervisionar o trabalho do gerente-geral Dell Demps. Após a nomeação dos dirigentes, a franquia começou a reestruturar o time. O pivô Emeka Okafor e o ala Trevor Ariza foram negociados para o Washington Wizards. Em troca, os zangões receberam o ala Rashard Lewis, que teve o contrato “comprado” e foi dispensado, além da 46ª escolha do draft de 2012. O movimento teve como objetivo reduzir a folha salarial do elenco e permitir uma maior flexibilidade para contratações no futuro.

Um pouco antes disso, em 30 de maio, o Hornets foi premiado com a 1ª escolha global no draft da NBA de 2012. Foi a primeira vez desde 1991 (quando o time ainda se localizava em Charlotte) que a franquia ganhou o sorteio. Com a valiosa escolha em mãos, no dia 28 de junho de 2012, os zangões selecionaram o talentoso ala-pivô Anthony Davis, da Universidade de Kentucky. Na mesma noite, eles também adquiriram o ala-armador Austin Rivers, da Universidade de Duke, com a 10ª escolha global (obtida a partir do Clippers, como parte do comércio do armador Chris Paul), e o ala Darius Miller, também de Kentucky, que veio na 46ª escolha (obtida nas trocas de Emeka Okafor e Trevor Ariza com o Wizards). Além dos três jovens recrutados, outros atletas desembarcaram em New Orleans para fazerem parte do novo elenco, com destaque para o ala-pivô Ryan Anderson, ex-Orlando Magic, e o pivô Robin Lopez, ex-Phoenix Suns.

Em julho de 2012, o Hornets igualou uma mega oferta do Suns (U$ 58 milhões por 4 temporadas) pelo habilidoso ala-armador Eric Gordon e o manteve na Louisiana, mesmo contra a vontade do jogador. Ele havia atuado em apenas 9 jogos no campeonato de 2011-12 (por causa de uma cirurgia no joelho direito), mas foi visto pelos dirigentes como parte importante do futuro do time. Um mês depois, o técnico Monty Williams teve o seu contrato renovado pela franquia até 2016. O novo acordo foi sacramentado no dia 19 de agosto.

——————————————————————————————————————————–

Conquistas da franquia

* Títulos da NBA: 0
* Títulos de conferência: 0
* Títulos de divisão: 1 (2008)


Arenas da franquia

* Charlotte Coliseum (1988–2002)
* New Orleans Arena (2002–presente)

– Outras arenas (temporárias)

* Ford Center (2005–2007)
* P. M. Assembly Center (2005, 1 jogo)
* Lloyd Noble Center (2006, 1 jogo)

Treinadores

* Dick Harter: 1988-1990
* Gene Littles: 1990-1991
* Allan Bristow: 1991-1996
* Dave Cowens: 1996-1999
* Paul Silas: 1999-2003
* Tim Floyd: 2003-2004
* Byron Scott: 2004-2009
* Jeff Bower: 2009-2010
* Monty Williams: 2010-

Prêmios individuais

– Rookie of the Year
* Larry Johnson – 1992
* Chris Paul – 2006

– Sixth Man of the Year
* Dell Curry – 1994

– Coach of the Year
* Byron Scott – 2008

– All-Star Game MVP
* Glen Rice – 1997

– All-Star West Head Coach
* Byron Scott – 2008

– Executive of the Year
* Bob Bass – 1997

– All-NBA First Team
* Chris Paul – 2008

– All-NBA Second Team
* Larry Johnson – 1993
* Glen Rice – 1997
* Chris Paul – 2009

– All-NBA Third Team
* Anthony Mason – 1997
* Glen Rice – 1998
* Eddie Jones – 2000
* Jamal Mashburn – 2003
* Baron Davis – 2004
* Chris Paul – 2011

– NBA All-Defensive First Team
* Chris Paul – 2009

– NBA All-Defensive Second Team
* Anthony Mason – 1997
* Eddie Jones – 1999, 2000
* PJ Brown – 2001
* Chris Paul – 2008, 2011

– NBA Rookie First Team
* Kendall Gill – 1991
* Larry Johnson – 1992
* Alonzo Mourning – 1993
* Chris Paul – 2006
* Darren Collison – 2010

– NBA Rookie Second Team
* Rex Chapman – 1989
* J.R. Reid – 1990
* Marcus Thornton – 2010

 

Camisetas aposentadas

As camisetas de Maravich e Phills, no teto da New Orleans Arena

– #7 “Pistol” Pete Maravich: armador, New Orleans Jazz, 1974-1979

* O Hornets aposentou o número do craque “Pistol” Pete durante a primeira partida do novo time em New Orleans, no ano de 2002, em homenagem à sua enorme contribuição para o basquete na LSU e na equipe profissional da cidade durante a década de 70, o New Orleans Jazz. Clique aqui e saiba mais sobre o lendário ex-jogador (em inglês).


– #13 Bobby Phills:
ala-armador, Charlotte Hornets, 1997-2000

* O Hornets aposentou o número de Phills, após o seu falecimento em um acidente automobilístico na cidade de Charlotte, em 2000. Conhecido por sua capacidade defensiva, ele acabou se tornando o primeiro jogador da franquia a ter a camiseta imortalizada. Clique aqui e saiba mais sobre o ex-jogador dos zangões (em inglês).


* O texto e os dados sobre a História da franquia Hornets contidos aqui neste espaço são atualizados anualmente. Próxima atualização: 2013.

14 pensamentos sobre “HISTÓRIA

  1. Pingback: BRING BACK THE BUZZ! | Brazilian Hornet

  2. Pingback: ESTÁ CHEGANDO A HORA… | Brazilian Hornet

  3. Pingback: O QUE VEREMOS NO DIA 31? | Brazilian Hornet

  4. Belo trampo Lucas… ficou show de bola
    Mts coisas q eu ja tinha esquecido, hehehe

    Parabens msm, ficou completo…
    e esperamos q essa historia sera repleta de truinfos no futuro

    Go hornets

  5. AI , AGORA NA BOA PARABENS PELO TRABALHÃO DE PESQUISAR SOBRE ESSE SEU TIME. MAS PRA MIM SÓ VALEU A HISTÓRIA DO KOBE, GO LAKERS VAI CORINTHIANS VAMO FLAMENGO

  6. Pingback: COMO A NBA PODE SER CRUEL… | Brazilian Hornet

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s