UMA SINA NADA AGRADÁVEL

Tome muito cuidado, Jason Smith! A maré está para contusões!

* Por Lucas Ottoni

Em seu passeio pelo Oeste, o New Orleans Hornets (13-38) encarou mais um back-to-back nos últimos dias e saiu dos jogos com uma vitória e uma derrota. Na quarta-feira (28/03), os zangões não tomaram conhecimento do Golden State Warriors (20-29) e conseguiram um placar de 102 a 87, lá em Oakland. Um dia depois (ontem), o time foi até o Oregon e fez uma partida bastante equilibrada com o Portland Trail Blazers (24-27), mas não resistiu às inúmeras cestas de três pontos anotadas pelos donos da casa e acabou sofrendo um revés de 99 a 93. Tendo em vista que a nossa campanha é muito ruim e que nós não temos possibilidade alguma de sonhar com os playoffs, o que mais chama a atenção nesse momento é a sina que vem acompanhando o Hornets desde que a temporada 2011-12 da NBA se iniciou: as lesões e os desfalques. Eu comentava com alguns parceiros que isso parece epidemia! É impressionante como a equipe de New Orleans sofreu com essas situações ao longo de todo o campeonato! Que o calendário da liga é sacrificante, todo mundo já sabe. Ainda mais quando temos 66 jogos em um espaço curtíssimo de tempo (por causa do locaute). O organismo – mesmo sendo o de um atleta profissional – não aguenta. É muitíssimo extenuante mesmo. Vamos, então, observar a atual condição do nosso prezado elenco:

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Warriors) 

Falar em contusões no Hornets sem começar pelo ala-armador Eric Gordon seria uma tremenda leviandade da minha parte. O cara que chegou na Louisiana para ser o principal jogador do time acabou machucando o joelho direito logo na primeira partida do campeonato e participou de apenas mais um jogo, antes de ser afastado para passar por uma intervenção cirúrgica no local. Aliás, surgiu a notícia de que ele está muito próximo de retornar às quadras. Pena que agora seja tarde demais, né? Outro que está há bastante tempo parado é o pivô Emeka Okafor. Ele sofreu uma lesão no joelho esquerdo na semana anterior ao All-Star Weekend 2012 – isto é, lá em meados de fevereiro – e segue sem previsão para retornar. O ala Trevor Ariza também tem problemas físicos. Ele sente dores no tornozelo direito e não vem participando dos últimos jogos da equipe. E já não é a primeira vez na temporada que Ariza desfalca o time por causa de lesão. Só nesse parágrafo já observamos três jogadores fundamentais para os zangões. E você acha que é tudo? Nada disso. Desgraça pouca é bobagem…

Carl Landry: ileso contra o Warriors

Vamos aos grandalhões agora? Ok. O pivô germânico Chris Kaman perdeu alguns jogos por ter sido afastado do elenco, em uma tentativa frustrada da franquia de negociá-lo. Depois voltou e passou a jogar muito bem, mas agora está sofrendo com uma forte gripe que o impossibilitou de participar dos últimos duelos dos zangões. Já o ala-pivô Jason Smith ficou mais de 1 mês parado por causa de uma concussão e só retornou no último dia 17. Outro ala-pivô nosso, o Carl Landry, que lesionou o joelho esquerdo no dia 04 de fevereiro, voltou à equipe apenas no último sábado. Querem outro ala-pivô? Pois não. O mexicano Gustavo Ayon está desfalcando os zangões nesse momento, embora seja por um bom motivo. O primeiro filho dele está para nascer. Que venha com muita saúde! Mas eu lembro que o Ayon também chegou a perder uns joguinhos por conta de lesão. Pensa que acabou? Então, olha só o parágrafo aí embaixo…

No jogo de ontem, contra o Portland Trail Blazers, o nosso técnico Monty Williams teve apenas 8 jogadores à disposição! O desfalque da vez foi o armador Jarrett Jack, que torceu o tornozelo direito na noite anterior, diante do Warriors. Que sina! E também não é a primeira ocasião em que o Jack se ausenta da equipe por conta de lesões.  É difícil resistir a tantas situações adversas. E olha que eu nem falei sobre as suspensões sofridas pelo mesmo JJ e pelo Jason Smith (não me recordo de outras). Eu tenho certeza que o Monty Williams ainda não conseguiu escalar o seu quinteto ideal em jogo nenhum dessa temporada. Pois não há treinador (e torcedor!) que resista a tantas intempéries. Essa “epidemia”, é claro, também explica muito bem a nossa campanha ruim.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Blazers)

Para terminar este post, eu tenho que parabenizar os senhores Greivis Vasquez, Marco Belinelli e Al-Farouq Aminu. Os três foram participantes assíduos dos nossos jogos. Tiveram uma frequência excelente ao longo do campeonato e não deixaram o tio Monty na mão – bom, pelo menos até agora. Eu, honestamente, não me lembro de alguma partida em que um dos três estivesse ausente. Quem se lembrar, favor escrever lá embaixo, nos comentários. Sobre os jogos contra Warriors e Blazers, não há muito o que falar. Nós tivemos boas atuações, sobretudo em Oakland, onde conseguimos uma grande vitória (102 a 87). E a derrota em Portland (99 a 93) aconteceu apenas no fim, como de praxe. O duelo foi equilibradíssimo, mesmo com os nossos inúmeros desfalques. Ah, e que fase a do Belinelli, hein! O italiano vem jogando o fino! Ele anotou 22 pontos contra o Warriors, e 27 diante do Blazers! Até que enfim!

OBS: Eu quase ia me esquecendo do ala-armador Xavier Henry, que chegou ao Hornets já lesionado e perdeu vários jogos antes de estar totalmente à disposição do técnico Monty Williams. É ou não é “epidemia”?

No vídeo abaixo, os highlights de Hornets @ Warriors:


* MAIS UM BACK-TO-BACK: Amanhã à tarde (16h30m de Brasília), o New Orleans Hornets estará no Staples Center, para o duelo contra o Los Angeles Lakers. Um dia depois, no domingo, os zangões terão pela frente o Suns, lá em Phoenix, encerrando a excursão pelo Oeste. A bola subirá às 22h (de Brasília). O Brazilian Hornet não deve acompanhar os jogos pelo Twitter. Fim de semana é complicado, vocês entendem, né?

* FIQUE DE OLHO: Neste fim de semana, vai rolar o NCAA Final Four, lá em New Orleans. É uma bela oportunidade para acompanharmos futuros talentos que poderão estar vestindo a camiseta do Hornets na próxima temporada. Amanhã, a partir das 19h (de Brasília), irão acontecer as duas semifinais (Kentucky vs Louisville e Ohio State vs Kansas). Os vencedores decidirão o título universitário na próxima segunda-feira (02/04). No Brasil, os canais ESPN e BandSports devem transmitir os duelos.

* O FIM DOS ZANGÕES?: Um texto do jornalista Ian Thomsen, do site Sports Illustrated, aponta para a possibilidade de a franquia de New Orleans trocar o nome “HORNETS” por um outro que tenha mais relação com a cidade. Principalmente após a chegada de um novo proprietário, o que estaria em vias de acontecer. Caso isso realmente se concretize, a equipe de Charlotte – o Bobcats – teria o caminho aberto para se transformar novamente no Charlotte Hornets, nome original da franquia da Carolina do Norte. Querem saber o que eu acho? Prefiro não comentar, a não ser que isso se torne realidade. Eu só sei de uma coisa: eu sou torcedor do HORNETS. Esteja o time onde estiver.

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TUDO IGUAL: HORNETS 1 X 1 CP3

Chris Paul tenta defender Blake Griffin da fúria de Trevor Ariza

* Por Lucas Ottoni

Na última segunda-feira (26/03), o New Orleans Hornets foi até o Staples Center, em LA, e não resistiu ao Los Angeles Clippers (28-21) de Chris Paul. O placar de 97 a 85 acabou servindo como uma espécie de revanche para CP3, que havia sido derrotado pelos zangões na semana anterior. Agora, o duelo entre o Hornets e seu ex-principal jogador está empatado em 1 a 1. Porém, o registro que nos interessa aqui é esse: 12-37. Essa é a campanha da equipe da Louisiana na temporada 2011-12 da NBA. Tais números indicam que o Hornets segue amargando a lanterna isolada da Conferência Oeste e – é claro – já não possui a menor chance de lutar por uma vaga aos playoffs. Restando apenas 17 partidas para o fim da nossa participação no campeonato, a palavra “draft” ganha cada vez mais força entre os fãs dos zangões. Mas ainda é cedo para entrarmos de cabeça nesse assunto. Por ora, vamos falar sobre o nosso segundo encontro com o (rival) Chris Paul…

Blake Griffin enfrenta Carl Landry

Assim que a bola foi para o alto, o Clippers mostrou que não havia digerido bem a derrota para o Hornets, na última quinta-feira, lá em New Orleans. Jogando com muita vontade – e contando com os inúmeros erros e desperdícios do time visitante -, os angelinos abriram logo 18 a 2 nos minutos iniciais. Apesar da boa reação dos zangões, que chegaram a empatar a partida (28 a 28) no segundo quarto, o Clippers esteve em uma noite muito feliz e comandou o placar durante o restante do duelo. Chris Paul jogou o fino, e Blake Griffin dominou as ações dentro do garrafão. Já o time do Hornets não teve uma grande performance, e muitos jogadores nossos renderam abaixo do habitual, como Jarrett Jack, Trevor Ariza, Gustavo Ayon e Greivis Vasquez. Os anfitriões chegaram a abrir quase 30 pontos de vantagem, mas aí o ameaçado técnico Vinny Del Negro resolveu colocar reservas em quadra no último período e viu o Hornets diminuir a tunda sofrida. No fim, vitória de CP3 e cia., por 12 pontos de diferença. Pronto, o jogo está resumido. O Clippers atuou bem e contou com os seus principais jogadores em noite inspirada. Já o Hornets não fez uma boa partida e saiu de quadra derrotado.  Nada mais a comentar, a não ser algumas pequenas coisinhas no próximo parágrafo…

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida

Sem o pivô Chris Kaman (gripado) e o ala-pivô Jason Smith (suspenso), o garrafão do Hornets sofreu nas mãos de Blake Griffin. Gustavo Ayon, Carl Landry (apesar do duplo-duplo, com 14 pontos e 10 rebotes), Lance Thomas e Chris Johnson até que se esforçaram, mas não fizeram um bom trabalho defensivo. Isso quer dizer que, mais uma vez, os desfalques prejudicaram o Hornets. Essa será a grande marca da nossa campanha: lesões, doenças, suspensões, etc. Mas há um outro fator a se lamentar nessa partida: o Hornets cometeu 27 TO (!) contra 14 do Clippers. Quase o dobro de erros! Isso só mostra que a noite da equipe de New Orleans realmente não foi das melhores. Para terminar, um fã do Clippers atirou um amendoim no técnico Monty Williams e acabou convidado a se retirar do Staples Center (lá nos EUA essas coisas também acontecem durante os jogos, meus caros). E o Blake Griffin fez isso aqui com o Trevor Ariza, que aliás não gostou nada:

Seria algum tipo de vingança pela falta que ele sofreu do Jason Smith (e que rendeu uma suspensão de dois jogos ao nosso ala-pivô) no jogo da semana passada? Olha, eu prefiro acreditar que não. Pois descontar a raiva em um outro jogador que nada teve a ver com o episódio anterior é coisa de covarde. E, honestamente, eu espero que esse não seja o caso do sr. Griffin.

Ok, vamos ficar por aqui? Vamos. Com os seus 25 pontos e 10 assistências, o Chris Paul conseguiu dar o troco nos zangões, e o técnico dele, Vinny Del Negro, deve ter respirado aliviado. Já eu – que não estou nem aí para o Clippers – ficarei ligadinho no NCAA Final Four, que começará neste próximo fim de semana, em New Orleans. Preciso explicar o motivo?

* BACK-TO-BACK: Hoje à noite (23h30m de Brasília), o New Orleans Hornets estará em Oakland, para o duelo contra o Golden State Warriors. Um dia depois, nesta quinta-feira, os zangões terão pela frente o Blazers, lá em Portland. A bola subirá às 23h (de Brasília). O Brazilian Hornet deve passar informações, via Twitter. Siga o BH e fique por dentro de tudo o que acontecerá em quadra.

* New Orleans Hornets Brasil: a prévia do jogo (contra o Warriors)

* PASSEIO PELO VELHO OESTE: Os zangões estão em uma dura sequência de 5 jogos longe de casa. Após a derrota para o Clippers e os jogos contra Warriors e Blazers, o nosso time voltará a Los Angeles para encarar o Lakers (no sábado) e depois seguirá para Phoenix, onde baterá de frente com o Suns (no domingo). Outro back-to-back, e tudo isso em menos de uma semana. Loucura total! É aquilo: jogador da NBA ganha muito bem, mas tem que suar por cada centavo. Não há como negar isso.

SÍNTESE DA TEMPORADA

* Por Lucas Ottoni

As duas partidas mais recentes do New Orleans Hornets (9-30) na temporada 2011-12 da NBA não merecem muitos comentários, já que sintetizam exatamente o que tem sido o nosso time ao longo desse campeonato. Quer dizer, aconteceu aquilo que já estamos cansados de saber. Na segunda-feira (05/03), os zangões foram até Portland, jogaram mal, erraram muito e acabaram derrotados sem maiores problemas: 86 a 74 para o Blazers (19-20). De vez em quando, a nossa equipe entra em quadra apenas para cumprir o calendário e ir embora. Diante do rival do Oregon, foi exatamente isso o que aconteceu. Em um post recente que tivemos aqui no BH, eu dizia como o Hornets pode ser um oponente dos mais chatos para se derrotar, quando está afim de jogo. Algo que também foi escrito pelo blog Bola Presa, vocês sabem. Contudo, quando os zangões não estão focados na partida, se tornam presas fáceis. O Portland Trail Blazers conferiu isso de perto e se deu ao luxo de descansar vários titulares no último período, com o jogo totalmente sob controle.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Blazers)

Já na última quarta-feira (07/03), o Hornets resolveu novamente incorporar o espírito de time guerreiro e que não se dá por vencido. O jogo foi lá na Califórnia, contra o Sacramento Kings (13-26). Os zangões – sem Gustavo Ayon (pé esquerdo dolorido) – endureceram muito a vida dos Reis, que estavam sem o ala-pivô DeMarcus Cousins (problemas intestinais). A partida estava nas mãos da equipe da Louisiana, quando nos segundos finais… Olhem o que aconteceu no vídeo acima, pois eu simplesmente não consigo encontrar explicações para tamanha incompetência. A dupla Trevor Ariza / Marco Belinelli conseguiu a proeza de entregar um duelo ganho e fazer a alegria da torcida anfitriã! “Formidável”!

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida (contra o Kings)

Pois é, esse episódio lamentável no fim do jogo lá em Sacramento também sintetiza o que é o time do Hornets nos momentos decisivos. Nessa temporada, os zangões já perderam inúmeras partidas nos minutos ou segundos finais, por total nervosismo, inexperiência, falta de talento ou mesmo por não terem um líder em quadra. Na derrota de 99 a 98 para o Kings, pudemos observar novamente essa desagradável característica da nossa amada equipe. Então, não há muito mais o que falar sobre esses dois joguinhos. Contra o Blazers, atuamos apenas por mera formalidade e perdemos facilmente. Já diante do Kings, lutamos com sangue, suor e lágrimas, para, no fim, jogarmos tudo na privada e soltarmos a descarga. São duas facetas desse nosso time, que já estamos mais carecas que o Jarrett Jack de saber.

Ah, e se serve de consolo, o pivô alemão Chris Kaman saiu com duplo-duplo nessas duas partidas. Sim, o Kaman, aquele mesmo, que o Hornets está desesperado para mandar para bem longe de New Orleans. Vá entender…


 FERROADAS

* BACK-TO-BACK: Hoje à noite (23h de Brasília) o New Orleans Hornets estará em Denver, para o duelo contra o Nuggets. Um dia depois, neste sábado, os zangões terão pela frente o Minnesota Timberwolves, lá em Minneapolis. A bola subirá às 22h (de Brasília). Duas partidas muito complicadas para nós. O Brazilian Hornet deve acompanhar ambas, via Twitter. Siga o BH e fique por dentro de tudo o que acontecerá em quadra.

* MURO DAS LAMENTAÇÕES: Após a inacreditável derrota para o Sacramento Kings, sobrou desânimo no vestiário do Hornets. O pivô Chris Kaman se viu obrigado a elogiar o saudoso ala-armador Marcus Thornton, que anotou 25 pontos contra a sua ex-equipe. Já o armador Greivis Vasquez e o técnico Monty Williams confessaram que o resultado foi muito frustrante. Mas quem melhor resumiu a noite foi o armador Jarrett Jack, que também marcou 25 pontos: “Nós jogamos bem o suficiente para perder“. É, foi perfeita a frase. Ela explica o porquê de o post de hoje ter saído meio “azedo”. Desculpem, amigos. Prometo que o próximo sairá melhor. E espero que o Ariza e o Belinelli também me ajudem. Abraços!

PERGUNTAS E RESPOSTAS # 2

O desempenho do técnico Monty Williams abre o nosso segundo debate

* Por Lucas Ottoni

Salve, amigos! Daqui a pouquinho, à meia-noite (de segunda para terça-feira, horário de Brasília), o nosso New Orleans Hornets (9-28) estará em quadra para o duelo contra o Portland Trail Blazers (18-19), no Rose Garden, Oregon. Porém, neste post aqui apresentaremos o segundo debate promovido pelo Brazilian Hornet. Para esta nova rodada de perguntas, eu convidei três amigos. São eles: Jardel Barros e Rodrigo Goulart, membros do blog New Orleans Hornets Brasil, e Léon Oliveira, forista da comunidade do Hornets no Orkut e grande fã do Chris Paul. Seis questões foram levantadas e devidamente debatidas. Eu aproveitei e também entrei neste debate. Peguem outra cervejinha e divirtam-se!

1 – Como você avalia o trabalho do técnico Monty Williams no comando do Hornets, durante esse 1 ano e meio?

Rodrigo Goulart: Para mim, está sendo muito bom. Apesar das invenções que ele faz em alguns jogos, eu creio que estamos no caminho certo. Só acho que o Monty tem que largar um pouco essa mentalidade exageradamente defensiva e pensar um pouco mais no ataque. O nosso time precisa melhorar muito a parte ofensiva, a gente percebe isso claramente nos jogos.

Léon Oliveira: Eu acho que ele vem fazendo um bom trabalho e tem se virado bem com as peças que possui à disposição. Eu só tenho uma ressalva em relação ao Monty Williams. É que ele olha muito para a defesa e pouco para o ataque. O ideal é buscar um equilíbrio, e nós ainda não conseguimos isso.

Jardel Barros: Temos que lembrar de como o Monty Williams chegou ao Hornets. Ele não tinha nenhuma experiência como treinador principal, assumiu uma equipe que estava sendo mal conduzida pelo seu antecessor (Jeff Bower) e ainda precisou lidar com um insatisfeito Chris Paul. Só que, desde a sua chegada, Monty conseguiu instituir a filosofia de jogo baseada em uma defesa forte e no coletivismo ofensivo. Precisamos reconhecer que ele foi muito bem sucedido, pois, desde então, a nossa defesa passou a ser considerada uma das melhores da NBA e se tornou o nosso principal diferencial competitivo. Se levarmos em consideração a média de pontos cedidos ao adversário, o trabalho defensivo do Monty é ainda mais visível. Na temporada passada, cedemos apenas 94 pontos em média para os nossos adversários, e isso significa que, nesse aspecto, fomos a melhor defesa da Conferência Oeste e a quinta melhor de toda a NBA! Nessa temporada, diminuímos essa média para 93.4 pontos. Quando ele assumiu o time, a média era de 102.7 pontos cedidos. Por isso, não há como contestar um treinador que, na minha opinião, possui uma mentalidade correta de basquete e conseguiu implantá-la a curto prazo.

Lucas Ottoni: O Monty vem realizando um excelente trabalho. Logo em sua primeira temporada como técnico, ele alcançou os playoffs com o Hornets, bateu o recorde de vitórias consecutivas da franquia (foram 10 seguidas, creio eu) e implantou uma mentalidade defensiva que vem dando certo. Além disso, os jogadores o respeitam e gostam dele. É claro que nem tudo é perfeito, e ele também comete os seus erros. Às vezes, eu não concordo com algumas das suas escalações e mudanças no time ao longo das partidas. Sem contar o fato de que a equipe do Hornets não tem apresentado um bom trabalho ofensivo. No entanto, o Monty é jovem (apenas 40 anos) e tem tudo para se tornar um dos grandes treinadores da NBA. É muito bom tê-lo conosco no comando dessa reconstrução do elenco.

2 – Que jogo do Hornets você destaca como o melhor nessa temporada, até o momento?

Rodrigo Goulart: Gostei muito do jogo recente que fizemos contra o Dallas Mavericks e também daquele contra o Boston Celtics, no início da temporada. A vitória de 97 a 92 diante do Dallas foi ainda melhor, por ser exatamente o Dallas (haha). Contra o Celtics, nós mostramos um jogo que fez a gente chegar a pensar: “Quem precisa de Chris Paul e David West? Jogamos bem demais”. Pena que isso não foi à frente...

Léon Oliveira: Para mim, foi Hornets vs Magic, lá no fim de janeiro. Nós simplesmente anulamos os “pedreiros” de Orlando. Vencemos por 93 a 67, foi um massacre! No time deles, só o Dwight Howard mesmo é que jogou bem. O cara é imparável.

Jardel Barros: Eu destaco a nossa vitória diante do Boston Celtics, pela segunda rodada da temporada regular. O resultado de 97 a 78 mostrou que tudo deu certo para nós e que tudo deu errado para o Celtics. O nosso time inteiro foi muito bem naquele jogo, e já sem o Eric Gordon. Aquela vitória representou uma esperança de que a temporada poderia ser boa, apesar das saídas de Chris Paul e David West. Só que essa esperança – por motivos extra-quadra – não se concretizou no decorrer do campeonato. Infelizmente, é claro.

Lucas Ottoni: Na minha modesta opinião, não há outra que não a nossa vitória sobre o New York Knicks, em pleno Madison Square Garden, no último dia 17 de fevereiro. O Hornets foi quem acabou com a invencibilidade da tal “Linsanity”, ao derrotar o Knicks por 89 a 85. O ginásio estava lotado, os caras vinham de sete vitórias consecutivas e todo mundo achava que o Hornets seria a próxima vítima do Jeremy Lin. Nesse jogo, os zangões surpreenderam muita gente. Foi a nossa vitória mais emblemática na temporada, até o momento.

3 – E que jogo do Hornets você destaca como o pior nessa temporada, até o momento?

Rodrigo Goulart: Eu me lembro que tivemos uma derrota em casa para o Phoenix Suns, por 120 a 103, no início do mês passado. E também teve aquela paulada de mais de 20 pontos (90 a 67) que sofremos diante do Chicago Bulls. Parece que nós nem entramos em quadra naquele jogo contra o Chicago, foi horrível. E contra o Suns, o nosso time teve um quarto período tenebroso. Então, eu destaco esses dois jogos.

Léon Oliveira: O nosso pior jogo foi aquele contra o Chicago Bulls, em que perdemos por 90 a 67. Nós jogamos em casa e fomos muito mal naquela noite. Nada deu certo, e o time não se encontrou em quadra, as bolas simplesmente não caíam. Tomamos um verdadeiro baile de Boozer e cia. e ainda vimos o Derrick Rose descansar no banco de reservas durante boa parte do jogo. Aquilo foi terrível.

Jardel Barros: Acredito que os jogos do mês de janeiro e da primeira metade de fevereiro foram aqueles que marcaram o período mais difícil para o time no campeonato. Tivemos muitos problemas, as lesões em jogadores importantes, o afastamento do Chris Kaman, etc. Nesse período, eu destaco a derrota de 94 a 72 para o Atlanta Hawks, em 29 de janeiro. O nosso desempenho foi muito ruim naquele jogo. Aquilo resumiu bem a bagunça em que a franquia estava mergulhada. Depois, o time foi ganhando uma nova forma e melhorando, com Vasquez, Belinelli, Ariza, Ayon e Kaman atuando como titulares.

Lucas Ottoni: Nós tivemos um jogo horrível contra o Chicago Bulls, em New Orleans, no dia 08 de fevereiro. Teve um outro muito ruim diante do Toronto Raptors, na semana passada. E os nossos dois últimos, contra Indiana Pacers e Portland Trail Blazers (esse jogo acabou agora há pouco), também não foram nem um pouco legais. Mas eu vou destacar a derrota para o Bulls mesmo. Os caras vieram na nossa casa e nos sacudiram: 90 a 67. Foi um negócio muito feio aquilo.

4 – O pivô Chris Kaman vem jogando muito bem e conseguindo duplos-duplos em quase todas as partidas. Diante desse panorama, você acha que ele deve ser trocado?

Rodrigo Goulart: Eu acho que sou o mais contra essa troca. Tínhamos é que trocar o senhor Emeka Okafor, simples assim. E o motivo, todos nós já sabemos. Emeka está há quase três anos no Hornets e mostrou muito pouco, de lá para cá. É um bom defensor, mas, embora tenha melhorado no ataque ultimamente, não tem a mesma qualidade do Kaman. O alemão é mais jogador que o Okafor. Por isso, eu o manteria no nosso time.

Léon Oliveira: Eu não acho que o Kaman deveria ser trocado. Ele, saudável e motivado, é All-Star. Mas como o Monty Williams prefere defesa ao ataque, o Kaman deve sair e o Okafor ficar. Acho que, em termos de pivô, nós sairemos perdendo demais com isso.

Jardel Barros: Precisamos analisar a situação do Kaman em dois aspectos distintos: o técnico e o financeiro. Pelo ponto de vista técnico, Kaman está obtendo bons resultados ofensivos de modo a cobrir com qualidade a lacuna aberta com a saída do David West. No entanto, defensivamente ele é um jogador que precisa evoluir, pois ainda permite muitos pontos fáceis ao adversário e acaba comprometendo o trabalho defensivo implantado pelo Monty Williams. Por isso, apesar de sua limitação ofensiva, o Emeka Okafor cumpre uma função tática fundamental dentro do esquema do nosso treinador. A pergunta central aí é a seguinte: devemos optar pelo talento ofensivo do Kaman e abrir mão da filosofia defensiva que está dando certo? Bem, o ideal seria manter Kaman e Okafor, mas, financeiramente, isso é inviável. Ambos ganharão cerca de U$ 25 milhões esse ano, ou seja, quase a metade de toda a folha de pagamento da equipe. Pagar esse valor a dois jogadores é algo surreal. Aí, vem uma outra pergunta: o que é mais fácil? Trocar um Okafor sem talento ofensivo e com um contrato mais longo, ou um Kaman, que é mais talentoso e tem um contrato expirante? Portanto, o mais provável é que o alemão seja trocado. Eu acho inevitável que isso aconteça.

Lucas Ottoni: Olha, é importante saber o que a franquia pretende com essa possível troca envolvendo o Kaman. O objetivo é cortar gastos e conseguir escolha(s) no draft? É obter jovens jogadores, mais baratos e promissores? Ou o Hornets pretende receber em troca um outro grande jogador? Nós ainda não sabemos, então é difícil dizer se a saída do Kaman será boa ou ruim. Então, vamos trabalhar com o que temos em mãos, isto é, o desempenho do alemão. O fato é que o Kaman vem jogando muitíssimo bem, e eu quero sempre os melhores jogadores no meu time. Mas é fato também que o Hornets não conduziu bem o caso do alemão, ao afastá-lo e depois reintegrá-lo ao elenco. Faltou habilidade para lidar com o jogador, creio eu. Diante disso, eu vejo que a chance de ele pensar na possibilidade de renovar o seu vínculo com a franquia é nula. Portanto, a única saída é a negociação até o dia 15 de março. Caso contrário, perderemos um excelente jogador no fim da temporada (ele é expirante) e não receberemos nada em troca. Isso seria lamentável, pois, apesar do alto salário (cerca de U$ 14 milhões / ano), o alemão é o melhor pivô que já passou pelo Hornets, desde a saída de Tyson Chandler.

5 – Recentemente, o pivô Andrew Bynum (Los Angeles Lakers) declarou em uma entrevista que não tem a menor intenção de jogar em New Orleans, caso se torne agente livre. Na sua opinião, foi correta a atitude desse jogador?

Rodrigo Goulart: Para mim, é um jogador que, se jogasse em outro time, não teria o nome que tem hoje. Não consigo gostar tanto do Bynum. Acho que, do mesmo jeito que ele não tem a intenção de jogar em New Orleans, o Hornets não iria querer ele também. Aliás, um recadinho para o Bynum… Chris Paul mandou um abraço, ok?

Léon Oliveira: Enquanto não tivermos um dono, eu acho que não é nenhum absurdo o Bynum pensar assim. Tudo em New Orleans é muito estranho, a franquia é muito bagunçada, e um grande jogador não gosta de atuar em um time sem dono e com ambições modestas. Mas, se Deus quiser, teremos um dono em pouco tempo, e aí as glórias virão.

Jardel Barros: Eu acredito que o jogador profissional é um trabalhador e possui o direito de expressar as suas opiniões laborais. Apesar de deselegante e – por se tratar de um jogador do Los Angeles (grande mercado) Lakers – arrogante, o atleta precisa defender os interesses de sua carreira. Por mais que torçamos pelo Hornets, precisamos reconhecer que somos uma franquia intermediária. Então, vamos nos colocar na posição do Bynum: sair de uma franquia bem estruturada, rica, localizada em um lugar com grande visibilidade da mídia e competitiva esportivamente, para uma outra pobre, desestruturada, sem visibilidade e pouco competitiva, seria uma regressão em sua carreira. E o que o Bynum fez foi defender os seus interesses, apesar de, por vezes, usar declarações impopulares.

Lucas Ottoni: Eu creio que o Bynum, provavelmente, respondeu ao questionamento de algum repórter sobre New Orleans. Eu não acho que ele iria falar o que falou de forma premeditada, tipo: “eu vou aproveitar que tem um microfone aqui e vou dizer a todo mundo que eu acho o Hornets horrível e que eu nunca jogarei lá”. Não foi por aí. Ele apenas respondeu o que perguntaram a ele. Contudo, eu acho que é pouco inteligente um jogador profissional falar coisas desse tipo, ainda mais em se tratando de um jogador da NBA. Todo mundo sabe que o mundo da NBA é totalmente imprevisível. Hoje, você está jogando com a camiseta de uma cidade, e, no dia seguinte, pode estar dentro de um avião se mudando para outra. Portanto, não é muito conveniente o cara “fechar portas” sobre algo em que ele simplesmente não tem o controle.

6 – O Hornets deve ter um novo dono muito em breve. E, ao que tudo indica, permanecerá em New Orleans. Você acredita que, acontecendo isso, a franquia conseguirá atrair grandes jogadores e formar um time para ser campeão?

Rodrigo Goulart: Eu espero que consiga atrair. Quando tínhamos um dono, montamos um time que poderia ter sido campeão (2007-08). O Carl Landry falou que renova o seu contrato, se tivermos um dono e colocarmos as coisas no lugar. O David West saiu depois de dizer que a franquia era uma zona. O contrato dele é de duas temporadas com o Pacers, e ele até poderia voltar. Quem sabe? É assim que as coisas começam, com um dono disposto a investir e com picks altas no draft. Fazendo um bom draft, renovando com o Eric Gordon, trocando Kaman ou Okafor, eu acho que estaremos no caminho certo.

Léon Oliveira: Eu, como torcedor, espero que os All-Stars olhem com mais “carinho” para o Hornets e tenham algum interesse de jogar em New Orleans. Mas sei que a nossa realidade é outra, e acho que o nosso All-Star virá do draft. Essa é a nossa saída, no momento. Depois, no futuro, a gente pensa em voos mais altos. Antes de sonharmos com título, ainda temos muita coisa para arrumar. Começando por um dono.

Jardel Barros: Absolutamente não. A permanência do Hornets em New Orleans ratificará o nosso papel de franquia intermediária por muitos anos, a não ser que aconteça o mesmo que aconteceu com o San Antonio Spurs: uma geração de jogadores leais, altruístas, uma organização bem alinhada, uma filosofia de jogo bem definida, uma liderança forte e um bom trabalho de draft e desenvolvimento de talentos. Atualmente, jogadores altruístas são algo em extinção. Vivemos tempos em que os grandes jogadores se unem para “fundar clubinhos” com amigos talentosos. E a questão da Louisiana é muito delicada, é um mercado estagnado, principalmente após a tragédia do Furacão Katrina. Como a NBA é um negócio, isso se aplica diretamente à franquia da cidade. Portanto, uma cidade que não cresce e é considerada apenas intermediária no panorama nacional obterá um time apenas intermediário. Uma cidade como essa tem espaço para apenas uma equipe grande. E essa equipe é o New Orleans Saints (da NFL).

Lucas Ottoni: A obtenção de um novo dono é absolutamente vital para o Hornets. Esse é o primeiro ponto, pois tiraria a franquia das mãos da NBA e nos daria autonomia novamente, além de evitar futuras críticas e “choradeiras” de sujeitos como o Mark Cuban. O segundo ponto é o quanto esse novo dono estaria disposto a investir na formação de um time vencedor, que possa atrair o público local e a mídia também. E o terceiro ponto – e não menos importante – é a organização, o planejamento e a estrutura da franquia, pois não adianta você gastar dinheiro de forma mal planejada, correto? Nesse sentido, eu me espelho no modelo do San Antonio Spurs. É uma franquia vencedora e está dentro de um mercado que pode ser considerado intermediário. Então, qual é o segredo deles? Estrutura, planejamento, desenvolvimento, organização e um punhado de sorte também. Eles conseguiram uma estrela como o Tim Duncan e fizeram todos os movimentos corretos para formar um time vencedor em torno do cara. Sempre encontram os jogadores ideais nos drafts (mesmo na xepa), sempre desenvolvem jogadores para o futuro e estão sempre colhendo bons frutos. Cada movimento do Spurs tem um propósito, parece que eles estão um passo à frente de muitas outras franquias. E eu acho que o Hornets deveria tentar seguir esse modelo. Aí, a formação de um time campeão será mera consequência, algo que vem a reboque.

Pronto, finalizamos o segundo debate no Brazilian Hornet. Eu aproveito para deixar os meus agradecimentos aos bravos Jardel, Rodrigo e Léon. Vocês abrilhantaram este nosso post! E espero que os leitores tenham gostado. Quem quiser discordar de alguma coisa que foi escrita, ou mesmo expor as suas próprias opiniões, é só escrever aí embaixo, nos comentários. Seria uma bela maneira de prolongarmos um pouquinho estes assuntos abordados. Até o próximo debate!


 FERROADAS

* HORNETS @ KINGS: Os zangões voltarão à quadra, à meia-noite de quarta para quinta-feira, 08/03 (horário de Brasília). O adversário é a equipe de Sacramento, e o duelo acontecerá no Power Balance Pavilion, na Califórnia. O Brazilian Hornet deve acompanhar, via Twitter. Siga o BH e fique por dentro de tudo o que acontecerá ao longo da partida. Ah, e eu não esqueci do joguinho de ontem, contra o Blazers. Falarei sobre ele no nosso próximo post, que irá ao ar após o duelo com os Reis. Se liga, Monty…

UM TIME RESIGNADO?

Trevor Ariza e Greivis Vasquez batalham, mas perdem mais uma

* Por Lucas Ottoni

Na última madrugada (de Brasília), o New Orleans Hornets conheceu a sua 23ª derrota (oitava consecutiva), em 27 jogos. O time caiu diante do Portland Trail Blazers (15-12), que fez 94 a 86, em plena New Orleans Arena.  A impressão que eu tive foi a seguinte: os zangões equilibraram a partida até onde foi possível. Cedo ou tarde, o Blazers iria dar a arrancada para a vitória, e foi exatamente isso o que aconteceu. Com os recentes desfalques de Jarrett Jack (lesão no joelho esquerdo) e Jason Smith (concussão), o Hornets entrou em quadra com o seguinte quinteto: Greivis Vasquez, Marco Belinelli, Trevor Ariza, Gustavo Ayon e Emeka Okafor. À exceção de Ariza, que esteve ótimo, os demais titulares deixaram a desejar. Vasquez foi muito bem marcado e não conseguiu repetir as boas exibições de jogos anteriores. Belinelli teve uma atuação sem brilho, mesclando boas jogadas com momentos de total inconsistência. Ayon ainda está aprendendo a ser titular de um time da NBA e, portanto, não dá para cobrar uma atuação de gala desse jogador. E, por fim, Okafor. Esse cara vem evoluindo no ataque (já era tempo!), mas ainda comete erros demais, sobretudo em momentos decisivos dos jogos. Comandados por Al-Farouq Aminu, os reservas até trouxeram alguma pontuação do banco (foram 30), mas nada tão bom que impedisse o tropeço. No fim do jogo, o técnico Monty Williams  disse (ao site NOLA.com, do jornal The Times-Picayune):

Vejo caras que lutaram, que competiram, que foram colocados em uma situação difícil e batalharam toda a noite. Agora, eu tenho orgulho de ser parte de um grupo de rapazes que lutam, não importa qual seja a situação“.

Gustavo Ayon não teve uma noite feliz

Eu acho esse discurso agregador muito legal, sério mesmo. E eu não só gosto, como concordo com o treinador. O Hornets é um time que tem lutado todas as noites. Entretanto, eu também vejo uma certa resignação nessas palavras do Monty Williams. Algo do tipo: “Já que nós não temos condições de ganhar, vamos, pelo menos, lutar”. É isso aí o que eu penso. Estamos satisfeitos em, simplesmente, lutar. É claro que o nosso técnico sabe das limitações e das condições do atual elenco. Afinal, é muito difícil você jogar sempre desfalcado, mudando constantemente o seu quinteto titular, mexendo na estrutura e na rotação da equipe. Não é mole, amigo. Além disso, os zangões têm muitos jogadores jovens, que estão em processo de evolução.  Diante desse quadro, o Monty Williams está mostrando sabedoria e serenidade, usando as palavras certas para levantar o astral do seu grupo. Só que vencer, de vez em quando, também é importante. É a melhor demonstração de força que podemos ter, nesse momento. Ganhar jogos, para nós, é o mesmo que dizer: “Olha aí. Estamos mal, mas estamos vivos, evoluindo”. E o que me preocupa é justamente esse ar de resignação, de achar que a luta é o máximo que podemos conseguir. Isso não é nada bom. Eu posso até estar enganado (e espero estar enganado), mas é o que eu enxergo hoje.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida

Por outro lado, o Blazers contou com a bela atuação do ala-armador reserva Jamal Crawford (cestinha do jogo, com 31 pontos), além das exibições sólidas do armador Raymond Felton, do ala Gerald Wallace e do ala-pivô All-Star LaMarcus Aldridge. É um time mais experiente, mais talentoso e mais pronto que o nosso. Por isso, venceu. Para o Hornets, sobrou a luta e a doação em quadra. Isso é louvável, mas não pode ser nunca o suficiente. Ainda temos 39 jogos para mostrar que podemos avançar e superar adversários mais qualificados. É difícil? Sim, ninguém disse que seria fácil. Mas não podemos nos resignar, nos conformar. Jamais.

No vídeo abaixo, os highlights da derrota do Hornets:

OBS: Em homenagem ao famoso carnaval de New Orleans, que rola no mês de fevereiro, o Hornets atuou com o uniforme versão Mardi Gras pela primeira vez nessa temporada. Eu não tenho nada contra, mas conheço gente que o acha simplesmente horrível. É aquilo: gosto não se discute, não é mesmo?


 FERROADAS

* A SITUAÇÃO DE KAMAN: O pivô alemão, que está (ou estava) para ser trocado pelo Hornets, acabou torcendo o tornozelo esquerdo, na última quarta-feira, no jogo contra o Chicago Bulls. Os zangões têm até o dia 14 de fevereiro (próxima terça-feira) para fecharem um comércio envolvendo o jogador. Contudo, essa lesão pode complicar os planos da franquia. Afinal, quem fará ofertas por um atleta contundido? O jeito é torcer por uma pronta recuperação dele. Para o bem do Hornets e do próprio Kaman.

* NOVIDADE: No post de amanhã, traremos as opiniões de uma turma da pesada, a respeito do atual momento do New Orleans Hornets. Seis perguntas serão respondidas por essa galera que acompanha o nosso time. Não percam!