E SEGUE O CALVÁRIO…

A fisionomia do Marco Belinelli diz tudo: o Hornets não sabe como vencer os jogos

* Por Lucas Ottoni

Ninguém pode dizer que o time do New Orleans Hornets não está batalhando com todas as suas forças dentro de quadra. Os jogadores lutam, se sacrificam e até mostram união e vibração durante as partidas, mesmo com os resultados ruins ocorrendo em sequência, uma noite após a outra. O fato é que nada vem dando certo para os zangões, nesse momento. Além dos desfalques (estou olhando para você, Eric Gordon), a equipe vem mostrando uma série de limitações em seu jogo (tanto coletivas, quanto individuais) e não tem conseguido buscar as vitórias. Alguns jogadores vivem uma péssima fase, não estão rendendo o que podem, e isso vem se refletindo na nossa campanha: 3 -12 (com 1 triunfo e 12 derrotas, nos últimos 13 jogos!). Nesta madrugada, fomos ao Toyota Center e fizemos uma partida equilibradíssima com o Houston Rockets (8-7). Levamos para a prorrogação e chegamos a estar vencendo, por 88 a 83, com menos de 2 minutos no relógio. Entretanto, sofremos a virada, e os donos da casa festejaram: 90 a 88. Na noite anterior, outro tropeço. Dessa vez, foi o Memphis Grizzlies (7-6) quem nos superou, dentro da New Orleans Arena: 93 a 87. Quer dizer, mais um back-to-back terrível. E segue o calvário…

No vídeo abaixo, os highlights da derrota sofrida na prorrogação:

Das 66 partidas dessa temporada regular, 15 já foram disputadas. Vamos voltar no tempo e relembrar rapidamente a caminhada do Hornets até aqui: começamos o campeonato com duas vitórias (uau!), e depois perdemos seis partidas consecutivas. Aí, vencemos o Denver Nuggets e, em seguida, acabamos de perder mais seis jogos.  Se der a lógica sequencial, venceremos a próxima peleja, diante do campeão Dallas Mavericks, em New Orleans. Ok, claro que isso é bobagem. Mas o que eu quero dizer é que, em todos esses duelos, eu não me lembro de ter visto o Hornets sofrer sequer uma derrota acachapante, humilhante. E olhem que eu assisti a 14 desses 15 jogos! Vi um time lutador, vibrante, que não desiste. Um time que sofreu poucos pontos na maioria dessas partidas, que vendeu caro muitas dessas derrotas. Os adversários tiveram que correr para nos arrancar os resultados positivos. Sim, eu estou olhando para tudo o que nos aconteceu até o momento e procurando analisar isso por um prisma otimista. Só que as vitórias não estão vindo, a falta de qualidade do nosso elenco (principalmente no ataque) começa a saltar aos olhos e todo o esforço em quadra não tem sido suficiente. E segue o calvário…

Derrota dolorosa de um time brigador

Não vou me alongar sobre essas derrotas para Grizzlies e Rockets, pois os motivos que as ocasionaram são, basicamente, os mesmos de sempre: erros infantis no ataque, desentrosamento, imaturidade, falta de uma referência nos momentos decisivos, aproveitamentos baixíssimos em determinados fundamentos, e por aí vai. O Hornets tem um time brigador e valente, disso eu não tenho a menor dúvida. Contudo, ainda me parece um pouco inseguro, em busca de um rumo dentro do campeonato. Estamos lutando contra as nossas limitações em quase todas as noites, estamos procurando descobrir meios de melhorar e acertar dentro das próprias partidas. Também vale lembrar que, dos 15 atletas que compõem o nosso roster, nove chegaram há apenas dois meses (ou menos). Não temos uma equipe pronta, entendem? E a NBA é uma liga onde só os elencos prontos, “cascudos”, conseguem se sobressair. Times em formação, geralmente, sofrem bastante. E o técnico Monty Williams (eu continuo fã desse cara!) sabe muito bem disso. Ele parece buscar algo (um padrão para a sua equipe) que ele ainda não sabe direito como encontrar. A gente tem visto muitas mudanças na rotação, substituições que não surtem o efeito desejado (algumas vezes, na hora errada), mexidas aqui e ali que acabam prejudicando o entrosamento do time, e até apostas salvadoras que não se concretizam. O fato é que o nosso treinador demonstra que ainda está descobrindo essa equipe, e como tirar o melhor dela. O Kaio Kleinhans, do blog Hornets Brasil, uma vez escreveu que tudo isso faz parte de um processo (e eu concordo totalmente). Os zangões perderam as suas referências de anos (estou olhando para vocês, Chris Paul e David West) e começam um novo trabalho, com pouquíssimo tempo de preparação. E todo mundo sabia que não seria fácil. Estamos aprendendo na base da pancada, em meio aos jogos mesmo. É uma oportunidade de crescer, de ganhar maturidade (como time), e isso é bom. Por outro lado, as derrotas acabam se sucedendo. É o preço a ser pago. E segue o calvário…

Ariza retornou contra o Grizzlies

Não estou aqui para crucificar os nossos jogadores (quando eu os critico, é no calor das partidas) e nem, tampouco, o trabalho do técnico Monty Williams. Como o amigo Kaio disse, isso é um processo. E estamos no início dessa nova caminhada. Tudo o que está acontecendo – embora eu pense que já podíamos ter melhorado em alguns aspectos do jogo, como o setor ofensivo – faz parte desse processo. Uma campanha 3-12 obviamente é muito ruim, mas o nosso time não tem jogado tão mal e não tem sido vencido com tanta facilidade assim, apesar de suas limitações técnicas. Falta qualidade, falta entrosamento e até um pouco de padrão, concordo. Mas estamos iniciando um trabalho, e eu acho legal nos segurarmos naquilo que temos mostrado de bom (a luta, a garra, a vontade, a união e, sobretudo, a defesa sólida). Eu sei que isso não é o suficiente, mas é um começo. No dia em que conseguirmos nos acertar e descobrirmos o jeito de buscar vitórias com mais frequência (e eu acredito que isso acontecerá ainda nessa temporada), começaremos a perceber que o início doloroso já apresentará alguns resultados compensadores. E seguindo nessa linha, a tendência é crescer com o passar do tempo. Aliás, por falar nisso, ainda há 51 jogos pela frente. Provavelmente, sofreremos mais um pouco, faz parte do processo. E o calvário seguirá…

* Box Score (com vídeos): contra o Grizzlies / contra o Rockets

Ah, mas um dia nós vamos pegar ele (o tal calvário), encará-lo de frente (como o time já vem fazendo) e bloqueá-lo, no melhor estilo Emeka Okafor! Brincadeiras à parte, o mau momento não vai durar para sempre. Principalmente, quando o trabalho é sério (estou olhando para você, Monty Williams). Por isso, eu continuo otimista e confiando na evolução dessa jovem equipe do New Orleans Hornets. Pode demorar um pouco, e a gente ainda vai ver aqueles problemas e defeitos em quadra. Mas não se desanime agora: algo muito bom está a caminho. Eu acredito. E você?


 FERROADAS

* HORNETS VS MAVERICKS: Os zangões voltarão à quadra, neste sábado (21/01), às 23h (de Brasília). O adversário é o forte Dallas (atual campeão da NBA), e o duelo acontecerá na New Orleans Arena. O Brazilian Hornet só será atualizado no domingo (22/01), e nós não acompanharemos a partida, via Twitter. Tenham um bom fim de semana!

* CONTINUE VOTANDO…: A eleição dos quintetos do Oeste e do Leste para o All-Star Game 2012 segue firme e forte. Clique aqui e dê aquela força aos jogadores do Hornets!

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10 pensamentos sobre “E SEGUE O CALVÁRIO…

  1. É Lucas. mantenho oq eu disse, td reformulaçao é complicada. Mas pra mim esta mais evidente q o Monty, eo Demps tao querendo potencializar nossa PICK. Nao tem outro sentido, essas derrotas, trocas.
    Monty nao teria o pq ficar mudando tanto, testando formaçoes. Oq temos de melhor hj é:
    Jack, Beli, Ariza, Landry e Kaman. Com Vasquez e Smith vindo como role players.
    Nao coloquei o Gordon pq ta machucado
    O certo seria esses ae ficarem o maximo de tempo na quadra, tanto pra se entrozarem, qt pra render melhor. Mas estamos vendo isso??? NAO
    Ou seja, axo q o Monty nao esta tao preocupado em vencer.
    Respeito quem nao concorda, mas axo q é isso q esta acontecendo.

    E outra, repito, falta um armador. Nao é somente culpa do Jack. Mas se nosos problema é o ataque como td mundo diz, pq o Jack nao faz render mais o Landry e o Kaman??? q sem o Gordon, sao os 2 melhores ofensivamente???
    Nao sou o dono da verdade, mas acredito mt estar certo sobre isso

  2. Fala, grande Kaio. Eu não sei mesmo se existe essa situação de potencializar pick. Nenhum profissional gosta de jogar e perder em todas as noites. É difícil acreditar que o Monty Williams, o Dell Demps e os jogadores estejam conformados com isso. É só vermos as reações do grupo, a vibração quando o time consegue acertar. É um início de trabalho, e eu ainda creio que o técnico está buscando uma formação ideal, embora eu concorde que os melhores têm que ficar mais tempo em quadra, e isso realmente não tem acontecido. Essa é a única restrição que eu tenho ao trabalho do Monty Williams, até aqui. Mas acho que, com o tempo, as coisas se acertam, o Landry voltará com tudo e o time estará mais certinho.

    Sobre o Jarrett Jack, eu concordo. Ele é um combo guard, não é um PG puro e/ou um armador cerebral, que organiza o time. Temos sofrido com isso, sim. Apesar das ótimas aparições do Jack no setor ofensivo, ele não tem esse sentido de organização da equipe dentro de quadra, como o Chris Paul tinha. E o Greivis Vasquez, apesar de ter um passe melhor que o do Jack, também não me parece um PG que faça o time rodar (acho até que chegou a jogar de SG, quando era universitário, lá em Maryland). Ele tem talento, mas ainda não está pronto para assumir essa responsabilidade de armar o time (talvez, um dia). O Vasquez, se bem trabalhado, pode até cumprir bem essa função. Contudo, nunca com a qualidade de um PG de elite, aquele cara que arma o time, organiza a casa e coloca sempre os companheiros em condições privilegiadas durante as partidas. Tanto Jack, quanto Vasquez, parecem ser jogadores que preferem criar o próprio arremesso ou realizar jogadas individuais. Não são organizadores (apesar do Vasquez ser um bom passador). E temos também o “Squeaky” Johnson, que já tem 29 anos e ainda está sentindo o que é a NBA. Ele não está pronto para receber tantos minutos e não me parece ser o cara para assumir a nossa armação. Então, temos essa carência no nosso elenco. É a falta que faz o CP3… rs

    E me desculpe por ter escrito demais, novamente… rsrsrs

    Aquele abraço!

  3. Perfeito de novo Lucas. Axo q os jogadores querem ganhar. Mas parece q o Monty quer colocar um formaçao mais ou menos, e nao a melhor. Sei la, estranho.
    Do Jack, é isso. É oq ele sabe fazer. Mas axo q seria melhor pr agente, se ele contribuisse mais pros outros jogadores. Ao invez dele fazer 27 pontos e o resto menos, ele fazer 15, 18, e o landri 18, o Kaman 15. Axo q seria melhor.
    O Vasquez axo q pode ser melhor quanto a isso, mas tbm nao é e dificilmente sera um Playmaker. Desde a NCAA, ele teve seu jogo centrado em pontuar tbm, msmq tenha uma boa qualidade de passe.
    Precisamos de um PG puro msm, pro ano q vem, pq esse ano, axo q a casa caiu ja.

  4. Verdade, Kaio. Sobre a questão do armador, eu concordo plenamente com você. Em relação ao time, eu prefiro esperar, pelo menos, até que metade da temporada regular esteja percorrida. Não quero julgar o Monty Williams antes disso. Ainda acredito que o time se acerte. Claro, não vamos sair ganhando de todo mundo e chegar aos playoffs tranquilamente. Mas acho que podemos evoluir. E quando o time descobrir maneiras de tirar vitórias, a campanha será melhor. Acho, inclusive, que não merecíamos esse 3-12. Mas, enfim, é só a minha opinião.

    Abraço!

  5. Pô, não dá pra crucificar o Monty, o cara tá se virando com o que tem (leia-se BELINELLI e OKAFOR) por enquanto. Isso é até bom em algumas partes, pq ele vai dando minutos pros jovens jogadores irem evoluindo, para que nas próximas temporadas, juntamente com os jogadores que virão do draft, estarem “prontos” pra NBA. Só não entendo o tempo que o Landry vem tendo. Sem o Gordon, ele é o nosso melhor jogador, e jogar 9 minutos é muito pouco !

    Essa temporada vai ser dificil tanto pro Monty quanto pros jogadores, por isso não os culpo (menos o Belinelli, que é um safado :P).

    abçs

  6. Eu também penso assim, Léon. Claro, essa questão do Landry é mesmo estranha. De repente, pode estar acontecendo alguma coisa que a gente não saiba. Mas o Monty está tentando encontrar um time. Por conta do locaute, não houve tempo para os jogadores, sequer, se conhecerem direito. Lembra do caso do Vasquez? Chegou, nem treinou e já foi jogar. É complicado montar uma equipe assim, da noite para o dia. Por mais que o Monty tenha algumas decisões que a torcida não entenda (e não concorde), é ele quem está com os caras lá no dia a dia. Acho que ele ainda está buscando uma formação ideal, ainda está observando os jogadores que ele tem à disposição. Espero que tudo melhore com o tempo.

    Abço!

  7. Eric Gordon tem até quarta para decidir se vai ou não assinar a extensão contratual. “Estou muito aberto a uma extensão de longo prazo”, disse Gordon. Caso não assine uma extensão contratual até a próxima quarta-feira, ele vai estar livre para negociar ao término da atual temporada. E daí surge o Pacers na história. Eles tem espaço salarial pra fazer uma boa oferta para o nosso camisa 10. Cara, se ele não assinar, o Hornets é obrigado a ter uma escolha no Top 5 do Draft. Já pensou se ele vai pro Pacers? Com quem nós vamos se reconstruir? Só pegando um novato de muita qualidade. Pq, se ele ficar, beleza, daí eu concordo com você, draft será consequência, mas e se ele for embora? Abs.

    • Fala, grande André. Sobre o Gordon, é aquilo. Precisamos saber o quanto ele vale. O que eu quero dizer com isso? Simples: o talento desse jogador é indiscutível, mas ele tem uma carreira marcada por algumas lesões (isso, desde os tempos de Clippers). Então, será que vale a pena oferecer um mega-contrato a um jogador que não sabemos se estará saudável por longo tempo? O Gordon atuou somente em 2 dos 16 jogos que fizemos nessa temporada. É muito pouco! E o Hornets já vai sair oferecendo uma fortuna a ele? Sei lá, acho um risco (lembra do Michael Redd?). Por outro lado, ele (saudável) seria uma peça muito importante para construirmos uma equipe vencedora. Se o Dell Demps oferecer a ele um contrato bom, mas “pés no chão”, e ele acreditar no projeto e topar, ótimo. Será muito bom mantê-lo conosco. Desde que ele jogue, é claro. Eu acho que um contrato de U$ 36 milhões por 4 temporadas já estaria de ótimo tamanho. Dar um contratão a um cara que jogou só 2 jogos, e que não sabemos como estará o joelho dele no futuro, pode ser um enorme erro. Mas é só uma opinião, tá? Não quero que a gente perca o Gordon, mas não podemos oferecer um contrato insano a ele nessas atuais condições, né?

      Abraço!

  8. Outro problema do Hornets, é que o time sempre sai perdendo. Pode ver, sempre é nós que temos que correr atras no placar. Todo jogo, é impressionante.

    • É verdade, André. Isso vem acontecendo nas últimas partidas. Às vezes, o time demora a se acertar no jogo. Típico de uma equipe que ainda está em formação, buscando as condições ideais. Vai levar um tempinho para ajeitarmos essas coisas. Paciência… rs

      Abço!

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