A ESCOLHA DE AUSTIN RIVERS

O ala-armador de Duke foi mesmo a melhor opção para o Hornets?

* Por Lucas Ottoni

A poeira do draft já baixou, e todos estamos olhando para as movimentações das equipes da NBA em busca de reforços no mercado de agentes livres, isto é, aqueles jogadores cujos contratos venceram e que, por isso, estão aptos a assinar com qualquer franquia. Contudo, eu ainda me sinto obrigado a falar sobre o jovem Austin Rivers, ala-armador selecionado pelo New Orleans Hornets na noite de 28 de junho. Assim que o comissário da liga, David Stern, anunciou o nome do garoto de 19 anos na escolha de número 10, eu me peguei pensando: “Puxa, será que foi a melhor opção?”. É óbvio que a aquisição do Rivers não chegou a me surpreender, mas me causou um certo receio, confesso. Nos parágrafos abaixo, eu vou tentar explicar o porquê desse meu ceticismo em relação ao talentoso Austin Rivers…

Bom, em primeiro lugar, é preciso dizer que o Rivers é um jogador dos mais promissores. Medindo 1,93m de altura, ele é bastante ágil, possui uma enorme capacidade para pontuar e atacar a defesa adversária, e não costuma se omitir nos momentos decisivos das partidas. É o tipo de atleta que – por um lado – encaixa bem no Hornets, já que o nosso elenco mostrou carências ofensivas gritantes na última temporada. No entanto, o Rivers traz com ele um pacote que pode ser dos mais arriscados para um time como o nosso, que busca uma afirmação. Eu explico: ele parece ter um ego enorme, sempre foi o centro das atenções por onde passou, possui uma necessidade quase doentia de ter a bola nas mãos e não é o tipo de cara que se contenta em jogar para fazer a equipe dele melhor. Pegando tudo isso, todo esse talento e todas essas questões que ele pode vir a apresentar, não dá para dizer que a escolha dele vai agradar a todos. É aquilo: ame-o ou odeie-o. No meu caso, eu prefiro analisar o Austin Rivers no Hornets de uma maneira mais profunda, sem amor e nem ódio no coração. Senão vejamos…

Austin Rivers: talento e estrelismo?

Assim que o Rivers foi selecionado, o treinador do Hornets, Monty Williams, disse que a ideia dele era lançar o jovem produto da Universidade de Duke como um armador. Sim, uma espécie de combo guard (um mix de PG e SG). Dessa forma, o Austin “Rios” e o Eric Gordon (caso permaneça em New Orleans) poderiam coexistir em quadra. Uau! Eu só gostaria de saber o seguinte: como é que um jogador que nitidamente não possui a menor característica de armação – e que obteve média de apenas 2 assistências por jogo na universidade – poderá atuar como armador logo em sua primeira temporada na NBA? Se Rivers e Gordon jogarem juntos, quem terá a bola nas mãos? E quem é que irá armar, se é que alguém irá armar alguma coisa? Essa ideia do Monty Williams não ficou muito clara para mim. Na minha cabeça, o Austin Rivers foi selecionado justamente para ser o reserva do Eric Gordon. Um Sexto Homem, para entrar e colocar faísca nos jogos. Ele teria vindo para desempenhar um papel que poderia ser cumprido por qualquer atleta que possua o mínimo de talento ofensivo (Jamal Crawford? Marcus Thornton? Jason Terry?). Um backup (reserva) legal que sabe marcar pontos. E só. Honestamente, alguém aí acha que o Rivers pode jogar como armador principal do Hornets? Eu não consigo imaginar isso de forma alguma, e espero que o Monty Williams esteja só brincando, afinal os técnicos também merecem se distrair de vez em quando, não é mesmo?

* New Orleans Hornets Brasil: o Hornets e o draft de 2012

Um outro fato interessante – e que deve ter pesado para que o jovem Rivers fosse escolhido – é a proximidade entre Monty Williams e Doc Rivers, o técnico do Boston Celtics. Todo mundo sabe que o Austin é filho do Doc, que, por sua vez, foi companheiro do Monty na época em que ambos eram jogadores da NBA. E não é só isso. Doc chegou também a ser treinador do atual coach do Hornets entre 1999 e 2002. É pouca coisa? Claro que não. Vale dizer, inclusive, que o Monty Williams convive com o Austin Rivers desde que o ex-jogador de Duke era uma criança. É uma relação de longa data que reforça ainda mais essa opção que o Hornets fez com a sua 10ª escolha. Ah, eu não estou querendo ser maldoso aqui, hein? Não dá para afirmar que os zangões pegaram o Austin só por causa da relação antiga que ele possui com o técnico da franquia de New Orleans. O garoto é talentoso e sabe fazer belas cestas, mas essa proximidade pode ter influenciado na escolha sim, e como nós estamos tentando entender os motivos que levaram o Hornets a selecionar o Austin Rivers, não dá para omitir isso aí. O fator talento não foi o único a ser levado em consideração no momento em que o ala-armador foi anunciado como jogador do nosso time. Não mesmo.

O técnico Doc Rivers, do Boston Celtics, é pai do jovem jogador do Hornets

Durante o período de Workouts (treinos realizados pelas franquias com os atletas inscritos no draft), o Monty Williams cansou de falar que o Hornets necessitava de altura, tamanho e capacidade de pontuação embaixo da cesta. Inclusive, boa parte da imprensa de New Orleans apostava que a franquia fosse utilizar a 10ª escolha para selecionar um jovem pivô (Tyler Zeller? Andre Drummond? Meyers Leonard?), posição carente dentro do elenco dos zangões – principalmente após a saída do Emeka Okafor. Acontece que o Rivers teria impressionado nos treinos promovidos pelo Hornets, e aí houve o seguinte consenso dentro da organização: vamos pegar o maior talento disponível, independentemente das características do jogador ou das necessidades da equipe. Na minha modesta opinião, isso é um erro. Eu não concordo com a ideia de colocar o entusiasmo de um treino ou o grau de relação com um determinado jogador (sem querer ser maldoso) acima das necessidades ou carências de um elenco. Isso é o mesmo que se deixar levar pelas doces águas da emoção e esquecer completamente da tal razão. Resumo da ópera: para mim, está mais do que claro que a melhor opção para o Hornets com a 10ª escolha teria sido um pivô. É questão de necessidade, de ajuste. E o Austin Rivers não foi o melhor ajuste que o time poderia conseguir, principalmente em um draft que teve como principal atrativo a ótima qualidade dos homens de garrafão.

Austin Rivers e Anthony Davis

Com a escolha do Austin Rivers, o Hornets perdeu uma bela oportunidade de formar um garrafão de muito futuro, com dois jovens talentosos que teriam tudo para evoluir juntos e também dominar as ações embaixo da cesta – lembrando (realmente precisa?) que pegamos o inquestionável ala-pivô Anthony Davis, com a 1ª escolha do draft. Agora, inevitavelmente, os zangões terão de buscar um pivô no mercado de agentes livres. E pivôs com experiência na NBA costumam cobrar muito caro por seus serviços, mesmo os mais medianos – que é o que deveremos conseguir. Enfim, teremos que abrir os cofres – diminuindo o nosso espaço salarial -, quando poderíamos ter simplesmente escolhido um pivô jovem, promissor e muito mais barato no draft. Isso seria olhar para o futuro e para o melhor ajuste. Supriria uma grave carência do elenco sem sangrar na folha de pagamentos. Todavia, o Hornets preferiu seguir os caminhos da emoção e trocar o melhor ajuste (um pivô) pelo melhor talento, coloquemos assim. Para ser mais claro: a franquia selecionou um jogador com características similares às do Eric Gordon, que não tem o menor cacoete de armador, que possui um certo ego e a necessidade de ter a bola nas mãos, e que, a princípio, funcionaria melhor como um Sexto Homem. Em vez disso, poderia ter apanhado um jogador em falta no elenco, para complementar o jogo do Anthony Davis e formar com ele uma dupla de garrafão muito promissora e dominante para o futuro. E então? Diante desse panorama, é preciso dizer qual das duas situações se encaixaria melhor para o Hornets? Eu acho que não.

* Spurs Brasil: A nova potência da Conferência Oeste (sobre o Hornets)

Ok, é claro que este post reflete apenas a minha opinião, e ninguém é obrigado a concordar com ela. Além do mais, o Austin Rivers pode muito bem “calar a minha boca” e se tornar um jogador de grupo, essencial ao time, um parceiro excelente para o Eric Gordon, um armador talentoso, um futuro All-Star, um dos grandes nomes da liga. E depois eu serei obrigado a reconhecer que o Hornets acertou em cheio ao escolher o filho do Doc no draft. É justamente isso o que torna a NBA tão especial e imprevisível. Você simplesmente não sabe o que poderá acontecer. No fim das contas, não existe uma lógica ou uma certeza para absolutamente nada. Principalmente quando estamos falando de um jovem talentoso que está prestes a debutar como profissional. Hoje, a minha opinião é exatamente a que está postada aqui. Para mim, o Rivers acabou não sendo a melhor opção para o Hornets (com a 10ª escolha). Mas e daí? Dentro de alguns meses, eu poderei estar mudando de ideia. Isso é a NBA. De qualquer forma, seja muito bem-vindo à família, Austin Rivers. E “cale a minha boca”, se puder. Eu vou adorar isso!

OBS: O ala-armador Eric Gordon – que é um agente livre restrito – teria demonstrado forte interesse em se transferir para o Phoenix Suns. Inclusive, a franquia do Arizona fez a ele uma ótima proposta de U$ 58 milhões por quatro temporadas, que foi prontamente aceita. O Hornets, no entanto, está no direito de igualar a oferta para manter o jogador em New Orleans. Ok, mas será que vale a pena segurar um cara que não parece muito afim de jogar para a nossa franquia? Talvez, já pensando nesse risco, os zangões tenham escolhido o Austin Rivers no draft. Aí, tal opção pode fazer muito mais sentido, pois o Rivers seria um substituto imediato para o Eric Gordon. Então, só nos resta aguardar o desenrolar do caso para saber onde e como o Rivers entrará no nosso time. Mas se o Gordon permanecer, eu vou continuar achando que a escolha do Austin foi um tiro n’água. Até que ele me prove o contrário.

* Gostou da escolha do Austin Rivers? Não? Então, nos diga quem é que você pegaria com a pick number 10! Clique aqui e vote!

* AGÊNCIA LIVRE: A partir do dia 1º de julho, os jogadores que não estão sob contrato se tornaram os principais alvos das equipes da NBA em busca de reforços. O momento é de muita negociação, ofertas e até mesmo trocas. O nosso querido New Orleans Hornets ainda não contratou nenhum agente livre. Mas isso poderá acontecer de uma hora para outra. Fiquem ligados!

* New Orleans Hornets Brasil: Hornets e a matemática da Free Agency

* CHRIS KAMAN: O bom pivô alemão é um agente livre irrestrito e pode se transferir para onde bem entender. Carente de pivôs, o Hornets deveria tentar pegá-lo de volta. Experiente, ele tem tudo para ser um ótimo tutor para o Anthony Davis.  O que vocês acham?

* RETROSPECTIVAS: Ainda temos duas delas para postar (PF e C). Em breve, elas irão aparecer aqui no BH. Não se preocupem. Para quem ainda não conferiu as nossas análises anteriores, é só clicar em PG, SG e SF. Boa leitura.

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11 pensamentos sobre “A ESCOLHA DE AUSTIN RIVERS

  1. o jogo do rivers eh muito mais adequado a NBA que a NCAA… ele vai ser muito melhor como profissional do que como universitario… pode ter certeza. tambem prefiro um cara que queira melhorar sempre, que queira ser agressivo o tempo todo, a um cara que fica passivo na zona morta esperando algo acontecer (te lembra o hornets da epoca do chris paul?)

    alem do mais, depois dessa patifaria desse ze ruela chamado eric gordon, rivers nao podia aparecer em hora melhor… draftar o melhor talento disponiver eh sempre a melhor opçao… nao sabemos como o elenco vai estar daqui a um ano, mas sabemos que talento nos temos.. de repente o gordon nos traz um C titular e o cara sobrando seria o zeller, nao eh? por isso sou a favor do maior talento

    • Sim, Rafa. O estilo do Rivers tem tudo para acabar sobressaindo na NBA. Eu só acho que ele é o tipo de jogador que caberia melhor em times mais bagunçados, tipo Knicks, Warriors ou Suns, por exemplo. Nessas equipes, ele teria liberdade para fazer o que bem entendesse. Já no Hornets, eu não sei se isso poderá funcionar tão bem. Ainda mais tendo a presença do Eric Gordon, que teoricamente será o “cara” do time. Mas agora, com o Gordon forçando a barra para sair de New Orleans, o nome do Rivers já soa bem melhor! Ele será o substituto natural do Gordon, e isso diminuiria demais as minhas restrições quanto à sua escolha. No entanto, continuamos precisando de um pivô. E com absoluta urgência.

      Abço!

  2. Olha, no primeiro instante eu não concordei nenhum pouco com a escolha do Rivers, mas já estou me acostumando com a sua escolha e tô começando a gostar da idéia de ter ele no time. O Gordon deu essas declarações a de que queria jogar no Suns e eu já tô bastante pessimista quanto ao seu retorno ao Hornets.

    Caso o Gordon não seja um Hornet na próxima temporada, creio que o Rivers seja um substituto de qualidade, tem algumas mesmas características do Gordon (é um CG, tem facilidade de pontuar, joga com a bola nas mãos, etc), e é bem capaz do Hornets fazer uma S&T com o Gordon, o que nos traria outro (s) jogador (es) de qualidade em outras posições.

    E será que o Monty já tinha conversado com o Gordon antes do draft e o mesmo já não teria o comunicado que queria sair do Hornets ? Não sei ein…

    Sobre o Kaman, tenho estado mais otimista quanto ao seu retorno nos ultimos dias. O alemão não tem conversado com nenhuma equipe (pelo menos não saiu nada na imprensa) e o Hornes ultimamente não tem ‘explanado’ suas manobras no que diz respeito a trocas (vide a trade do Ariza e Okafor pelo Lewis). Espero que ele retorne, é uma ótima arma ofensiva e não tem opções muito melhores via FA.

    E acho que o Hornets não vai gastar muito nessa FA, economizaremos CAP e na proxima off-season sim, eu espero algumas movimentações bacanas por parte do Demps.

    • Concordo, Léon. Se a saída do Gordon realmente vier a se concretizar, a presença do Rivers acabará se tornando bem-vinda. Mas o Rivers não é o Gordon, precisamos ter isso em mente. Ele será um substituto com características similares, e isso apenas amenizaria o desfalque. Teremos que ver como o Rivers se comportará, principalmente em relação ao time, ao jogo de equipe, algo que o Monty Williams tanto preza.

      Honestamente, eu não acho que o Hornets selecionou o Rivers já prevendo uma possível saída do Gordon. Não consigo acreditar nisso. Creio que a ideia da franquia seja formar uma dupla explosiva com os dois, embora isso me pareça estranho e arriscado.

      Eu também espero que o Kaman volte ao Hornets, e também acho que o planejamento é para o futuro. Não há a menor pressa para se gastar dinheiro em New Orleans. Tenho a mesma impressão que você, parceiro.

      Abço!

  3. Eu acho q o GM de New Orleans fez certo ao escolher rivers,pegou o jogador com mais talento disponível até aquele momento e ñ acho q o GM o pegou já pensando na saída de Gordon,me lembro q nosso GM disse antes do draft q a prioridade era renovar com Gordon e estou nem um pouco me lixando para o que ele pensa,a diretoria do Hornets tem q renovar com ele mesmo sendo um canalha e mercenário.

    • Olá, Eduardo. Eu também penso igual a você. O Gordon tem que ser profissional e dar o máximo em quadra, caso o Hornets o mantenha em New Orleans. Ainda falaremos muito sobre isso…

      A respeito do Rivers, ele será um substituto bem-vindo – se o Gordon realmente sair do Hornets. No entanto, o melhor ajuste para o elenco seria um pivô. Precisamos de altura e talento, e perdemos uma bela chance de conseguir isso (e por um valor barato) no draft. Mas vamos ver como o Rivers vai se comportar… A Summer League de Las Vegas vem aí, e a gente já poderá ter alguma ideia, mesmo que pequena.

      Abço!

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