RETROSPECTIVA 2011-12 # 2

Marco Belinelli, Eric Gordon e Xavier Henry acabaram não brilhando

* Por Lucas Ottoni

Olá, amigos. É hora de prosseguirmos com a análise dos jogadores do New Orleans Hornets na temporada 2011-12 da NBA. A nossa primeira retrospectiva destacou os ARMADORES que atuaram pelos zangões na campanha 21-45 que fizemos. Agora, chegou a vez de falarmos sobre os ALAS-ARMADORES, os caras da posição 2. No idioma inglês, eles são conhecidos como shooting guards (SG), e aí já dá para perceber o que normalmente esses sujeitos costumam fazer em uma quadra de basquete: pontuar. Salvo raras exceções, os alas-armadores são atletas com aptidão ofensiva e capacidade para serem artilheiros. Será que os alas-armadores do Hornets cumpriram essa tarefa no último campeonato? Senão vejamos…

* ERIC GORDON #10

Médias: 34.4 mpg / 20.6 ppg / 3.4 apg / 2.8 rpg / 1.4 spg / 0.4 bpg

Número de jogos: 9 (todos como titular)

Se há algo de bom a se falar sobre o Eric Gordon na temporada 2011-12, é que ficou nítida a falta que ele fez à equipe do Hornets ao longo da competição. O Gordon é um ala-armador talentosíssimo e – como vocês bem sabem – veio como o “prato principal” da troca que enviou o nosso ex-armador All-Star Chris Paul para o Los Angeles Clippers. E o cartão de visitas do novo reforço dos zangões foi o melhor possível: um arremesso nos segundos finais – lá em Phoenix – que garantiu uma estreia emocionante e vitoriosa para a nossa equipe na temporada, lembram? Pois é, o problema é que nesse mesmo jogo contra o Suns ele se chocou com o ala Grant Hill e acabou estranhamente lesionando o joelho direito (alguns dizem que ele já vinha sentindo incômodos no local quando ainda estava no Clippers). A partir daí, o que vimos foi um verdadeiro calvário para o Eric Gordon. Ele tentou voltar a jogar em janeiro, mas as dores no joelho aumentaram. Com isso, o atleta foi afastado do time por algumas semanas, e uma cirurgia para remover fragmentos ósseos da área lesionada foi inevitável. Após quase dois meses se recuperando, o Gordon retornou aos jogos somente nas últimas semanas da temporada regular, que já estava totalmente comprometida para o Hornets. No fim das contas, ele jogou apenas 9 partidas em seu ano de estreia com os zangões e não foi o comandante do time, como todos esperavam.

PONTO POSITIVO:  Dos 9 jogos em que o Gordon atuou (e bem), o Hornets venceu seis. Isso mostra claramente a importância desse jogador para o time de New Orleans e a falta que ele fez ao longo do campeonato. Nessas 9 ocasiões, o Gordon obteve uma incrível média de mais de 20 pontos por partida e atuações espetaculares (veja uma delas no vídeo abaixo). Ele é, sem dúvida, o melhor e mais talentoso jogador do elenco dos zangões, e a campanha do Hornets teria sido muito melhor, caso o Gordon não tivesse se lesionado. Estando saudável, ele tem totais condições de ser o líder da nossa jovem equipe.

PONTO NEGATIVO: Apesar do enorme talento, o Eric Gordon é um jogador com a carreira marcada – precocemente – por lesões. Ele chegou à NBA em 2008 e nunca conseguiu cumprir uma temporada completa. Sempre sofreu com problemas físicos ou contusões e vem jogando cada vez menos partidas, ano após ano. Para um atleta jovem, de apenas 23 anos de idade, isso é algo preocupante. A ausência dele em quadra comprometeu seriamente a campanha do Hornets. Além disso, não se sabe se o joelho dele estará 100% recuperado para o futuro.

O FUTURO: O Eric Gordon será agente livre restrito no próximo verão americano. Isso quer dizer que ele estará disponível para ouvir propostas de outros times, mas o Hornets tem o direito de igualar qualquer oferta para manter o jogador em New Orleans. Pela qualidade que possui, o Gordon deve ser assediado por diversas equipes com propostas financeiramente tentadoras, e aí cabe ao Hornets avaliar se vale a pena igualar grandes cifras e comprometer a sua folha salarial com um jogador que, apesar de talentosíssimo, é propenso a lesões. Querem a minha opinião? O Hornets vai apostar as suas fichas no Gordon e vai dar um jeito ($) de mantê-lo na Louisiana.

* MARCO BELINELLI #8

Médias: 29.8 mpg / 11.8 ppg / 1.5 apg / 2.6 rpg / 0.7 spg / 0.1 bpg

Número de jogos: 66 (55 como titular)

Esse ala-armador italiano chegou ao Hornets em 2010 com a promessa de ser um artilheiro em potencial para a equipe de New Orleans. Após 2 anos, ficou bastante claro que o Marco Belinelli nada mais é do que um jogador para ser reserva na NBA – e com minutos limitados. Na última temporada, ele tirou proveito da lesão do Eric Gordon e da inexperiência do Xavier Henry para assumir de vez a titularidade na posição 2. Após um péssimo início de campeonato – recheado de críticas -, ele foi crescendo aos poucos (principalmente nas últimas semanas de competição) e apresentou uma pequena evolução defensiva e uma melhora em sua média de pontos (a mais alta da carreira). No entanto, isso está longe de ser suficiente para tornar o Belinelli um jogador de destaque ou importante dentro do nosso elenco. Os seus índices de aproveitamento em arremessos de quadra (41.7%) e 3 pontos (37.7%) foram bem decepcionantes para um atleta que atua como ala-armador e que tem como principal função pontuar. Além disso, o italiano jogou praticamente 30 minutos em média e não obteve números expressivos ou atuações sólidas que justificassem todo esse tempo em quadra. O técnico Monty Williams admira a ética de trabalho do Belinelli e até o chamou de “monstro” (positivamente) em uma entrevista. Ok, ética de trabalho é um negócio muito bonito. Mas o que acontece se toda essa ética de trabalho não está servindo para tornar o Belinelli um jogador melhor? Isso certamente – e infelizmente – não está se refletindo nos jogos. Aos 26 anos, o ala-armador italiano não me passa a menor pinta de que poderá evoluir ou se transformar em um jogador consistente. O Marco Belinelli é isso aí: um reserva para compor elenco na NBA, e nada mais.

PONTO POSITIVO: O que eu posso destacar aqui é a ética de trabalho do italiano. De acordo com o técnico Monty Williams, o Belinelli é um cara esforçado, que treina muito e nunca reclama de nada. Ele é um sujeito que quer melhorar, mas falta talento. Esse é o problema. Tem coisas que nem todo o treinamento do mundo pode te dar. Também é digno de elogios o fato de o Belinelli ter atuado em todas as partidas da temporada, algo raríssimo dentro do elenco do Hornets (veja no vídeo uma boa atuação dele na reta final da temporada).

PONTO NEGATIVO: A inconsistência e a falta de solidez em seu jogo. As boas partidas que ele fez na temporada foram exceções, e não regra. No início do campeonato, ele teve atuações tenebrosas, com aproveitamentos pífios, que também contribuíram para que a campanha do Hornets desandasse logo de cara.

O FUTURO: O Marco Belinelli será um agente livre irrestrito no verão americano que se aproxima. Ele estará absolutamente à vontade para ir para onde quiser. Eu, honestamente, acho que o Hornets não deveria procurá-lo atrás de uma renovação de contrato. O italiano não é essencial à equipe e não acrescentaria nada de muito relevante, nem saindo do banco. Contudo, eu acho que o Monty Williams vai pedir a permanência do atleta, e ele deverá receber uma oferta do Hornets para reassinar com a franquia.

* XAVIER HENRY #4

Médias: 16.9 mpg / 5.3 ppg / 0.8 apg / 2.4 rpg / 0.6 spg / 0.2 bpg

Número de jogos: 45 (nenhum como titular)

A temporada 2011-12 nada mais foi do que um mero prosseguimento do aprendizado do Xavier Henry dentro da NBA. O ala-armador nascido na Bélgica ainda é muito jovem, tem apenas 21 anos e está se familiarizando ao jogo dos profissionais. Apesar de possuir talento, ele ainda mostra uma certa imaturidade em quadra, e isso ficou bem claro no último campeonato. Algumas faltas de ataque infantis, afobação com a bola nas mãos, desperdícios, seleção equivocada dos arremessos, etc. Algo natural para um jovem que entrou na NBA com apenas 19 anos de idade. O Henry foi draftado pelo Memphis Grizzlies em 2010, e acabou desembarcando em New Orleans no início de 2012, em uma troca envolvendo as duas franquias e o Philadelphia 76ers. Com um time já pronto, o Grizzlies resolveu não dedicar o seu tempo a desenvolver as habilidades de Henry. Agora, é o Hornets quem tem a oportunidade de tornar o ala-armador um jogador preparado para a NBA. Caso obtenham sucesso, os zangões poderão ganhar um atleta realmente interessante. Nessa temporada, Xavier Henry mostrou que é rápido, atlético, tem boa impulsão e é bom nas infiltrações. Além disso, o seu arremesso é decente (embora ainda não seja 100% confiável). O garoto tem aspectos positivos em seu jogo que precisam ser lapidados. Em março, Henry chegou a ser mandado para a Liga de Desenvolvimento (D-League), onde jogou uma partida pelo Iowa Energy. Isso mostra que o Hornets não tem pressa para desenvolver o talento do ala-armador. Ele está ainda em um momento de adquirir experiência e confiança. A palavra aqui é PACIÊNCIA.

PONTO POSITIVO: O Henry tem apenas 21 anos, e, nesse caso, o tempo corre a seu favor. O importante é que ele já mostrou que tem talento e que pode ser um jogador cada vez melhor nas próximas temporadas. No início de março, ele anotou 19 pontos em uma partida contra o atual campeão Dallas Mavericks (veja o vídeo) e deixou muito claro do que é capaz, caso a franquia da Louisiana aposte no desenvolvimento do seu jogo.

PONTO NEGATIVO: A inexperiência. O Henry ainda não está pronto para ser parte constante na rotação de um time com ambições de vencer o campeonato. Isso ficou nítido nas vezes em que ele esteve em quadra com o uniforme dos zangões. Você sabe que o talento está ali, mas que é preciso muita paciência para que os erros também sejam corrigidos. O Henry não é um atleta que causará impacto a curto prazo.

O FUTURO: Tudo indica que ele permanecerá no Hornets. A franquia está em um momento de investir e desenvolver novos jogadores, e o Henry se encaixa perfeitamente nesse perfil. Se ele fizer parte de algum comércio, eu ficarei bastante surpreso.

– Outros alas-armadores que passaram pelo Hornets (sem grande repercussão) na temporada 2011-12: Trey Johnson.

* IMPERDÍVEL!: Nesta quarta-feira (30/05), a NBA realizará o sorteio da ordem de escolha das equipes no draft de 2012. Esse acontecimento é muito importante para o futuro do Hornets, que poderá ter a oportunidade de selecionar dois jovens talentos entre as 10 primeiras escolhas. É hora de torcermos muito para que a sorte esteja do lado dos zangões! Quem sabe não conseguiremos a escolha nº 1? As chances e percentuais de cada equipe estão aqui e aqui. Então, fica o convite aos amigos. Nesta quarta, a partir das 21h (de Brasília), o BH estará ligado no sorteio e passará as informações via Twitter. Cruzem os dedos!

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15 pensamentos sobre “RETROSPECTIVA 2011-12 # 2

  1. Eric Gordon é o nosso futuro, temos de cobrir todas e qualquer oferta por ele. Belinelli pode ir pro inferno e o Henry é um jovem em evolução, eu manteria no time pra ser o backup do Gordon.

    E sobre o sorteio do draft, tô bastante otimistas quanto as nossas possibilidades de obter a 1st overall. Vamos torcer pra que ela vá pra NOLA.

    Abço !

    • Eu penso parecido, Léon. Acho que devemos manter o Gordon, só não sei se vale a pena dar um contrato máximo a ele, pois é arriscado. O Belinelli, eu não manteria. E o Henry deve seguir com a equipe para se desenvolver como jogador profissional.

      Quanto ao draft, é aquilo. A sorte tem que estar do nosso lado. Se realmente a pick 1 vier, será algo a se comemorar muito. O Anthony Davis é um jogador completo e que promete bastante. Será muito bom vê-lo desembarcar em New Orleans… rs

      Abço!

  2. “O FUTURO: O Marco Belinelli será um agente livre irrestrito no verão americano que se aproxima. Ele estará absolutamente à vontade para ir para onde quiser. Eu, honestamente, acho que o Hornets não deveria procurá-lo atrás de uma renovação de contrato. O italiano não é essencial à equipe e não acrescentaria nada de muito relevante, nem saindo do banco.”

    2!!2!!2!! Belinelli só atrapalha nossa rotação. Jogador fraco, medíocre. Se o time de New Orleans quer algo para o ano que vem, que mande o italiano pra PQP!!

    • É, Ricardo. Eu acho que o ciclo do Belinelli no Hornets precisa de um ponto final. Ele não é um jogador que faça a diferença a favor do nosso time, e os seus números são decepcionantes sim. Um cara que joga 30 minutos por partida precisa justificar em quadra todo esse tempo recebido. E isso, infelizmente, não aconteceu. O italiano é esforçado, mas não mostrou nada demais para seguir firme na rotação do Hornets. A questão é que o Monty Williams pode querê-lo de volta. E é até provável que isso aconteça, embora a gente seja contra.

      Abço!

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