ENFIM, O ÚLTIMO ATO

Greivis Vasquez e Jason Smith celebram outra vitória do Hornets na reta final

* Por Lucas Ottoni

Sem qualquer chance de alcançar os playoffs da temporada 2011-12 da NBA, o New Orleans Hornets (21-44) vai se despedir do campeonato nesta quinta-feira, às 21h (de Brasília), diante do também eliminado Houston Rockets (33-32), lá no Texas. O jogo é uma mera formalidade, assim como as partidas que os zangões encararam nos últimos dias. Afinal, a notícia da compra da franquia pelo bilionário Tom Benson e as possíveis consequências disso (aqui e aqui) acabaram colocando os acontecimentos dentro de quadra em segundo plano. Nada mais compreensível, já que esses jogos derradeiros têm servido apenas para que o técnico Monty Williams realize avaliações no elenco e coloque os jogadores mais jovens ou em fim de contrato para mostrarem serviço. Portanto, o comportamento desses caras na reta final é o principal alvo da nossa análise. Mas antes de entrarmos nisso, vamos falar rapidamente sobre os resultados que a equipe da Louisiana obteve de uma semana para cá…

* Clique aqui e confira a prévia do nosso jogo de despedida (em inglês) 

Eric Gordon bate um papo com CP3

Na quarta-feira passada (18/04), o Hornets foi até o Tennessee e perdeu para o bom time do Memphis Grizzlies (40-25): 103 a 91. Um resultado absolutamente normal, tendo em vista que atletas como Jarrett Jack (lesionado), Chris Kaman (lesionado), Eric Gordon (poupado) e Trevor Ariza (poupado) não atuaram. Como havia prometido, o Monty Williams colocou em quadra uma equipe recheada de jovens e jogadores pouco experimentados na NBA. Um dia depois, os zangões voltaram para New Orleans, enfrentaram o Houston Rockets e venceram na prorrogação: 105 a 99. O ala-armador Eric Gordon atuou, foi o destaque (com 27 pontos) e brindou o público no último jogo que fizemos em casa na temporada. Após a boa vitória, o time teve dois dias sem jogos antes de viajar para Los Angeles e bater de frente com o LA Clippers (40-26), no último domingo (22/04). O Hornets se apresentou muito bem e chegou a ir para o último período vencendo por 10 pontos de diferença. No entanto, o nosso velho conhecido Chris Paul resolveu acabar com a festa e comandou a reação dos angelinos: 107 a 98, com 33 pontos, 13 assistências e 8 roubos (!) do CP3. Creio que essa derrota foi um belo aprendizado para a nossa garotada, e acho que o técnico Monty Williams pensa exatamente como eu. E para fechar a retrospectiva semanal, os zangões deram uma passada em Oakland e conseguiram um triunfo suado sobre o Golden State Warriors, na nossa penúltima aparição na temporada: 83 a 81. Vejam o lance esquisito (um bloqueio com a bola na descendente!) que decretou a 21ª vitória do Hornets, na madrugada desta quarta-feira (25/04):

Bem, você não precisa ser fera em matemática para saber que nós saímos com 2 vitórias e 2 derrotas, nos últimos 4 jogos. Contudo, o mais importante foi o comportamento do time. O Monty testou algumas formações, deu mais tempo em quadra a alguns jogadores e – como consequência – observou qualidades e defeitos a serem trabalhados daqui para frente. O fato é que o Hornets joga duro todas as noites, não importando a situação em que se encontre. E isso é reflexo da excelente atuação do Monty Williams, não resta a menor dúvida. Mesmo tendo o seu trabalho brutalmente comprometido pelas lesões no elenco ao longo de todo o campeonato, ele soube transformar os zangões em um grupo competitivo com o que tinha em mãos. E o resultado disso virá a longo prazo, podem ter certeza. Nós temos uma equipe jovem, em evolução, e que está sendo muito bem conduzida pelo nosso treinador. Para vocês não acharem que eu estou viajando, vou tentar fundamentar o meu otimismo com algumas coisas que eu tenho observado. Lá vai…

Vasquez amadureceu

1) A maturidade do Greivis Vasquez: o armador venezuelano tem sido uma peça importante para o time nessa reta final do campeonato. Em seu segundo ano na NBA, ele praticamente triplicou as suas médias de pontos, assistências e rebotes, em relação à sua temporada de estreia na liga, onde – pouco – atuou pelo Memphis Grizzlies. No New Orleans Hornets, o Vasquez vem aproveitando bem as chances que tem recebido e está conduzindo a armação da equipe com eficiência. Essa tem sido uma temporada de bastante amadurecimento para o jogador de 25 anos, e ele vem segurando muito bem a onda na ausência do titular Jarrett Jack (lesionado).

Belinelli recebeu elogios

2) O crescimento do Marco Belinelli: o ala-armador italiano começou muito mal a temporada, tendo um baixo aproveitamento no quesito em que é especialista: os arremessos. Muitas vezes o Belinelli foi questionado e criticado, mas o técnico Monty Williams seguiu confiando no jogador de 26 anos para substituir o lesionado Eric Gordon. Hoje, além de se mostrar um artilheiro cada vez mais eficiente, o italiano tem apresentado uma melhora substancial como defensor (ele não é mais aquela “peneira” que era na temporada passada!). Nos últimos 5 jogos como titular, obteve uma média de 18.6 pontos. Inclusive, a ética de trabalho do Belinelli foi bastante elogiada pelo Monty, e o crescimento desse jogador é nítido.

Aminu: em ascensão

3) A evolução defensiva do Al-Farouq Aminu: o ala ex-Clippers é um jovem de 21 anos que chegou cedo demais à liga profissional. Há aspectos em seu jogo que precisam ser muito trabalhados. Ele ainda apresenta sérias deficiências quando tem a bola nas mãos e segue cometendo erros no ataque, onde não raramente é vítima de bloqueios e roubos fáceis (embora tenha melhorado o seu arremesso de média e longa distância). Apesar desses defeitos, o Aminu vem mostrando um enorme potencial defensivo, algo que o técnico Monty Williams aprecia bastante. Tanto que ele afastou o Trevor Ariza das últimas partidas só para observar melhor o desempenho do Aminu, e essa decisão já vem rendendo frutos. A energia para defender tem sido a marca registrada desse jogador. Além de ser um “carrapato”, o Aminu tem boa altura (2,06 metros) e ajuda o time também na luta pelos rebotes. A ideia é que ele siga em constante evolução.

Smith é um jogador melhor

4) O desenvolvimento do Jason Smith: esse ala-pivô de 26 anos é um jogador muito melhor hoje do que quando chegou no Hornets, há quase dois anos. Vocês lembram? Ele é um cara que tem um bom arremesso, mas era afobado demais na defesa e cometia diversas faltas infantis, além de não ter um bom jogo de pernas. Com o passar do tempo, o Smith foi melhorando essas deficiências, aprendendo a evitar algumas faltas por excesso de empolgação e a trabalhar melhor a bola perto da cesta. Além disso, ele tem apresentado um pacote de bloqueios e enterradas animais, algo que não era tão comum em seu jogo quando ele desembarcou na Louisiana, em 2010. Na atual temporada, o Smith possui médias de mais de 10 pontos e quase 5 rebotes por jogo. Eu me arrisco a dizer que esse rapaz é hoje um dos jogadores favoritos dos fãs do Hornets. E certamente isso não é obra do acaso.

Dos últimos 12 jogos, o Hornets venceu oito e teve uma sequência de quatro triunfos consecutivos. É óbvio que o retorno do Eric Gordon também foi fundamental para essa enorme melhora no desempenho do time, mas também é preciso lembrar que ele vem sendo poupado em algumas partidas, e jogadores como Vasquez, Belinelli, Aminu e Smith têm conduzido o Hornets a boas partidas e resultados positivos. Daqui a pouco, teremos o nosso último ato, a nossa despedida do campeonato de 2011-12. E a equipe do técnico Monty Williams encerrará a sua participação deixando o seguinte recado: “estamos começando a ganhar forma para a próxima temporada! Se preparem!”. Amigos, eu estou prevendo algo muito, muito legal vindo por aí…

OBS: Eu não esqueci do ala-pivô mexicano Gustavo Ayon. Ele está sentindo as dificuldades de sua primeira temporada na NBA, mas tem qualidades e já demonstrou isso em alguns jogos. Ele é mais uma peça que poderá ser muito útil à equipe dos zangões. Eu confio demais nisso.

* A SEGUIR: Assim que a temporada terminar, o Brazilian Hornet fará a avaliação do elenco – jogador por jogador – (quem se destacou, quem decepcionou, quem merece ficar, quem deve sair) e também começará a voltar todas as baterias para o draft de 2012 e os jovens talentos que estarão ao alcance dos zangões na noite da seleção. Aguardem!

* TRÊS PERGUNTINHAS: O ala Trevor Ariza foi afastado até do nosso banco de reservas e disse que entende a opção do técnico Monty Williams, que preferiu poupá-lo para dar chance aos jovens jogadores. Agora, vamos às interrogações…

1) Será que o clima entre Ariza e Monty é dos melhores?

2) O Ariza seguirá em New Orleans na próxima temporada?

3) O Michael Kidd-Gilchrist está cada vez mais perto dos zangões?

E então? O que vocês acham? Opinem aí…

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5 thoughts on “ENFIM, O ÚLTIMO ATO

  1. Ola. mas um excelente post (tal como o outro debaixo). a equipa exibiu-se em grande nivel neste final de temporada, com os jogadores a darem tudo. Apesar de concordar que deveriamos ter perdido mais 1 ou 2 jogos, sabe sempre bem ganhar. Ontem em Houston, era previsivel aquele 4º periodo, porque a classificação assim o pedia. Quanto às questões finais:
    1 – Espero que seja um clima bom. LOL
    2 – Penso que o Ariza será peça a trocar (dar mais minutos a Aminu – está cada vez melhor na defesa, mas ainda tem potencial para mais e melhor)
    3 – Era muito BOM!!!

    • Obrigado pelo elogio, grande Sergio. A reta final do nosso time foi realmente animadora. E o trabalho só tende a crescer na próxima temporada. O jogo em Houston foi mesmo estranho, mas as duas equipes jogaram de forma descompromissada, tudo poderia acontecer mesmo.

      Sobre o Ariza, eu acho que é quase certo que ele não ficará em New Orleans. O Hornets deverá negociá-lo. Por isso, eu vejo o garoto Kidd-Gilchrist como uma boa opção para o time no draft. Vamos aguardar…

      Abço!

  2. pois eu acho q o Ariza nao fica nos hornets. E tambem acho q o clima entre ele e monty williams nao é dos melhores. eles discutiram num jogo contra o wolves se eu nao estou enganado. e acho q os hornets vao pegar o andre drumond ou o thomas robinson. sobre a evoluçao desses 4 jogadores, acho q os 4 permanecem no hornets na temporada seguinte, mas todos como reservas. e parabens pela cobertura da temporada. ficou mto bom!!

    • Valeu, Felipe. Eu também acho que o Ariza não ficará. Andre Drummond e Thomas Robinson também são duas boas possibilidades para o Hornets. Ainda vamos falar bastante de draft daqui para frente.

      Sobre os quatro jogadores que eu destaquei, eu acho que eles mostraram que podem ser úteis e fazer parte de um time vencedor que iremos construir. O Monty Williams e o Dell Demps estão procurando as peças certas, e eu creio que eles já sabem que podem contar com esses quatro no elenco para 2012-13.

      Abço!

  3. Pingback: UM AGRADECIMENTO COM OS 10 +! | Brazilian Hornet

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