PECANDO EM MOMENTOS CRUCIAIS

Landry vs Hawes: ambos foram bem, mas o visitante riu por último

* Por Lucas Ottoni

Pense em um time que vai para o último período de uma partida vencendo por 73 a 67. Pensou? Ok. Agora, pense em um time que cede a virada ao adversário em apenas dois minutos desse mesmo último período: 73 a 74. É isso mesmo, em apenas dois minutos. Para terminar o raciocínio, pense em um time que leva uma cipoada de 34 a 20 nesse mesmo último período e perde o seu 4º jogo consecutivo na temporada 2011-12 da NBA. Aí está o New Orleans Hornets (2-4). Os zangões pecaram nos minutos finais e perderam, em casa, para o Philadelphia 76ers (3-2), por 101 a 93. Vale lembrar que, na partida anterior, contra o Utah Jazz, a mesma coisa aconteceu: muitas falhas nos momentos decisivos, e derrota em Salt Lake City. O Hornets é um time a ser lapidado. Quanto a isso, não resta a menor dúvida. Muitos erros devem ser trabalhados, e, como não há tempo suficiente, o jeito é tentar corrigi-los dentro dos próprios jogos. Por isso, a nossa equipe vem batendo cabeça, apanhando e (eu espero) aprendendo. É preciso ter paciência e seguir confiando no trabalho implantado pelo técnico Monty Williams.

O que me deixou realmente decepcionado, nesse jogo de ontem, foi a postura da defesa do Hornets no último quarto. Frouxa, sem intensidade, permitindo que o bom armador Jrue Holiday fizesse a festa na linha dos três pontos e abrisse larga vantagem no placar, a favor do Sixers. Quer dizer, marcação de perímetro? Nenhuma. Resultado: 34 a 20, e a primeira vez que os zangões sofrem mais de 100 pontos na temporada. O Monty Williams, um entusiasta da defesa, também deve ter ficado bastante aborrecido (eu espero) com o que viu no derradeiro período. O Hornets, praticamente, entregou o jogo para o adversário, e, mais uma vez, as alterações no time não surtiram o efeito esperado nos momentos finais. O jeito é seguir trabalhando…

Eric Gordon voltou com boa atuação

O Hornets começou a partida com o seguinte quinteto: Jarrett Jack, Eric Gordon, Al-Farouq Aminu, Carl Landry e Emeka Okafor. Você pode notar duas novidades nessa escalação. Sim, o Eric Gordon voltou! E voltou jogando bem (embora tenha caído um pouco de rendimento no segundo tempo): 22 pontos, 6 rebotes, 3 roubos e 2 bloqueios, em 39 minutos. E a outra novidade foi o ala Aminu, que iniciou o jogo substituindo o lesionado Trevor Ariza (virilha). Olhem, o Aminu é tão “cru”, mas tão “cru”, que chega a dar arrepios quando a bola está nas mãos do garoto. Precisa ser muito, muito trabalhado antes de receber um tempo maior em quadra ou iniciar partidas com a camiseta do Hornets: 19 minutos, 4 rebotes e nenhum pontinho. Já o Jack e o Landry foram bem e vêm mostrando que serão importantes para o desenvolvimento desse time, ao longo da temporada. E o nosso pivô, Emeka Okafor, é o de sempre: decente na defesa, mas sem a menor inspiração no ataque. Da turma que saiu do banco, destaque apenas para o pivozão Chris Kaman (apesar do pouco entusiasmo defensivo), com seus 10 pontos e 8 rebotes, em 24 minutos.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida

Para terminar, eu gostaria de falar sobre o Emeka Okafor. Todos os que conversam comigo sobre o time do Hornets sabem que eu nunca fui (e nunca serei) um fã do basquete do Okafor. Ele é um atleta com uma disposição defensiva grande, sabe defender, pega seus rebotes e distribui seus bloqueios, ok. Contudo, um cara que recebe U$ 12,5 milhões / ano não pode ser jogador de uma nota só. A verdade é que o Okafor é fraquíssimo ofensivamente. Talvez seja o único pivô titular da NBA que passa um jogo inteirinho sem enterrar. É muito “soft”, quando o assunto é ataque. Pivô de gancho e bandeja. Isso mesmo. Seu arsenal ofensivo é tão limitado, que a gente torce para o Okafor passar a bola, mesmo quando está embaixo da cesta. Sem contar o fato de que ele é péssimo na linha de lances livres (nessa temporada, o seu aproveitamento é de apenas 50% de acertos em FT). Na realidade, se o Okafor fosse minimamente bom no ataque, ele seria um dos pivôs mais dominantes da NBA. No entanto, ele está beirando os 30 anos de idade e, durante todo esse tempo, não evoluiu em nada o seu jogo ofensivo. E, com o belo salário que recebe (mesmo que salário de pivô seja inflacionado), eu acho que ele tinha que mostrar bem mais do que vem mostrando. É o meu candidato número 1 para ser trocado pelo Hornets, em um futuro próximo.

* Veja o pós-jogo do blog New Orleans Hornets Brasil

Ah, e antes que eu me esqueça, aqui estão os números do Okafor (diante do Sixers): 5 pontos, 7 rebotes, 1 roubo e 2 bloqueios, em 27 minutos. Na minha opinião, muito pouco para um cara que recebe mais de U$ 1 milhão por mês. É como um parceiro meu diz: “A equipe que tomar 20 pontos do Okafor pode fechar as portas”. Brincadeiras à parte, o ímpeto ofensivo do Emeka é realmente decepcionante. E o pior: em quase três anos de Hornets, ele não mostrou nenhuma evolução nesse aspecto. Jogador defensivo. De uma nota só.

No vídeo abaixo, alguns highlights da derrota dos zangões:

OBS: Antes das Ferroadas, eu gostaria de agradecer ao pessoal que vem comentando direto e dando força e audiência ao Brazilian Hornet. A participação e o companheirismo de vocês é que me dão força para seguir com este espaço. Muito obrigado!


 FERROADAS

* HORNETS VS NUGGETS: Os zangões voltarão à quadra, nesta sexta-feira (06/01), às 23h (de Brasília), contra o Denver, do brasileiro Nenê (que, machucado, não deve atuar). O jogo acontecerá na New Orleans Arena. Será a sétima partida da equipe da Louisiana, na atual temporada. E só a vitória interessa!

* ALL-STAR GAME: O Hornets já tem os seus indicados para a votação do público. São eles: Eric Gordon, Emeka Okafor, Carl Landry e Chris Kaman. Para votar nos quatro e colocar os zangões no Jogo das Estrelas, é só clicar aqui. O evento ocorrerá entre os dias 24 e 26 de fevereiro, em Orlando.

* DE MOLHO: O ala-armador Xavier Henry, novo reforço do Hornets, já apareceu sentado no banco de reservas do time, ontem, contra o Sixers. Só que de terno. É que o jogador se recupera de uma entorse no tornozelo direito e  volta a jogar apenas em duas semanas. Até lá, espero que a equipe já esteja mais acertada e com melhores resultados. Eu sou um eterno otimista.

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13 thoughts on “PECANDO EM MOMENTOS CRUCIAIS

  1. quem diria perdemos por falta de defesa no ultimo quarto,mas jogamos bem melhor do q nas ultimas partidas

    agora contra o denver vai ser dificil o time deles é bem arrumadinho

    • O Hornets está aprendendo na base da pancada, Daniel. O time não tem feito jogos ruins (à exceção das partidas contra Suns, a última, e Kings), mas tem errado em momentos decisivos. Falta de cancha mesmo, experiência, entrosamento. O lance é se acertar em meio aos jogos. Não há tempo para parar, treinar e acertar. É aprender apanhando, infelizmente. E a nossa defesa foi terrível no fim, concordo.

      Espero um jogo difícil contra o Denver, mas podemos vencer. A esperança é a última que morre. rs

      Abço!

  2. Olá. Não consegui ver a partida frente aos Sixers, mas mais uma vez falhou o 4º período. Não sei porquê, mas na temporada passada penso que os Hornets eram a equipa com mais vitórias nas partidas que terminavam com menos de 5 pts de diferença para o vencedor. Ou seja, Chris Paul, para além de ser um excelente base, defensor e passador de bolas, também controlava muito bem o tempo de jogo. Geria a partida como ninguém faz. Não sei se foi isso que faltou ontem, mas deixar o Holiday sozinho não lembra a ninguem (quem estava a marcá-lo?).

    Já agora, um time que leva 21 pts do Evan Turner, tem que fechar.kkkkkk.

    PS – Os Hornets têm que encontrar um bom atirador da linha de 3 pts, pois de vez em quando dá jeito um tirozinho para acordar a malta (saudades do Peja)…

    Cumprimentos

    • Sergio, o Chris Paul é um jogador que faz falta a qualquer equipe de basquete do mundo, concorda?… rs… É claro que o Hornets sente falta dele, e estamos perdendo alguns jogos também por isso. O Jack tem alguma qualidade, mas não é o armador cerebral que precisamos para controlar o jogo. O problema não foi só a marcação no Holiday, e sim, o sistema como um todo. Não funcionou. O Sixers encontrou pontos fáceis no fim. E com o Trey Johnson errando passe em reposição de bola, fica ainda mais difícil.

      O Evan Turner jogou muito bem ontem. Muito bem mesmo. Infelizmente, para nós.

      E esse atirador de três pontos é o Eric Gordon. Ele pode fazê-lo. O problema é o Jarrett Jack achá-lo em posição de tiro. O Jack não tem um passe dos melhores, não tem a visão de jogo do Chris Paul, apesar das 11 assistências de ontem. Isso tudo precisa ser trabalhado. É sistema, é organização. O Monty Williams deve estar buscando alternativas, creia.

      Mas o Peja faz muita falta sim. Foi um grande jogador, um tiro certeiro… rs

      Abço!

  3. Falando de outro assunto, não há ninguém que acene com os $$$ e leve o Milos Teodosic para a NBA? Tem 24 anos, joga no CSKA Moscovo e ganha cerca de 6 milhões de dolares por ano. Era o jogador ideal para os Hornets…

    • Seria uma boa, companheiro. O problema é que esses jogadores fazem contratos longos com times europeus (não sei se é esse o caso), e as multas são altíssimas. Os europeus e os chineses vêm pagando tão bem quanto a NBA. De repente, pode ser do interesse do próprio Teodosic não sair da Europa. Exemplo? O Marcelinho Huertas, brasileiro do Barça, é um jogador com talento para atuar na NBA. Mas ele não quer sair da Espanha. Está feliz por lá, é ídolo. Não quer chegar na NBA apenas para ser mais um. A escolha do jogador conta muito também, né?

      Abço!

  4. Isso mesmo Lucas. Os europeus, nesse ponto de vista, preferem ser Reis na Europa, do que “mais um” nos EUA. Os campeonatos da Russia, Espanha e Grécia são muito fortes, ainda existe o campeonato do Adriatico, com equipas da Croacia, Servia, Israel e depois há a Euroliga. A Grecia sempre teve grandes jogadores, mas que raramente saiam do Olympiakos e Panathinaikos, com a Russia, a mesma coisa. Compreendo, mas faltam mais estrangeiros na NBA, para dar lições aos norte-americanos. O Ricky Rubio ia ser um “flop”, mas no final consegue fazer 12 assistencias saindo do banco e lançar de 3 pts com facilidade.

  5. É verdade, Sergio. Eu mesmo queimei minha língua com o Rubio. Não achei que o impacto dele fosse imediato. O garoto chegou na NBA ontem, e parece que já atua na liga há anos. Ele vem jogando de forma sensacional.

    De fato, alguns times europeus são muito fortes. Alguns, podem muito bem vencer equipes medianas da NBA. E a escolha do jogador, nesse caso, é importante. Se estiver feliz na Europa, não há motivos para ir para a NBA. O nível do basquete europeu também é alto. Ainda não se compara à NBA, mas é competitivo, sem dúvidas.

  6. Por mim, perde até o fim da temporada haiuefhiuaffh. É evidente que esse time ainda é fraco (só não é pífio por conta do Gordon). Acredito que, com boas colocações no draft achamos uns companheiros pro Gordon e voltemos a ser uma boa equipe.

    abçs

    • Torcer para o time perder, eu não consigo. Mas se perder e tiver boas escolhas no draft, também será legal. É complicado. Não acho o nosso time tão ruim assim. Não é um time para ser campeão ou chegar em final, mas dá para ser competitivo e fazer bons jogos ainda. O draft é consequência do que for acontecendo nos jogos. Prefiro não sofrer com isso por antecipação. Mas a torcida contra o Wolves, aí sim! Essa continua muito forte… rsrsrs

      Abço, Léon!

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