ANO NOVO, VELHAS DEFICIÊNCIAS

Chamem o Copperfield! Que invertam-se os uniformes!

* Por Lucas Ottoni

Primeiramente, o Brazilian Hornet inicia 2012 desejando um grande ano para os nossos leitores, parceiros e amigos comentaristas. Que todos nós tenhamos muitos motivos para comemorar daqui para frente. Aliás, o que não se deve comemorar é a nova péssima atuação do New Orleans Hornets (2-2). Na última madrugada, os zangões abriram o Ano Novo com um resultado daqueles, para deixar qualquer um de ressaca. A derrota, por 96 a 80, para o Sacramento Kings, na Califórnia, expôs velhos defeitos que o torcedor do Hornets que acompanha a equipe já conhece há algum tempo. E, como não poderia deixar de ser, eu vou apresentar novamente dados alarmantes, que podem explicar (em teoria) o nosso segundo revés na temporada 2011-12 da NBA. Olhem para isso:

- Arremessos da linhas dos 3 pontos: 0-15. De novo: 0-15. Quer dizer, 15 “chutes” e NENHUM, eu escrevi NENHUM, acerto. Um time com um aproveitamento (?) desses não pode vencer jogo algum, concordam?

- Free Throw (os lances livres): 8-16. Nossos jogadores foram 16 vezes para a linha de lances livres e converteram apenas metade dos arremessos. Um aproveitamento terrível de 50%. Isso é, no mínimo, decepcionante.

- Field Goal (os tiros de quadra): 36-89. Um percentual de acertos de apenas 40.4%. Se levarmos em conta o percentual do jogo anterior, contra o Suns, que foi de 28.9% (26-90), podemos até “comemorar” esse 36-89, não é mesmo?

Tyreke Evans foi o cestinha do jogo

Diante desses números e estatísticas, eu bato na mesma tecla: como nós poderemos vencer os jogos? Isso é uma questão que o técnico Monty Williams e os jogadores precisam resolver de qualquer jeito. Não há time (e nem torcedor) que resista a percentuais tão baixos. E o pior de tudo: não teremos, sequer, tempo para tentar corrigir minimamente essas deficiências. Estamos no nosso primeiro back-to-back da temporada, isto é, sequência de jogos em dias seguidos, e voltaremos à quadra, daqui a pouco, à meia-noite (de Brasília) de hoje para amanhã (03/01), quando iremos encarar o Utah Jazz (1-3), na EnergySolutions Arena, em Salt Lake City. O que podemos esperar dessa partida? Do jeito que as coisas andam, superação é tudo o que pedimos. Nada mais.

* New Orleans Hornets Brasil: a prévia do jogo (contra o Jazz)

Voltemos à derrota para o Sacramento Kings. O placar de 96 a 80 pode sugerir que os californianos dominaram a partida do início ao fim, certo? Errado. Por incrível que possa parecer, o Hornets foi para o intervalo vencendo o duelo por 40 a 38 (um placar baixo). No entanto, a coisa desandou na etapa final, e os zangões tomaram um 58 a 40, com direito a show dos alas-armadores Tyreke Evans, 27 pontos (cestinha do jogo), e Marcus Thornton (lembram dele?), 25. Como aconteceu diversas vezes na temporada passada (ainda com Chris Paul e David West), o Hornets sofreu um apagão após o intervalo, viu o adversário abrir vantagem e não conseguiu esboçar reação. É psicológico? É emocional? Eu sei lá! O que eu posso garantir, é que essa é uma velha deficiência que o bom técnico Monty Williams ainda não conseguiu corrigir. Outros velhos problemas? Vamos lá. Os inúmeros erros de ataque (e a marcação do Kings nem foi tão boa assim! Pegamos trocentos rebotes ofensivos e não aproveitamos!) e os lapsos na defesa. Às vezes, os zangões se perdem completamente na partida, e o sistema defensivo do Monty vaza que nem coador de café. Só com muito trabalho, esses defeitos serão minimizados.  Os percentuais dos últimos dois jogos e os apagões constantes são inadmissíveis. Não podem ser aceitos com naturalidade. Estamos falando de NBA, não é qualquer campeonato de fundo de quintal!

Trevor Ariza teve uma boa atuação, apesar da derrota em Sacramento

Para terminar, vamos falar sobre deficiência técnica. Eu li comentários de algumas pessoas dizendo que a nossa excelente vitória sobre o Boston Celtics, na última quarta-feira, foi algo atípico, e que a nossa realidade é a das derrotas terríveis para Phoenix Suns e Sacramento Kings. Eu discordo, pois acho que o Hornets é bem melhor do que isso que apresentou nos dois últimos jogos. Pode não ser tão bom para fazer o que fez contra o Celtics, mas não é tão ruim a ponto de ficar tomando 15, 16 pontos de diferença em todas as noites. Claro que os zangões têm suas deficiências técnicas evidentes. Por exemplo, o Jarrett Jack é um jogador de altos e baixos, não é um armador consistente o suficiente para ser titular de uma equipe da NBA. Aliás, a exibição dele contra o Kings foi tenebrosa! Outro jogador que não pode ter papel de protagonista em uma equipe da NBA é o ala-armador italiano Marco Belinelli. Sua inconsistência ofensiva é terrível e comprometedora. Seus aproveitamentos de FG (3-12) e 3 pontos (0-7) contra o Kings são inaceitáveis. Ficou 35 minutos em quadra e anotou apenas 6 pontos. Um horror! Já na linha de lances livres, as limitações do ala Trevor Ariza e do pivô Emeka Okafor são claríssimas e, igualmente, comprometedoras. Aí estão alguns exemplos de deficiências técnicas do nosso time. Agora, eu lhes pergunto: quem não as tem? Existe time perfeito? Pois então, o fato é que, mesmo com seus problemas, o Hornets não pode continuar entregando os jogos da forma como entregou os dois últimos. Ponto.

No vídeo abaixo, alguns highlights da derrota dos zangões:

Vai uma dica: deem uma olhada nesse excelente quadro do blog Hornets247 (em inglês) analisando e graduando individualmente cada jogador dos zangões, após a derrota para o Kings. Muito interessante.

* Confira aqui o Box Score (com vídeos) da partida

Aos pessimistas de plantão, vale lembrar que o Hornets tem atuado sem o seu principal pontuador. O nosso SG de 20 pontos por jogo, Eric Gordon, segue lesionado no joelho direito e também não enfrentará o Utah Jazz. Tire o Joe Johnson do Hawks. Tire o Ray Allen do Celtics. Tire o Dwight Howard do Magic. Tire o Kobe Bryant do Lakers. Melhor parar por aí, né?

Enfim, isso é tudo. Mais uma derrota feia, 2-2. No entanto, eu sigo convicto de que não temos um time tão ruim. Mesmo com as velhas deficiências, estamos em 2012! A esperança é a última que morre!

* Veja o pós-jogo do blog New Orleans Hornets Brasil

OBS: E o DeMarcus Cousins, hein? Tudo isso é medo de encarar o Hornets? Brincadeiras à parte, esse rapaz é muito talentoso. Pena que a cabecinha dele teima em não ajudá-lo.


 FERROADAS

* DISPENSADO: O ala Lance Thomas não faz mais parte do elenco do New Orleans  Hornets. O ex-jogador da Universidade de Duke apareceu em dois jogos da temporada regular pelos zangões, com média de 0,5 ponto. Agora, a nossa equipe conta com 14 atletas. E boa sorte para o Lance, em sua carreira.

* ESTREANTE: O ala-pivô mexicano Gustavo Ayon entrou em quadra, finalmente, com uma camiseta do Hornets. Ele atuou nos 2 últimos minutos da partida contra o Kings, que já estava definida, e terminou zerado em todos os fundamentos. Espero que, aos poucos, o Ayon vá se adaptando aos zangões e à NBA. É uma aposta para o futuro.

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9 thoughts on “ANO NOVO, VELHAS DEFICIÊNCIAS

  1. Bem que pessima partida… 0-15 em triplos é histórico… Pior que isso, ser a equipa com mais ressaltos ofensivos e não conseguir aproveitar esse facto… Contudo, temos de dar tempo à equipa e esperar que o Gordon faça o seu trabalho. Com Emeka, Kaman e Landry poderemos ter sucesso nas tabelas, mas falta o jogo exterior.

    Bom ano novo para toda a malta!

    • Sim. Os números do Hornets no ataque me assustam a cada dia, Sergio. Agora, temos de aguardar o retorno do Eric Gordon. Creio que, com ele, nosso aproveitamento de FG, FT e 3 pontos apresentará melhoras substanciais. Afinal, a diferença dele para o Belinelli é IMENSA.

      E concordo com você. Nosso time tem bons valores. Gordon, Jack (apesar da irregularidade), Kaman, Okafor, Landry, Ariza, Vasquez (belo passador), Ayon (contratação elogiada). Não é para apresentar os números que vem apresentando. Eu acredito que iremos melhorar sim.

      E muito obrigado pelas palavras, amigo. Feliz Ano Novo para você e para os seus!

    • Eu também acho que o Belinelli merecia a mesma graduação do JJ: um enorme F. É inadmissível o italiano apresentar números tão sofríveis como esses atuando por 35 minutos! E o pior é que tem gente que gosta… rs

      O jeito é torcer para o Eric Gordon voltar. E bem rápido.

      Abraço, Rafa!

  2. Nice work, man!

    I don’t know much about the portuguese language but I’m translating and its report is very good. I would start the games with Greivis as PG. What do you think, man? this game, we need offense no doubt about it and gordon in there could have changed the outcome of this game. Nothing’s wrong playing lockdown defense, but ballgames are won by good offense as well. Ok, and it’s nice to know that bees have fans in brazil.

    Gr8!

    • Thanks for the compliments, Brandon. Well, I also like the Greivis Vasquez’ game and would like to see him with more minutes. Mainly because JJ is very irregular.

      About the team, I agree with you. Without a good offense, the defense can’t resolve. And I also hope that Gordon will return soon. I cannot endure Belinelli… (smiling)

      And here in Brazil, the Hornets have faithful fans! We love this team!

      Greetings!

  3. time jogando muito mal

    e na questão cousins,se ele quiser ganhar titulo e quer sair pra um lakers da vida ele vai se ferrar pq ele iria pra uma equipe velha,enquanto o kings tem um dos times mais promissores da liga

    sera q o gordon joga hj?

  4. É, Daniel. Perdemos mais uma agora há pouco, para o Jazz. Placar apertado, mas erramos muito no fim. O Gordon não jogou. Ele voltará nesta quarta-feira, contra o Sixers (pelo menos, é o que tudo indica). Eu espero uma melhora muito grande na equipe, com o retorno do Gordon. Pois o Belinelli está muito, muito, muito mal. Mas nem tudo está perdido. Se vencermos o Sixers, vamos para 3-3 e ficamos ali, no páreo. O retorno do Gordon é fundamental para que possamos ser competitivos.

    Sobre o Cousins, ele parece que perdeu a noção. É como disse o presidente do Kings, e eu concordo: o Cousins precisa crescer. Tem muito talento, mas parece uma criancinha mimada.

    Aquele abraço!

  5. Pingback: QUANDO É QUE O GORDON VOLTA? | Brazilian Hornet

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